2 meses depois da reunião na Itália.
Marquês...
Quando o piloto do avião fala, que vamos nos preparar para pousar... Meu coração acelera forte...
Em pouco tempo, começou a aparecer a paisagem do Rio de Janeiro, lá embaixo... Por mais que eu nunca tenha esquecido esse lugar... O Rio é o lugar mais lindo do mundo.
Quando pousamos e os passageiros começaram a sair do avião e todo aquele burburinho típico do brasileiro, começou a me envolver e foi aí que eu realmente comecei a ter certeza que estava de volta... Em casa.
Peguei minhas bagagens e quando me dirigi à saída, ela estava lá me aguardando… A minha linda afilhada, Anita.
— Padrinho...
— Filha, que saudades...
Antes mesmo de terminar, ela se joga em meus braços, me dando um abraço carinhoso.
— Sua benção… — Eu a abençoei.
— Até que enfim o dia tão esperado chegou, estou muito feliz pela sua liberdade.
— Eu sei, minha querida. — Nos abraçamos com carinho e ela diz:
— Nossa, quanto tempo que não lhe vejo, estava com saudades.
— É verdade, você fica assumindo uma missão atrás da outra e não tira folga, menina... Não pode ser assim.
— Culpa sua, padrinho, que me treinou tão bem, que eu estou sendo cada vez mais requisitada.
— Está deixando o Enzo lhe explorar, isso sim.
— Deixe de reclamar e vamos pra casa que arrumei para o senhor.
— Vamos sim, estou cansado, acho que estou ficando velho. — Falo rindo e ela gargalha.
— Nada que um banho, não lhe renove.
Entramos no carro e fui o caminho todo olhando a vista do Rio de Janeiro... Ainda não acredito que estou aqui... Tanto que sonhei com esse dia. Seguimos para o apartamento, num condomínio discreto e de luxo.
— Aqui será seu refúgio Padrinho, eu mesmo providenciei a segurança e tem dois soldados extremamente treinados para ficar com o senhor, enquanto monta sua equipe.
— Não se preocupe com isso filha... Em breve montarei eu mesmo minha equipe e terei eu mesmo o que preciso para começar a minha missão.
— Eu sei disso. Mas o senhor precisa estar seguro.
— Eu queria mesmo era estar no morro... No meu morro.
— Não é seguro. Podem lhe reconhecer e acho que ainda não é o que o senhor quer.
— Ainda não é o momento. Seria muito r**m se Julia ou Mariana soubessem que eu estou vivo, por outras pessoas.
— Seria péssimo. Já não vai ser fácil e saber da maneira errada, pode complicar muito.
Entramos e ela me mostrou o apartamento, que era mediano, mas muito confortável, com uma vista linda da minha cidade... Mas eu queria era estar no meu morro... Ali sim, tem o lugar mais lindo do mundo.
— Também providenciei pessoas de confiança para cuidar da casa e ter tudo como o senhor gosta e merece.
— Está perfeito.
— A sua geladeira está cheia e eu contratei uma senhora, que vai cozinhar e organizar a casa... O senhor que jantar o que? Fiz questão de dizer a ela, uma lista com tudo que o senhor gosta.
— A competência está no seu sangue menina... Mas relaxe, está tudo perfeito. Agora, o que eu quero é tomar um banho e depois dar uma volta.
— Eu sei, o que o senhor quer... Tem certeza, que vale a pena correr esse risco.
Eu rir pra ela...
— Eu ainda tenho meus contatos minha doce Anita... Tenho como entrar lá como uma fumaça. Não se preocupe, tenho meu disfarce.
— Se tem uma pessoa que eu não posso segurar, essa pessoa é o senhor.
— Ninguém pode, minha cara.
— Então vá tomar o seu banho... que eu vou com o senhor e não aceito o não como resposta.
— Teimosa como sempre.
Dei um beijo em sua testa e segui para o meu banho... 30 minutos depois, estávamos indo em direção ao Morro do Marquês... Meu lugar.
Quando chegamos lá, entramos por um atalho e o meu contato estava me aguardando...
Antes que eu abrisse a porta do carro, ela coloca a mão no meu braço e diz...
