A alvorada chegou sem o cântico dos pássaros. O vento soprava gelado, trazendo consigo o aroma metálico das tempestades que se formavam ao norte. No castelo de Eryndor, os sinos não tocaram. Nenhum servo ousou cantar. Aquele era um dia em que até o tempo parecia prender a respiração. Lucian observava o horizonte da sacada de sua torre. Sob o brilho pálido do amanhecer, as montanhas de Eldarion pareciam respirar — como se uma força viva se movesse por baixo da pedra e do gelo. Ele podia sentir o chamado. O mesmo chamado que agora pulsava também dentro de Isla. Ela se aproximou em silêncio, envolta em um manto azul-escuro que fazia contraste com o cabelo dourado solto. Seus olhos traziam aquele brilho prateado que desde o eclipse nunca mais desaparecera — um reflexo direto do poder lu

