Alice
Eu me defendi da forma que consegui naquele momento e corri para o cofre, tendo certeza de que não estava sendo seguida. Depois, me encolhi ali dentro, porque não tinha nenhuma arma no cofre. Meu pai sempre achou que era impossível alguém encontrar aquele lugar, só que alguns médicos sabiam onde ele ficava. Eu estava com medo disso, e o meu medo se realizou.
O cofre foi aberto.
Eu pensei que fosse algum médico tentando se esconder, mas quando vi aquele homem, comecei a me tremer todinha. Tentei tacar algumas coisas na direção dele, mas ele desviou. Ele tirou a arma da cintura, destravou e apontou direto para mim.
Aranha: pensou que ia se esconder de mim, sua c.a.c.h.o.r.r.a? Mas eu te encontrei.
Ele se aproximou, segurou meu braço e começou a me arrastar para fora. Eu tentei bater nele, mas ele apertou meu braço com força.
Alice: tá doendo, me solta, m.e.r.d.a!
Aranha: se você soubesse o que eu quero fazer com você, eu acho que ficaria caladinha. Se você não fosse uma mulher tão bonita, agora você já estaria morta. Mas, pra sua sorte, o chefe vai adorar receber a sua visita no presídio.
Alice: o… o… o quê?
Aranha: isso mesmo que você ouviu. Você vai fazer uma visitinha pro Brutus dentro do presídio. Mas até o dia dessa visita chegar, você vai ficar presa, que nem a c.a.c.h.o.r.r.a que você é. E toda c.a.c.h.o.r.r.a agressiva tem que ficar presa na coleira, né?
Alice: eu não vou ficar presa em lugar nenhum. Me solta, p.o.r.r.a!
Eu tentei bater nele de novo, mas ele me deu um tapa na cara que me fez cair no chão. Depois, me levantou pelo braço e começou a me arrastar. Ele gritou para os vapores, me jogou em cima deles e falou:
Aranha: vocês falaram que lá na boca tem uma jaula, né? Vocês vão deixar ela presa lá, sem comida. Dá só um pouquinho de água, porque a gente não quer que a doutora morra de sede. E eu não quero que ninguém encoste nela, porque ela é do chefe.
Alice: seu m.e.r.d.a, seu desgraçado. Quando meu pai tomar esse morro de volta, eu mesma vou arrancar a sua cabeça, tá ouvindo? Eu vou acabar com a sua vida!
Ele deu um sorrisinho de lado, como se nada abalasse ele. Depois se aproximou de mim, segurou minha bochecha com força e falou:
Aranha: eu ia adorar te c.o.m.e.r com força e depois enfiar uma bala nessa sua cabeça. É uma pena que eu não possa fazer isso agora, porque o chefe quer a sua visitinha. Mas ele vai fazer bem pior do que eu. Ele vai te torturar e não vai te matar. E você vai ter que ficar voltando lá pra dar pro homem que vai acabar com a sua vida. Agora vocês podem levar ela, porque eu tô cheio de bagulho pra fazer e não tenho tempo pra ficar discutindo com essa v.a.g.a.b.u.n.d.a.
Ele me soltou, e eu comecei a me debater enquanto os vapores me arrastavam, mas não adiantou. Eles me puxaram morro acima e me jogaram dentro da prisão que tinha na salinha de tortura. Eu comecei a gritar, mas todos me ignoraram. Era como se eu não fosse nada. Ontem eu era a filha do dono do morro. Agora eu sou uma prisioneira.
O tempo passou devagar. Eu não estava mais com meu celular, porque eles pegaram quando viram que eu estava com ele. Me revistaram. Uma mulher fez isso comigo. Ela era nojenta, igual a todos os homens que estavam ali. Falou que eu era uma bonequinha e que não ia sobreviver ao chefe. Depois ficou rindo da minha cara.
A minha vontade era dar um soco na cara dela, mas se eu fizesse isso, iam me torturar. Então eu tive que guardar as minhas forças.
— E aí, gostosinha? O chefe me mandou trazer água pra você. É uma pena que eu não possa te dar p.a.u nem outras coisas que você merece agora. Você é muito bonita, sabia? Imagino que seu namorado vai ficar chateado quando o Brutus te pegar.
Alice: vai pro inferno e leva seu chefe junto. Eu não vou ficar aqui muito tempo. A minha família vai vir me buscar. E aí vocês vão entender que não deveriam ter mexido comigo. Aquele desgraçado não vai tocar em mim.
— Eu gosto quando você fica assim, igual filme do Peter Pan, acreditando em fadas e em coisas que nunca vão acontecer. A sua família nunca vai conseguir tomar o Vidigal de volta. O bagulho aqui tá pesado. Mas sonhar é de graça, boneca. Então aproveita os seus sonhos, pelo menos por enquanto. Porque depois que você conhecer o chefe, tudo isso vai virar um grande p.e.s.a.d.e.l.o.
Ele saiu, deixou a água ali e me trancou de novo. Eu fiquei olhando para o copo, com medo de ter alguma coisa ali dentro. Eu não conheço essas pessoas. E, apesar de estar com muita sede, eu não podia arriscar que eles fizessem alguma coisa comigo.