Capítulo 12 GABRIELA NARRANDO O som seco dos tiros começou como um estalo distante, mas logo se transformou em uma sinfonia de terror que eu conhecia bem demais. O morro tem um barulho próprio quando a guerra estoura: os rojões avisando a subida, o chiado dos rádios e aquele "pá-pá-pá" ritmado que faz o estômago dar voltas. Eu estava na sala, paralisada com a xícara de café ainda morna na mão, quando o celular vibrou desesperadamente. Era a tia Marta. — Gabriela! Tu tá me ouvindo? Entra no cofre agora! — A voz dela estava abafada, provavelmente ela estava escondida em algum canto seguro da casa dela. — Esse confronto tá vindo com tudo, o bicho tá pegando na divisa. Não sai daí por nada, ouviu? Assim que o tiroteio estiar e eu conseguir passar pelos becos, eu vou aí ficar contigo. Me p

