Capítulo 4

1363 Words
Kate Estou tão irritada e confusa que por um instante nem reparo na completa destruição na minha casa, depois de arrancar a porta da posição encaixada que Chris deixou. A ideia de ir para o apartamento dele... Eu não sei como me sentir sobre isso. Não sei se gosto ou se tenho medo, e depois da última vez que fui para o apartamento de um cara... Não dá pra decidir assim tão rápido. Quero dizer, Christopher obviamente é uma boa pessoa, e esta se oferecendo para me ajudar. Mais que isso, esta se oferecendo para cuidar de mim. Mas ainda assim não sei o que pensar. Então vou para o quarto e procuro por um pedaço largo de madeira que tenho guardado, um objetivo claro em mente. Christopher Deixo Kate sair na frente, pisando duro, e com um suspiro desço do carro e sigo atrás, mais devagar. Para uma garota de seu tamanho, ela tem um bocado de força, conseguindo abrir a porta que encaixei mais cedo no lugar. Estamos de volta a sua casa, e estou lutando para convencê-la a ir comigo para meu apartamento. — Não há a mínima necessidade de eu ir pra sua casa. Não. Obrigado pela oferta, não. — Ouço sua voz vir de algum cômodo mais ao fundo, enquanto mais uma vez olho a sala destruída. — É claro que não! Quem é que iria querer sair de um ambiente tão organizado e acolhedor, não é mesmo? — Murmuro. — Estou ouvindo você! — Kate exclama, e então aparece de volta na sala. Carrega um pedaço de p*u, e engulo em seco. — Você não precisa recorrer à violência. — Falo de forma apaziguadora, erguendo as mãos. E apesar de toda a situação, isso a faz rir um bocado. Talvez seja por causa de toda a tensão pela qual passou nas últimas horas, mas Katherine se recosta na parede, se dobrando de tanto rir. — Não vou bater em você, seu bobo. — Fala entre gargalhadas, e com uma careta abaixo as mãos. — Mas obrigado, ver o medo em seu rosto fez muito bem ao meu ego. — Acrescenta, rindo ainda mais. Cruzo os braços e espero que se acalme um pouco, e então observo em silêncio quando ela vai até a porta e a fecha, encaixando o pedaço de madeira de forma a impedir a porta de ser aberta… com muita facilidade. Reviro os olhos para a expressão convencida dela. — Uma criança consegue derrubar isso com um empurrão por fora. — Digo com paciência. Kate fecha a cara. Continuo falando. — Sério, é perigoso para você ficar aqui. Ele pode acabar voltando. Ela me encara de forma teimosa, cruzando os braços. — Então vou para um hotel. — Insiste. Ai. A rejeição doeu. — Olha, eu entendo que você não queira ir para o apartamento de outro cara por um bom tempo… — começo, mas na mesma hora vejo-a balançar a cabeca com vigor. — Não é isso. Eu sei que você … eu… — Ela gagueja, seu rosto ficando rosado. — Sei que você não faria nada. — Ela conclui, sem graça. — Eu não iria. Lhe dou minha palavra. — Falo seriamente, colocando a mão no coração. O gesto foi dramático, e minha intenção era fazê-la rir, mas Kate pareceu relaxar um pouco. Ela abaixa a cabeça, olhando para os pés como uma menininha, e na mesma hora aquela vontade de abraçar e proteger me atinge de novo. — Eu só não quero dar trabalho. — Sua voz sai baixa. — Eu acabei de ter meu espaço invadido, e sei que isso não é algo bom. Ergo as duas sobrancelhas para ela, balancando a cabeça com incredulidade. — É totalmente diferente. Você seria uma convidada, não uma invasora. E francamente, desculpe falar, mas você já teve um prejuízo e tanto aqui, não precisa gastar ainda mais num hotel. — Digo com gentileza. Katherine esfrega o rosto, parecendo cansada, e concorda com a cabeça. — Nem me fale. Essa casa, essas coisas… Eu usei tudo que consegui economizar a vida toda, e mais uma ajuda dos meus avós, para deixar tudo como eu queria… — Seus olhos ficam umidos, mas antes que comece a chorar mais uma vez, esfrega o rosto com raiva. — Merda! Sorrio de leve com o xingamento, porque ela