— Padrinho tem certeza disso?
— Preciso entrar aqui, para realmente sentir que voltei Anita.
Ela fica calada, apenas me olhando e totalmente vestido com meu disfarce, eu abro a porta do carro e meu parceiro me recebe com um abraço...
— Me espere na entrada do alto do morro Anita, eu vou de moto, preciso apenas olhar...
— Não tire o capacete padrinho... Não se exponha demais... Lembre-se que sua missão é mais importante.
Sorrir pra ela e subi na moto... Cada rua e beco que eu passava, ficava apenas sentindo o cheiro, o barulho daquele lugar... A sensação era que eu não conhecia ninguém mais... Como a moto passava rápido, não dava pra ver e analisar as mudanças do lugar.
Quando cheguei em frente da minha casa, foi como se tivesse passando um filme na minha cabeça... Parece que a Mariana estava entrando ali...
Lembro quando comprei essa casa e mandei reformar para nos mudamos pra cá... Ela estava grávida da Júlia e o André veio morar comigo... As lembranças tomaram totalmente conta de mim, naquele momento, até que meu parceiro me chama...
— Chefe, não podemos ficar muito tempo aqui. Temos que ir, o novo chefe daqui tem olho em todo lugar e pode desconfiar.
Respirei fundo e tive que concordar com ele... O tal do Guga, que o Dom colocou ali, era casca grossa e tava botando moral.
Subi na moto e seguimos para o alto do morro... Quando cheguei lá a Anita, já me aguardava.
— Temos quer ir padrinho.
— É rápido...
Fui até o topo do morro, e fui logo em direção a pedra grande que tem lá, comecei a tentar afasta-la e tive um pouco de dificuldade e Anita se aproximou...
— O que o senhor está tentando fazer? Empurrar a pedra? É impossível.
Eu pisquei meu olho pra ela e apenas disse...
— Tá faltando força Anita, pra você?
— Força pra empurrar essa pedra que deve ter 200 anos...
— Deve ser mesmo...
Passei a mão pra sentir a minha pedra e dessa vez, empurrei no lugar certo... Ela se moveu e abriu o buraco que eu queria... Ela se assustou...
— O que é isso?
— Meu segredinho e do seu pai... Só nós dois sabíamos disso aqui...
— O que tem aqui?
— Coisas pessoais de nós dois...
Pego um saco plástico, de cor laranja e uma caixa de joia, que estava bem embalado também... As outras coisas, deixou ali mesmo e fecho a pedra, agora com mais facilidade.
— Meu Deus padrinho, qualquer pessoa pode abrir essa pedra... Até uma criança... Vocês são doidos?
— Tem toda razão... Abra você agora...
— O que?
— Veja se consegue abrir?
— Claro que consigo...
— Se abrir eu pago a cerveja, quando saímos daqui...
Ela balança a cabeça sorrindo e vem com força, empurrar a pedra e claro que não consegue...
— Vou fazer de novo...
— Faça quantas vezes você quiser...
Ela tentou com a força, depois tentou com jeito e quando ia tentar de novo, eu a puxei...
— Vamos embora, está ficando perigoso.
— Deixa eu tentar mais uma vez.
— Você pode tentar milhões de vezes, mas não vai conseguir... Só eu e seu pai podíamos abrir.
— Como assim?
— Segredinho nosso...
— Se o senhor tivesse morrido?
— Alguém ia receber um vídeo, comigo explicando como abrir a pedra... Mas, como não morri, vai ficar comigo.
— O que meu pai deixou ai...
— Na hora certa, você saberá...
Ela levanta com aquela cara curiosa dela...
— Porque o senhor deixou, eu tentar?
— Saudade de ver seu jeito desafiador e teimoso.
— Não tem graça...
— Pra mim tem muita graça sim.
Eu abro a caixa de jóia e chego a me emocionar, porque as lembranças parecem que estão saindo de dentro dela... Tiro de lá, um anel de pedra preta, que foi do meu avô... E um colar, que foi uma joia que ganhei do meu pai...
Escrito: MARQUÊS – O GRANDE MARQUÊS
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