Capítulo 15

2366 Words
Ao escutar Judith chorando, abri os olhos me levantei rapidamente. A peguei de cima do sofá e senti v*****e de enfiar meu rosto em um buraco. -Podia ter esperado dois minutos, irmã. -Disse Carl se levantando e pegando na bochecha dela. Sorri e continuei andando de um lado pro outro com ela. -Preciso fazer uma coisa, me espera aqui. -Se levantou e estava indo em direção a saída. -O que vai fazer? -Quero te dar uma coisa. -Disse e desceu logo em seguida. Me sentei. -Ai meu Deus, Judith. -Me forcei para não rir alto. -Você viu o que acabou de acontecer? Eu e o seu irmão quase... Não, mas será? Isso estava acontecendo mesmo? Na verdade eu não sei se estou feliz ou triste por você ter atrapalhado. Um pouco de cada, na verdade. Suspirei. -Eu só me preocupo porque não quero que ele se machuque novamente. Eu não vou mentir pra você e falar que não tenho um leve sentimento por ele, mas eu só não sei se é o suficiente. Não sei se sou eu a menina que vai fazer ele se sentir amado. Afinal eu não tenho nada pra oferecer a ele. Sempre atrapalho tudo, levei um tiro, quase fui mordida, quase fui estuprada e quem me ajudou? Ele. Não quero que somente ele me ajude, eu quero ajuda-lo também. Mas infelizmente sou fraca. Fiquei um tempo em silêncio. -Oi -Ele disse subindo. -Que silêncio. O que eu perdi? -Estava pensando. -Sorri levemente. -Preciso que você se vire, não quero que veja ainda o que tenho pra você. -Deixa eu ver logo, por favor. -Falei curiosa. -Você só vai saber se virar. -Disse rindo. Me levantei e virei para trás, o senti se aproximando de mim. Ele passou algo pelo meu pescoço e fechou atrás. Vi que era um colar. -É lindo, Carl. Mas por que está me dando isso? -Era da minha mãe. Acho que você merece ele. -Eu não posso. Desculpe mas não posso. -É claro que pode. Tenho certeza que ela ficaria feliz se aceitasse. Sorri e o olhei melhor. É um coração azul com as bordas prateadas. -Obrigada, é lindo. -Acho que agora você já pode tirar esse que aquele carinha tinha te dado. Ri e toquei nos dois colares. -Está com ciúmes do colar que Luke me deu? -Não, longe de mim. -Levantou as mãos em forma de rendição. -Eu só acho que o meu é bem mais bonito. -Eu vou fingir que acredito em você. -Consegui controlar a risada. -Agora vamos jogar aquele joguinho ali, ele parece ser bem legal. ### -Acho melhor irmos, já vai escurecer. -Falei. Nos levantamos do chão e peguei Judith que estava deitada no sofá dormindo. Ele pegou a mochila e colocou nas costas. -Como minha mãe já estava esperando pelo nascimento da Judith, ela já havia comprado várias coisas, então podemos pegar e levar. -Sim, bem pensado. Descemos as escadas e fomos para dentro de sua casa. Entramos em um quarto totalmente decorado. -Aqui era para ser o quarto dela. -Ele disse enquanto retirava a chave que utilizou para abrir a porta. Sorri e olhei em volta. Está cheio de pelúcias e bonecas em uma estante. Um berço bem no canto e uma babá eletrônica ao lado. -Meus pais investiram tanto nesse quarto. -Falou olhando ao redor. -O que podemos pegar? -Tudo o que for necessário. Concordei e ele pegou uma bolsa de bebê que tinha aqui no armário. Pegamos várias coisas, como por exemplo: Roupas, lenço umedecido, fralda, brinquedos, chupeta, sapatinho e etc. Tivemos que colocar algumas coisas dentro da mochila já que não coube tudo na bolsa. -Vou pegar algumas roupas pra mim e vou tomar um banho. Se você quiser, tem roupa da minha mãe. -Tudo bem. Pode ir primeiro, vou ficar com a Judith te esperando. Saímos do quarto e fomos para o segundo andar. Entramos em seu quarto e deitei a Judith na cama. Ele foi até o seu armário, pegou algumas roupas e saiu. Tirei as roupas da Judith e tirei a sua fralda. Isso fez com que ela acordasse. -Me desculpa, mas você tem que banhar. Só temos que esperar o seu irmão sair do banheiro. Me levantei da cama e comecei a olhar as coisas dele. Tem vários gibis e portas retratos. Na parede, vários posters. Peguei um gibi e comecei a ler. ### -Eles são bons não são? Você pode levar pra ler depois se quiser. -Olhei para a porta e o vi parado. Ele está com o cabelo molhado e somente de bermuda. O corpo dele é tão bonito. -Obrigada. Eu só estava te esperando para dar banho na Judy. -Já deu apelido pra ela? -Ele disse sorrindo indo em direção ao armário e pegando uma camiseta. -Sim, é mais fácil. -Peguei