03 - Marquês - O Grande Marquês

1368 Words
2 meses depois da reunião na Itália. Marquês... Quando o piloto do avião fala, que vamos nos preparar para pousar... Meu coração acelera forte... Em pouco tempo, começou a aparecer a paisagem do Rio de Janeiro, lá embaixo... Por mais que eu nunca tenha esquecido esse lugar... O Rio é o lugar mais lindo do mundo. Quando pousamos e os passageiros começaram a sair do avião e todo aquele burburinho típico do brasileiro, começou a me envolver e foi aí que eu realmente comecei a ter certeza que estava de volta... Em casa. Peguei minhas bagagens e quando me dirigi à saída, ela estava lá me aguardando… A minha linda afilhada, Anita. — Padrinho... — Filha, que saudades... Antes mesmo de terminar, ela se joga em meus braços, me dando um abraço carinhoso. — Sua benção… — Eu a abençoei. — Até que enfim o dia tão esperado chegou, estou muito feliz pela sua liberdade. — Eu sei, minha querida. — Nos abraçamos com carinho e ela diz: — Nossa, quanto tempo que não lhe vejo, estava com saudades. — É verdade, você fica assumindo uma missão atrás da outra e não tira folga, menina... Não pode ser assim. — Culpa sua, padrinho, que me treinou tão bem, que eu estou sendo cada vez mais requisitada. — Está deixando o Enzo lhe explorar, isso sim. — Deixe de reclamar e vamos pra casa que arrumei para o senhor. — Vamos sim, estou cansado, acho que estou ficando velho. — Falo rindo e ela gargalha. — Nada que um banho, não lhe renove. Entramos no carro e fui o caminho todo olhando a vista do Rio de Janeiro... Ainda não acredito que estou aqui... Tanto que sonhei com esse dia. Seguimos para o apartamento, num condomínio discreto e de luxo. — Aqui será seu refúgio Padrinho, eu mesmo providenciei a segurança e tem dois soldados extremamente treinados para ficar com o senhor, enquanto monta sua equipe. — Não se preocupe com isso filha... Em breve montarei eu mesmo minha equipe e terei eu mesmo o que preciso para começar a minha missão. — Eu sei disso. Mas o senhor precisa estar seguro. — Eu queria mesmo era estar no morro... No meu morro. — Não é seguro. Podem lhe reconhecer e acho que ainda não é o que o senhor quer. — Ainda não é o momento. Seria muito r**m se Julia ou Mariana soubessem que eu estou vivo, por outras pessoas. — Seria péssimo. Já não vai ser fácil e saber da maneira errada, pode complicar muito. Entramos e ela me mostrou o apartamento, que era mediano, mas muito confortável, com uma vista linda da minha cidade... Mas eu queria era estar no meu morro... Ali sim, tem o lugar mais lindo do mundo. — Também providenciei pessoas de confiança para cuidar da casa e ter tudo como o senhor gosta e merece. — Está perfeito. — A sua geladeira está cheia e eu contratei uma senhora, que vai cozinhar e organizar a casa... O senhor que jantar o que? Fiz questão de dizer a ela, uma lista com tudo que o senhor gosta. — A competência está no seu sangue menina... Mas relaxe, está tudo perfeito. Agora, o que eu quero é tomar um banho e depois dar uma volta. — Eu sei, o que o senhor quer... Tem certeza, que vale a pena correr esse risco. Eu rir pra ela... — Eu ainda tenho meus contatos minha doce Anita... Tenho como entrar lá como uma fumaça. Não se preocupe, tenho meu disfarce. — Se tem uma pessoa que eu não posso segurar, essa pessoa é o senhor. — Ninguém pode, minha cara. — Então vá tomar o seu banho... que eu vou com o senhor e não aceito o não como resposta. — Teimosa como sempre. Dei um beijo em sua testa e segui para o meu banho... 