Aranha
V.a.d.i.a de m.e.r.d.a. Conseguiu me derrubar e sair correndo. Meus homens ficaram me olhando até que eu gritei pra eles correrem atrás dela. Se essa desgraçada acha que vai conseguir fugir, ela está muito enganada. A ordem do Brutus foi bem clara quando ele disse que todas as pessoas da família do Tóxico que ficassem no morro tinham que morrer, e com essa p.i.r.a.n.h.a não vai ser diferente.
Aranha: rapaziada, eu vou procurar essa p.i.r.a.n.h.a que me agrediu junto com os outros. Quero vocês na atividade, tá ligado? Qualquer sinal de bagulho doido, eu quero ser avisado pelo rádio. Não quero ser pego desprevenido.
— Suave, chefe.
Comecei a andar pelo hospital que nem um maluco, tá ligado, procurando de um lado pro outro. Foi aí que eu me liguei que ela sabia pra onde tava indo. Ela não saiu correndo igual uma maluca. Como ela conhece o morro muito bem, não ia tentar sair pra fora sabendo que tinham vários homens da minha facção doidos pra matar ela. Então ela ainda tava ali dentro, mas tinha onde se esconder.
Ao invés de subir direto, eu voltei pro salão, dei dois tiros pro alto e gritei:
Aranha: como vocês viram, eu não tô pra brincadeira. Então eu quero saber onde aquela p.i.r.a.n.h.a se escondeu. Eu sei que tem um cofre aqui dentro. Ela não saiu correndo do nada. Então vocês vão me passar a visão de onde é esse cofre, se não vou começar a matar um por um.
Geral começou a gritar e a tentar correr, mas meus vapores cercaram todo mundo. Eu peguei a médica que tinha falado comigo antes e coloquei a arma na cabeça dela.
Médica: eu não sei de cofre nenhum, pelo amor de Deus. Eu não sei do que você tá falando.
Quando ela terminou de falar, eu dei um tiro na cabeça dela. Todo mundo começou a chorar e a gritar pedindo socorro, mas não ia adiantar nada. Vão pedir socorro até pro Papa e ele não vai vir aqui socorrer ninguém, eles estão ligados.
Segurei um médico pela camisa e comecei a bater nele. Depois segurei ele pelo pescoço com força e falei:
Aranha: eu acho que tu não é surdo, né? Então só vou perguntar uma vez: onde é?
Médico: pelo amor de Deus… ela é uma menina boa. Ela não tem nada a ver com a família dela. Ela não é envolvida com o tráfico.
Aranha: e tu vai ser mais uma c.i.d.a.d.e dos pés juntos se não falar onde ela tá.
Médico: lá em cima, no segundo andar. Tem uma porta falsa, toda vermelha, na sala 2. Se você abrir atrás dela, tem um cofre. A senha é 546. Todos os médicos têm acesso.
Quando ele terminou de falar, eu dei um tiro na cabeça dele, tá ligado, porque eu não gosto de x.9. Ele devia ter morrido igual a médica. Mulher, às vezes, é mais corajosa mesmo.
Comecei a subir a escada até a sala que ele falou. Foi aí que meu celular começou a tocar. Quando vi o nome do Brutus na tela, passei a mão no rosto. Eu sabia que ele ia bater neurose comigo, mas pelo menos eu tinha conseguido tomar o morro. Ele pode discutir meus métodos, mas não pode falar que eles não são eficazes. Eu sempre consigo o que ele me pede.
Atendi rápido, porque quando eu demoro pra atender ele já vem em surto pra cima de mim.
Ligação.
Aranha: fala.
Brutus: eu acho que tu já devia ter me ligado pra falar que conseguiu tomar o Vidigal, né? Fiquei sabendo pelo pessoal daqui de dentro da cadeia, que passou a visão pra um vapor. Qual foi? Tá esquecendo que eu sou o dono da facção? Tá de marola com a cara de v.a.g.a.b.u.n.d.o ou tá achando que a vida é um morango?
Aranha: foi m*l, chefe. É que quando eu cheguei no postinho, a filha do Tóxico tava aqui. Mas a desgraçada conseguiu me bater e sair correndo. Agora eu descobri onde ela tá e tô atrás dela. Deixa eu te falar… a mina é bonitona.
Brutus: bonitona como? Porque eu vou te dar um papo reto, eu gostei d.u.v.i.d.o.s.o.
Aranha: parece a mãe dela, tá ligado? Bonitona. Mais bonita pessoalmente do que nas fotos. Morena, mó cabelão, chamou atenção de todo mundo. Mas tu mandou matar, eu vou matar. Tu sabe como é, eu sigo ordens.
Brutus: será que vale a pena matar? Não é melhor a gente torturar? Tu tá ligado que dá pra fazer uma tortura psicológica maneira com o Tóxico, né? Pra ele se entregar e a gente executar ele de uma vez. Ele e o filho dele. Eu não quero competição no Rio de Janeiro, já te passei essa visão.
Aranha: e se a gente mandar ela ir aí te visitar? Imagina o Tóxico ficando sabendo que a filha dele tá fazendo uma visita íntima pra tu.
Ele ficou mudo por alguns segundos, analisando a minha proposta. Depois deu um sorrisinho malicioso e disse:
Brutus: acho que não vai ser má ideia. Pode mandar essa c.a.c.h.o.r.r.a pra cá. Eu vou colocar ela na coleira direitinho e ela vai aprender a não bater em sujeito homem.
Aranha: suave. Eu vou tirar ela do cofre e depois mando um videozinho dela pra tu conferir. Tô falando que a mina é bonita, tu vai gostar.
Brutus: mermo se eu não gostar, só de ver o pai dela sofrer já vai valer a pena, tá ligado? Mas mesmo assim eu vou esperar teu vídeo. E não quero que mais ninguém toque nela. Eu quero que ela seja tocada por mim, pra eu gravar um videozinho pro pai dela entender com quem ele tá lidando. Vai me passando a visão de tudo que tá acontecendo aí. Não quero ficar sabendo de nada por vapor.
Aranha: suave. Como eu disse, eu errei porque ela me bateu, mas eu tô indo lá pegar essa v.i.r.a-l.a.t.a.
Coloquei o celular no bolso e fui andando na direção da sala. A gente levou um segurança pra mostrar onde era, tá ligado. Depois ele me mostrou como abrir a parede falsa. Quando eu digitei o número, ela tava lá dentro, toda encolhida. Quando me viu, pulou pra trás.
E eu dei um sorrisinho.