ela no colo. -Tem alguma toalha pra me emprestar? -Ele abriu o guarda roupa e jogou pra mim. Saí do quarto e fui até o banheiro. Coloquei água na banheira e coloquei ela dentro. ### -Agora você está limpinha, minha pequena. -Ela deu um sorrisinho. -Carl, pega ela aqui pra mim, por favor!? -Gritei. O vi vindo correndo, tanto que quase caiu ao tentar parar na porta. -Não precisava correr, né? -Falei rindo. Ele deu de ombros e colocou uma roupa em cima da pia. -Peguei pra você. -Obrigada. -Ele pegou a toalha e pegou a Judith. -Consegue vestir ela? -É claro que sim. Sou profissional. -Eu quero só ver isso. -Ri e ele saiu em seguida. Joguei a água da banheira fora e tirei o curativo da minha perna. Logo em seguida fui para debaixo do chuveiro, liguei o mesmo e fiquei pensando em tudo o que aconteceu. Caramba, eu e Carl quase nos beijamos. Até agora a ficha ainda não caiu. Mas e se isso tivesse acontecido? Podíamos não estar nos falando direito como estamos agora. Com certeza teríamos ficado com vergonha um do outro. Mas também poderia ser diferente. Poderíamos estar bem mais próximos e podíamos continuar sendo amigos, afinal, em uma amizade entre um garoto e uma garota na maioria das vezes rola alguma coisa. Talvez não fosse tão r**m assim. Isso podia ser uma confirmação pra mim do que eu sinto por ele. Enxaguei o meu cabelo e desliguei o chuveiro. Vesti a roupa que ele pegou pra mim e penteei o meu cabelo. A roupa até que não ficou grande, estou com uma blusa de manga comprida, um short curto preto e o cabelo solto. Saí do banheiro e voltei para o quarto. Quando entrei, vi a melhor cena da minha vida. Carl estava completamente perdido e acabou colocando a fralda da Judith de trás pra frente. -Meu Deus, o que está fazendo? -Comecei a rir, o que fez Carl se assustar. -Está do lado errado? -Ele perguntou se levantando do chão que até agora estava de joelhos na beira da cama. -É claro né, Carl. Você pelo menos passou pomada? -Tinha que passar? -Ele me olhou com uma sobrancelha levantada. Coloquei uma mão na cabeça. -Lógico. Estou vendo o quão profissional você é hein. -Sorri. -E eu sou. Só me esqueci desse pequeno detalhe. -Ah claro, desculpa aí. Anda, deixa eu te mostrar. -Peguei a pomada na bolsa e passei. Virei a fralda do outro lado e prendi. -Viu? É assim. -Eu já sabia. Só queria ver se você sabia. -Ele sorriu de lado. Comecei a rir. -Assume logo que você não tinha ideia do que estava fazendo. -Me levantei e peguei um vestidinho e uma meia na bolsa. -Tá legal, eu só não sabia fazer isso. -Só isso? Você não sabe fazer nada Carl. -Nossa, agora você feriu os meus sentimentos. -Ele colocou a mão no peito como se tivesse ofendido. Coloquei o vestido nela. -Me desculpa mas é a verdade. -Sorri e coloquei a meia na Judith. -Tudo bem, eu sou um profissional fracassado. -É isso aí. Ele sorriu e olhou para a parede. -Acho melhor irmos. Já vai ser cinco e quarenta. Concordei e peguei a Judy no colo. Ele pegou a mochila e a bolsa. Saímos da casa e começamos a caminhar. -Tem alguma farmácia aqui perto? Quero pegar alguns remédios e curativos pra minha perna. -Sim, umas duas quadras daqui. -Ótimo. -Continuamos caminhando até chegarmos nessa tal farmácia. Assim que entramos, peguei uma das sacolas espalhadas pelo chão e me virei para Carl. -Você vai por aquele lado que eu vou por esse. - Falei. -Cuidado. -Disse enquanto começava a caminhar. Peguei remédios pra dor, anestésico e algumas gaze, absorventes e faixas. Quando estava voltando para perto de onde Carl estava, me deparei com um homem entrando e vindo em nossa direção. -Vão passando lentamente todas essas coisas pra cá. -De jeito nenhum. Vai procurar coisas em outras farmácias. Estamos precisando desses remédios mais do que você. -Escondi a sacola atrás de mim. -E eu por acaso te perguntei se você quer ou não? Eu ordenei. -Sorriu enquanto mirava a a**a em nós. -Acha mesmo que você é alguém pra nos mandar fazer alguma coisa? -Carl falou. -Não sabe quem eu sou? -Deveríamos? -Me aproximei mais de Carl, na intensão de pegar a a**a na mochila. Mas não vai ser fácil já que estou com Judith no colo. -Pode deixar então que eu irei me apresentar. Meu nome é Negan. -Que mané Negan. Estou nem aí pra como você se chama. A questão é que não vamos te dar nada. Então vai procurar em outro lugar. -Disse Carl. Ele sorriu novamente e destravou