Capítulo 14

2139 Words
-Sofia...? -Virei minha cabeça para o lado. -Oi. Obrigada por fazer parte das pessoas que foram me salvar. -Beth, oi. -Sorri. -Na verdade eu nem ajudei muito. Uma das coisas que fiz foi só atrapalhar. Levei um tiro na perna e ainda por cima desmaiei quase toda hora. Beth começou a rir. -Mas mesmo assim, se você não tivesse levado o tiro, não conseguiriam entrar no hospital. -É verdade. Não tinha pensado por esse lado. -Nós nunca conversamos muito antes, não é? -Concordei. -Bom, vou me apresentar melhor: Oi, meu nome é Beth. Eu tenho dezoito anos. -Meu nome é Sofia, e tenho dezesseis anos. -Ela sorriu. -Por que exatamente te pegaram? Pelo o que eu fiquei sabendo, você só estava limpando o chão. -Ah, aquilo foi só um passa tempo, eu estava lá na verdade porque eles queriam fazer um experimento em mim. -Experimento? De que tipo? -Um antídoto contra o vírus que transforma as pessoas em zumbi. -E como você descobriu? -Escutei atrás da porta. -Ela deu de ombros. -Confesso que fiquei com muito medo. Mas quando vi o Carl lá, fiquei mais tranquila pois eu sabia que vocês iriam me tirar daquele lugar. -Eu também ficaria. -Sorri. ### Após alguns minutos infinitos, finalmente o caminhão parou de andar. E quando eu já estava prestes a descer, alguém pegou em meu ombro, me fazendo parar. -Conseguimos. A gente conseguiu. Pegamos minha irmã de volta. -Maggie me abraçou. -Sim. -Sorri e ela se afastou. -Agora venha, vamos porque eu estou com uma fome. Ela desceu e me deu a mão, me ajudando a descer também. -Ei, Carla. -Ela olhou para mim, que até então estava ao lado de Carl. -Como você está? -Melhor. Só com um pouco de medo. É a primeira vez que fico sozinha, sem conhecer absolutamente ninguém. Bom, tirando você e o Carl. -É normal, com o tempo você se acostuma. -Sofia, que bom que chegou. Você precisa me ajudar. -Olhei para a porta e vi o Tyreese parado. -O que houve? - Perguntei preocupada. -A Judith não para, chora a todo momento. Só para quando pega no sono. -Meu coração disparou. Tentei ir rápido até dentro da lojinha, o que não foi fácil. Chegando a vi ficando roxa de tanto chorar. -Ela ficou assim desde que vocês saíram. Me aproximei de Maggie que estava com ela no colo, tentando acalma-la. -Eu posso...? -Ela me entregou a Judith. -Judy, pra que chorar tanto assim? Se acalme, está tudo bem. A arrumei melhor e saí para fora da loja. A coloquei em pé já que parecia estar sem fôlego. -O que aconteceu? Estava com saudades? -Comecei a balança-la. -Ei anjnho, ela está bem? -Carl perguntou se aproximando de mim. -Está, ela só parece meio estressada. -Sorri fraco. -Acho que estava com saudades de você, veja, ela parou de chorar. -Olhei para baixo e vi que ela estava quietinha olhando para os lados com uma mãozinha na boca. -Que bom. -Sorri. -E como você está? -Ah, bem, eu acho. -Ele se encostou em um poste. -Foi ideia sua trazer a Carla? -Foi. Ela estava muito triste, e acho que tínhamos uma dívida com ela não é? Matamos a sua mãe. -É... Mas mas sei lá Carl, nem a conhecemos direito... bom... o que eu quero dizer é ela pode não ser quem demonstra ser. -Mas quando te conheci, também não tinha certeza de quem você era e mesmo assim te ajudei. -Eu sei. -Ele está mesmo jogando isso na minha cara? -Eu só não estou muito confiante nessa garota. Só isso. Não precisava falar desse jeito. -Não falei com a intenção de te ofender. -Desencostou do poste. -Só estou tentando entender o seu lado. -Não, esquece. Não vou mais falar sobre ela. -Me virei para sair. -Sofia, espera. -Senti ele tocando meu braço. -Por favor, eu não falei por m*l. -Tudo bem. -Tentei andar antes dele me impedir mais uma vez. -Sofia. Suspirei e me virei para ele. -Olha, eu já tinha planejado várias coisas para a gente fazer hoje. Não fica brava vai... -Tinha? -É. -Passou a língua sobre os lábios. -Vamos comigo? Eu definitivamente ainda estou brava com ele, mas sem dúvidas eu vou aceitar ver o que tinha planejado para nós. Concordei e ele sorriu. -Legal, é... então vamos? -Agora? -Sim, agora. -Sorriu mais uma