não parece nada ameaçadora ao pronunciá-lo. — Vamos lá, Kate. Deixe eu te ajudar. — Peço, e ela por fim concorda com a cabeça. — Vou juntar as roupas que não foram destruídas, já volto. — É sua última resposta antes de virar e voltar para o quarto. Fico observando enquanto os olhos de Katherine percorrem cada centímetro da minha sala. Prendo um pouco a respiração, me dando conta do quanto quero que ela goste dali. Eu acho, só acho, que estou tão encrencado! Coloco suas malas no chão, fechando a porta atrás de mim, enquanto ela dá alguns passos e para perto do sofá. Seu rosto esta sério, parecendo pensativo, e não consigo adivinhar o que ela esta pensando. Mas por fim Kate fala: — Seu apartamento é muito bonito. — E sorri. Suspiro, aliviado, e sorrio de volta. Coço a nuca e encolho os ombros. — Eu tentei deixá-lo o máximo possivel de acordo com meu gosto. É bom estar cercado de coisas que fui eu a escolher. — Comento, mas então a observo com um pouco de preocupação, pois não sei que efeito minhas palavras podem ter depois de ela ter perdido seu próprio lugar. Mas Kate tomba a cabeça de lado, refletindo sobre o que acabei de falar, e por fim concorda com um gesto lento, como se tivesse entendido muito mais do que eu pretendia dizer. Observadora. Faço uma anotação mental para esse novo detalhe dela, e então me aproximo também. — Os quartos ficam nesse corredor. — Indico com a mão. — O seu é o último à esquerda. O meu é o primeiro à direita. — Ela ergue uma sobrancelha ao perceber que coloquei o máximo de distancia entre nós, e mais uma vez encolho os ombros. — Achei que isso a deixaria mais confortável. — Explico. Indico outra porta, então. — Ali é a cozinha, sala de jantar e despensa. Mas eu uso muito a mesa para trabalhar, já que geralmente peço a comida pronta. Isso era um eufemismo. Não sei cozinhar. Nada. Só acerto fazer café porque é na cafeteira, senão provavelmente sairia horrível também. — Espere aí… Comida pronta? — Katherine franze a testa, colocando a mão na cintura. — Sim, aqui perto há praticamente todo tipo de restaurante, todos ótimos. Eu tenho o folheto com cardápio de cada um deles, tenho certeza que você… — Sorrio, indo até uma pequena mesinha perto do sofá enquanto falo, onde o telefone fixo fica, junto com os tais folhetos. Pego-os e estendo para ela, que apenas os olha sem tocar, como se fosse algo horrível. — Ceeeerto. Achei uma forma de retribuir a estadia. Vamos fazer compras, e enquanto estiver aqui, eu cozinho. — Kate me dá um sorriso brilhante, como se aquilo já estivesse decidido. — Ah, não precisa. Sério, não precisa retribuir nada, nem se dar ao trabalho. Eu garanto que a comida é boa. — Começo a protestar, mas com uma mão erguida ela me para. — De verdade, Chris. Vou ficar maluca se ficar aqui não sei por quanto tempo, vivendo de comida pronta. — É a primeira vez que ela me chama pelo meu apelido, e isso me deixa tão chocado que esqueço de retrucar. — Além do mais, eu adoro cozinhar, não vai ser nenhum incômodo, ao contrário. Cozinhar me ajuda a relaxar mais que quase qualquer coisa. Ela cora. Eu engulo em seco. Nos encaramos e então desviamos os olhos. Eu sei qual a outra coisa deve deixá-la relaxada. E ela sabe que eu sei. — Ahn, certo. Você quer guardar suas coisas antes de irmos ao supermercado? Ou…? — Digo, para impedir que o clima fique ainda mais estranho. — Vou por as malas lá dentro, e então podemos ir. — Sua resposta vem murmurada, e seu rosto ainda esta corado enquanto leva as coisas para seu quarto. Sento no sofá e esfrego o rosto com as mãos. Eu sabia onde aquilo estava indo. Não era mais um garotinho inexperiente, e conseguia saber exatamente o que acabaria acontecendo. A questão era: como eu ficaria depois? Será que significaria pra Kate o mesmo que estava me dando conta que significava pra mim?
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