30 minutos depois, estávamos indo em direção ao Morro do Marquês... Meu lugar. Quando chegamos lá, entramos por um atalho e o meu contato estava me aguardando... Antes que eu abrisse a porta do carro, ela coloca a mão no meu braço e diz... — Padrinho tem certeza disso? — Preciso entrar aqui, para realmente sentir que voltei Anita. Ela fica calada, apenas me olhando e totalmente vestido com meu disfarce, eu abro a porta do carro e meu parceiro me recebe com um abraço... — Me espere na entrada do alto do morro Anita, eu vou de moto, preciso apenas olhar... — Não tire o capacete padrinho... Não se exponha demais... Lembre-se que sua missão é mais importante. Sorrir pra ela e subi na moto... Cada rua e beco que eu passava, ficava apenas sentindo o cheiro, o barulho daquele lugar... A sensação era que eu não conhecia ninguém mais... Como a moto passava rápido, não dava pra ver e analisar as mudanças do lugar. Quando cheguei em frente da minha casa, foi como se tivesse passando um filme na minha cabeça... Parece que a Mariana estava entrando ali... Lembro quando comprei essa casa e mandei reformar para nos mudamos pra cá... Ela estava grávida da Júlia e o André veio morar comigo... As lembranças tomaram totalmente conta de mim, naquele momento, até que meu parceiro me chama... — Chefe, não podemos ficar muito tempo aqui. Temos que ir, o novo chefe daqui tem olho em todo lugar e pode desconfiar. Respirei fundo e tive que concordar com ele... O tal do Guga, que o Dom colocou ali, era casca grossa e tava botando moral. Subi na moto e seguimos para o alto do morro... Quando cheguei lá a Anita, já me aguardava. — Temos quer ir padrinho. — É rápido... Fui até o topo do morro, e fui logo em direção a pedra grande que tem lá, comecei a tentar afasta-la e tive um pouco de dificuldade e Anita se aproximou... — O que o senhor está tentando fazer? Empurrar a pedra? É impossível. Eu pisquei meu olho pra ela e apenas disse... — Tá faltando força Anita, pra você? — Força pra empurrar essa pedra que deve ter 200 anos... — Deve ser mesmo... Passei a mão pra sentir a minha pedra e dessa vez, empurrei no lugar certo... Ela se moveu e abriu o buraco que eu queria... Ela se assustou... — O que é isso? — Meu segredinho e do seu pai... Só nós dois sabíamos disso aqui... — O que tem aqui? — Coisas pessoais de nós dois... Pego um saco plástico, de cor laranja e uma caixa de joia, que estava bem embalado também... As outras coisas, deixou ali mesmo e fecho a pedra, agora com mais facilidade. — Meu Deus padrinho, qualquer pessoa pode abrir essa pedra... Até uma criança... Vocês são doidos? — Tem toda razão... Abra você agora... — O que? — Veja se consegue abrir? — Claro que consigo... — Se abrir eu pago a cerveja, quando saímos daqui... Ela balança a cabeça sorrindo e vem com força, empurrar a pedra e claro que não consegue... — Vou fazer de novo... — Faça quantas vezes você quiser... Ela tentou com a força, depois tentou com jeito e quando ia tentar de novo, eu a puxei... — Vamos embora, está ficando perigoso. — Deixa eu tentar mais uma vez. — Você pode tentar milhões de vezes, mas não vai conseguir... Só eu e seu pai podíamos abrir. — Como assim? — Segredinho nosso... — Se o senhor tivesse morrido? — Alguém ia receber um vídeo, comigo explicando como abrir a pedra... Mas, como não morri, vai ficar comigo. — O que meu pai deixou ai... — Na hora certa, você saberá... Ela levanta com aquela cara curiosa dela... — Porque o senhor deixou, eu tentar? — Saudade de ver seu jeito desafiador e teimoso. — Não tem graça... — Pra mim tem muita graça sim. Eu abro a caixa de jóia e chego a me emocionar, porque as lembranças parecem que estão saindo de dentro dela... Tiro de lá, um anel de pedra preta, que foi do meu avô... E um colar, que foi uma joia que ganhei do meu pai... Escrito: MARQUÊS – O GRANDE MARQUÊS ***
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