vez. -Eu quero que a Judith vá também. -Tá, então eu vou lá dentro buscar uma mochila. Entreguei Judith para ele e peguei a mochila que eu já havia deixado organizado pra ela. Aproveitei também e peguei uma bolacha e duas garrafinhas de água. -Pretende ir aonde, mocinha? Se esqueceu que você levou um tiro e está em recuperação? Me virei para Maggie e coçei a cabeça. -Sabe o que que é, é que Carl me chamou para ir dar uma volta e como eu já estou bem, eu... -Sofia. -Me repreendeu. -Eu vou tomar cuidado, Maggie. Eu juro. -Forcei um sorriso. -E vocês querem ficar quantos dias fora? Uma semana? Porque até mochila você está levando. -Ah, é que na verdade nós vamos levar a Judith também. -Olha, tomem cuidado. Pelo amor de Deus. -Nós vamos. -Arrumei a mochila nas costas. -Vou estar de volta antes do anoitecer, tá? Comecei a caminhar e parei ao lado de Rick. -Rick, oi. Está ocupado? Eu preciso falar com você rapidinho. Ele parou de conversar com Michonne e focou sua atenção em mim. -Bom, Carl me chamou para dar uma volta, mas ele disse que queria levar a Judith também. Eu prometo que vou cuidar muito bem dela. Mas se o senhor não deixar não tem problema. Eu vou compreender e vou falar pro... -Tudo bem. -Me cortou. -Você pode levar ela sim. -Jura? -Sorri. -Obrigada. -Aqui. Fiquem atentos. -Retirou a a**a de sua cintura e me entregou. -Não voltem muito tarde. -Vocês estão precisando de algo? Qualquer coisa a gente pode tentar encontrar na volta. -Não, não. Obrigado. E cuidado. Concordei e saí. -Demorou. O que houve? -Recomendações de cuidado. Ele sorriu. -E aonde vamos? -Arrumei melhor a mochila nas costas. -Bom, sei que vai soar clichê, mas eu nunca levei alguém lá. Começamos a caminhar. -Então eu serei a primeira. -Uma mistura de euforia e nervosismo se formou dentro de mim. -E deixa eu adivinhar, não vou saber nada sobre esse local secreto até chegarmos lá, estou certa? -Está sim. -Me dê pelo menos uma dica. Daí eu prometo que não pergunto mais. -Árvore. -Só isso que tem a me dizer? Árvore? -Essa é a minha dica. -Sorriu. -Não é justo. Existe tanta possibilidade. -E é por isso que eu disse árvore. -Riu mais ainda. -Sabia que você não ia ter certeza do que é. -d***a. ### Após ter passado alguns minutos desde que começamos a caminhar, uma dor um pouco desconfortável surgiu em minha perna. -Será que nós podemos parar um pouco? -Está doendo? -Me olhou preocupado. -Sim. -Me sentei na calçada e respirei fundo. Retirei a mochila das costas. -Aparentemente está tudo bem. -Disse olhando para meu curativo. -Só deu umas pontadas. Já vai passar. Aproveitando que já paramos... -Abri minha mochila e peguei uma mamadeira que já estava pronta. Entreguei para ele, que em seguida colocou na boca da irmã. -E então, me fala um pouco sobre seu lugar especial. -Bom, eu vou lá desde os meus sete anos. Meu pai que construiu pra mim quando descobriu que minha mãe ia ter um menino. Só que com o decorrer dos anos fui modificando. Só espero que ainda nos caiba. -Sorriu. -E por que você nunca levou ninguém até lá? -Na verdade nem eu sei. Acho que porque nunca tive muita confiança em alguém ao ponto de mostrar algo tão especial. -Fico honrada em ser a primeira pessoa. -Sorri. -Estava esperando o momento certo para mostrar para alguém. -Uau. Assim você me deixa emocionada. -Isso acabou fazendo ele rir. -Só não repara muito, tenho certeza de que estará bem bagunçado. -Relaxa, não ligo pra isso. Mas por que a Judith também tem que ir? -Quero que ela veja, e quando ficar maiorzinha, levarei ela lá para brincar. Eu só quero que ela tenha uma infância normal e não presa em um lugar, sabe? -Também quero isso. -Esse lugar é seguro. Mas eu posso fazer uns ajustes. Eu só espero que ninguém tenha entrado lá. Sorri fraco. Olhei para Judith e vi que ela havia terminado de tomar tudo e acabou pegando no sono. -Podemos ir. -Me levantei, peguei ela do colo de Carl e ele pegou a mochila. Começamos a caminhar novamente. ### -Chegamos, é aqui. -Paramos em frente a uma casa. -Não estou vendo nenhuma árvore. -É lá nos fundos, venha. -Ele