a sua a**a. -Ah mas vocês vão. Não vão querer me obrigar a fazer isso não é mesmo? -Ele apontou a a**a na direção minha e da Judith. Nessa hora eu consegui pegar a a**a da mochila e atirei bem em sua cabeça. -i****a. -Saí andando. -Uau. -Ele saiu andando atrás de mim. -Tudo isso pra proteger a minha irmã? -Aquele b****a ameaçou atirar em nós, queria que eu fizesse o que? -Nada, só fiquei impressionado. Sorri. -Venha, já escureceu. -Começamos a caminhar novamente. ### -Finalmente, estou cansado. -Olhamos na mesma direção e vimos a lojinha. Em frente estava Rick e Michonne sentados sobre a calçada. -O que será que houve? -Perguntei. -Eu não sei, vamos lá perguntar. -Fomos andando até aonde eles estavam. -Oi pai, aconteceu alguma coisa? -Ah não não, só estamos tomando um ar. Sorri. Rick olhou para nós. -Aonde foram? Estão limpos. Tomaram banho? -Sim, levei ela lá em casa. -Nos sentamos ao seu lado na calçada. Ele pegou Judith do meu colo. -Já entendi, você queria que ela fosse a primeira pessoa a entrar no seu "local secreto", não é? -Ele fez aspas com as mãos e sorriu. -Mais ou menos isso... já aproveitamos e pegamos algumas roupas para a Judith. -Carl falou. -Então valeu a pena vocês terem saído essa tarde não é? -Disse Rick. -Sim. - Falei. -Eu gostei do dia de hoje. -Eu teria gostado mais se a Judith não tivesse atrapalhado. -Ele pegou um graveto e começou a mexer no chão. -Por quê? Você não queria que ela fosse? -Perguntou Michonne. -Não é isso, é outra coisa. Fechei os meus olhos e comecei a me lembrar do momento. -Até imagino. -Disse Rick o que me fez abrir os olhos. -Eu vou entrar um pouco. Quero ver como as pessoas estão. -Me levantei e entrei. -Oi. Todos olharam pra mim e me cumprimentaram de volta. Olhei para Beth e ela fez um sinal para eu me se sentar ao seu lado. Fui até a mesma e me sentei. Do outro lado dela estava Carla. -Aonde estava? Não te vi quase o dia todo. -Carl queria me levar a um lugar. -Aonde? -Ela me olhou com uma cara maliciosa. -Não posso contar. É um local secreto. Que só eu e o Rick sabemos. -Pode deixar que eu vou descobrir logo logo. -Pode tentar. -Sorri. -Mas me conta, o que ficaram fazendo? -Ela levantou as pernas e as apoiou nas mãos. -Ah, primeiramente ele queria mostrar esse lugar pra mim e pra Judith. Ficamos conversando até que... -Senti a vergonha tomar conta de mim. -Que...? Não me deixa curiosa, Sofia. Vocês se beijaram? -Ela arregalou os olhos e abriu um sorriso enorme. -Não, quase. Nós íamos mas a Judith atrapalhou. -Olhei para baixo. -Jura? -Eu não sei se fico feliz ou triste. Realmente não sei o que sinto por ele. -Acho melhor você descobrir logo, vocês ficam muito fofos juntos, não é Carla? -Ah... é, c-claro. Super fofos. -Ela falou com um tom meio triste. -Você está bem? -Perguntei. -Sim. Eu só preciso de ar. -Ela se levantou e saiu pra fora da loja. Coloquei as mãos nos meus cabelos e suspirei fundo. -Acho que ela gosta dele, Beth. -Será? Acho que não. Bom, só vamos saber se ela nos contar. Concordei. Rick, Michonne, Carl e Carla entraram correndo aqui para dentro. Rick fechou a porta e Carl apagou as velas que estavam acesas. -O que foi? -Perguntou Carol. Carl colocou um dedo na frente da boca como se mandasse ela ficar quieta. Michonne se aproximou de mim e me entregou a Judith, me falando que qualquer coisa era pra eu correr com ela para dentro do banheiro. Rick abriu um pouquinho a cortina e ficou olhando lá pra fora. -Eu já disse que pra cá não tem mais coisas. Já fomos em quase todo lugar aqui perto. -Em todos menos nesse. -Acho que ele está apontando pra cá. -Em uma lojinha de brincos? Sério? -Eu conheço essa voz. -Ah cara vai saber, pode ter comida escondida aí dentro. -Larga de besteira, vamos procurar outro lugar e... -Ele ficou em silêncio e Rick fechou a cortina. -Você viu? -O que? -Tem gente dentro dessa loja. Eles devem ter comida e armas. Negan vai gostar de saber que fomos nós que conseguimos alimento. -Você parece uma criança. Anda, pega as armas. Michonne fez um sinal para todos nós pegarmos nossas armas também. Todos pegaram menos eu. -Vou tentar arrombar essa porta. -Pude ouvir vários barulhos. -Só mais uma e acho que você consegue. Ele bateu mais uma vez o que fez com que a porta caísse. Mas foi aí que senti que meu coração quase saiu pela boca...
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