Capítulo 14 GENERAL NARRANDO Eu não dormi. Passei a madrugada inteira sentado na varanda da sala, com um fuzil atravessado no colo e uma garrafa de cachaça barata ao lado, essas eram mais forte. A adrenalina da tentativa de invasão do Rato já tinha baixado, mas o veneno que corria no meu sangue era outro. Era o toque dela. Ainda sentia a pressão dos dedos da Gabriela no meu braço. Um toque de cuidado, de filha, de quem queria apenas me ver bem e eu reagi como um bicho acuado. Empurrei a única pessoa que se importa comigo nesse mundo porque eu não conseguia mais separar o carinho da cobiça. Minha mão, a mesma que ela tentou segurar, agora fechava em punho até os ossos estalarem. Eu me sentia sujo. Uma coisa é ser bandido, ser assassino, ser o dono do morro que não tem pena de inimigö. O