tirou sua faca e foi entrando. -Tem alguém aí? Estava tudo muito quieto. -Acho que não tem ninguém Carl. -Ele concordou e guardou a faca. -Que lugar é esse? -Minha casa. -Suspirou. Continuamos caminhando e ele abriu uma porta que pelo jeito dá para os fundos. O olhei incrédula o que fez ele rir. -Uma casa na árvore, é claro. Como não percebi antes? -Falei sorrindo. -Gostou? -Sim, adorei. -Vamos lá. -Ele foi na frente e eu logo atrás. -Consegue subir? -Sim, mas você vai ter que segurar a Judith pra mim. -Pode ser. -Entreguei-a e subi as escadas devagar. -Uau, é maravilhoso. Ele subiu e se sentou em um sofá que há aqui em cima. -Aqui dentro era totalmente diferente. Nos lugares dos sofás, tinham carrinhos e pista da Hot Wheels. Nos lugares dos armários, tinham alguns dinossauros e brinquedos dos personagens da Marvel. -Ele falou rindo. Sorri também e me sentei ao seu lado. -Poxa, a Judith não vai ver esse lugar secreto do irmão. -Ela tinha que dormir agora, não é? -Vamos deita-la, seu braço vai ficar doendo. -Me levantei e arrumei um lugar no sofá. -Coloca ela aqui. Ele se levantou e colocou-a. -Pronto, o que quer fazer primeiro? -Comer. Estou morrendo de fome. -Abri a mochila e peguei uma bolacha. Abri o pacote e dei uma pra ele. Nos sentamos novamente. -Você acha que pode existir uma cura para esse vírus? -Perguntou após algum tempo. Pensei um pouco. -Eu não sei... tenho tanto medo de não ter. Não quero que o mundo seja assim pra sempre. -Comi uma bolacha. -Já parou pra pensar em como que isso pode ter acontecido? -Acho que foi algum experimento que deu errado. Talvez alguma vacina. Porque não faz sentido a pessoa virar canibal do nada. -Concordo. Tem que ter alguma explicação lógica. Permanecemos um tempo em silêncio. -Eu... eu tenho uma pergunta pra fazer pra você. Só não ache estranho, é apenas uma curiosidade. -Puxei assunto. Consentiu. -Tá legal. -Respirei fundo. -Então... você já namorou? -Ah, não. -Mesmo? Eu sempre achei que sim. -Bom, é que na verdade eu nunca te contei certinho como era minha vida antes disso tudo. -Suspirou. -Eu nunca fui de ter amigos ou alguém com que podia contar tudo. Quando entrei na escola, tentei fazer amizade, mas sempre me zoavam por conta do tamanho do meu cabelo, ou por eu não ser "musculoso" quanto os outros meninos. Tanto que teve uma vez que infelizmente eu senti o gostinho de estar apaixonado... daí eu me ferrei pela primeira vez na vida. -O que aconteceu? -Não fui correspondido. Assim como as outras pessoas, ela também cobrava o corpo perfeito. -Revirou os olhos. -Daí eu simplesmente me fechei pra qualquer tipo de coisa que fizesse eu sentir atração por outra menina. Não tem dado muito certo, porém... -Sorriu. -Eu sinto muito por tudo o que você teve que passar. -Peguei no braço dele. -Sinto muito mesmo. -Tudo bem, hoje eu já superei. E até me arrependo por ter derramado uma lágrima pra aquela garota. -Não esquenta não, ela nem deve ter sobrevivido mesmo. Já você sim. Joga isso na cara dela. Carl ficou alguns segundos tentando segurar a risada mas não aguentou. -Não acredito que disse isso. -Tentou abafar o som da risada. -Falei alguma mentira? -Comecei a rir também. -Você é incrível, sabia? -Parou de rir aos poucos e ficou me encarando. -Eu posso te dar um abraço? -Perguntou em seguida. Consenti. -Eu queria ter te conhecido antes. -Eu também. Ao nos separarmos, ele continuou bem próximo de mim. -Como eu queria fazer uma coisa... -Sussurrou. -O que? -Sussurrei de volta. -Você pode fechar os olhos por alguns segundos? Meu coração está muito acelerado. Sinto como se a qualquer momento ele pudesse simplesmente saltar de meu peito. Fechei os olhos. -Você confia em mim, anjinho? -Confio. -Então se deixe levar, está bem? Sua mão tocou minha bochecha e pelo som que o sofá fez, insinuou que ele estivesse se aproximando de mim. Então eu senti sua mão tocando suavemente minha nuca. Com a outra eu senti ele enfiando por dentro de meu cabelo, me puxando para cada vez mais perto...
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