Durante a noite acabei acordando graças a uma dor insuportávelmente h******l. Assim que olhei para minha perna, pude ver o tanto de sangue ultrapassando o curativo.
-Carl. -Peguei em suas costas. -Acorda, por favor. Minha perna está doendo muito. -Começei a respirar fundo, tentando não chorar. O que foi praticamente impossível.
Ele levantou a cabeça e olhou para mim.
-Caramba, está saindo muito sangue. Vou chamar a médica. Espera aí.
Saiu correndo e alguns segundos depois voltou com Carla.
-Sofia, o que houve? -Ela olhou minha perna. -Ai meu Deus, sua perna piorou.
-Ah jura? Eu nem tinha percebido. -Disse já não aguentando mais me controlar.
-Vou precisar dar uma olhada. -Ela tirou o curativo e me olhou assustada. -Vou chamar uma médica mais experiente.
Assim que ela terminou de falar, saiu correndo do quarto.
-Ei, vai ficar tudo bem tá? Fica calma, eu estou aqui com você. -Carl disse e em seguida secou as lágrimas de minha bochecha.
-Você não tem ideia do quanto isso está doendo. -Começo a chorar mais.
Carla voltou com uma mulher. Elas chegaram perto de mim e a mulher tentou tocar minha perna, o que não foi possível já que não fui capaz de conseguir deixar.
-Rápido, eu preciso de um bisturi e de uma pinça. -A mulher falou e Carla pegou. -Garoto, você vai ter que segura-la.
-Por quê? -Ele a olhou curioso.
-Sobrou alguns pedacinhos de bala na perna dela, eu preciso tirar imediatamente.
-O que? Como você não tirou antes? -Ele falou bravo olhando para Carla.
-E-Eu pensei que havia tirado.
-Não temos tempo pra isso. Segure ela logo.
Carl se aproximou de mim e segurou os meus ombros fortemente. Carla fez o mesmo só que em minhas duas pernas.
-NÃO, POR FAVOR NÃO! -Ela pegou a pinça e começou a mexer. -AAHH MEU DEUS, PARA! -Falei chorando tentando levantar. -POR FAVOR! -Digo já ficando sem ar.
-Fique parada anjinho, por favor.
Comecei a me debater.
-ME SOLTA CARL! ESTÁ DOENDO MUITO. -Digo sem conseguir me controlar.
Senti meu corpo ficar meio mole e minha visão embaçada.
-Me... ajuda.
Carl narrando:
Odeio ver a Sofia nessa situação.
Mas já que é para o seu bem, então preciso segura-la.
Quando a vi se debatendo de dor, meu coração se partiu. Vi que a médica não estava conseguindo mexer muito, já que ela não deixava.
Mas assim que vi que ela havia parado de se debater e estava quieta, minha preocupação aumentou.
-Sofia! Ei Sofia! Acorda.
-Fique calmo, ela só desmaiou.
Suspirei um pouco mais aliviado assim que vi a médica retirando todo o resto de bala que havia sobrado.
-Pronto. Acabou. -Ela colocou a pinça com a última bala em cima de uma bandeja cirúrgica e tirou a luva.
Carl? Preciso falar com você.
Olhei para elas e vi que estavam todas me olhando.
Carl? Tá na escuta?
Ai d***a.
-O que está escondendo garoto? -A mulher me olhou com a cara fechada.
-Ahn...
Carl, a policial acabou de chegar de carro junto com dois homens.
-Por que vocês estão falando da minha mãe?
-Viemos pegar a Beth de volta. -Falei pegando a a**a em meu bolso e mirando nelas.
-Uou, vai com calma. Não temos nada a ver com isso. -A mulher e a Carla levantaram os braços.
-Abaixe essa a**a agora. -Olhei para a porta e vi a policial parada. -O que você quer?
-A Beth. Você me devolve ela e eu não atiro em sua filha. -Puxei Carla para perto de mim e coloquei a a**a em sua cabeça.
-Não! Por favor. -Ela diz desesperada.
A policial deu um sorriso.
-Ora, pra que violência? É claro que eu devolvo a sua amiguinha. Agora solte a minha filha.
Ela se aproximou de mim.
-Devolve? Então pega ela pra mim.
Ela sorriu novamente.
-Acha que vai ser tão fácil assim? Não meu jovem, você acabou de traumatizar duas moradoras daqui. Vai ter que pagar por isso. -Ela chegou mais perto.
-Eu não vou pagar por nada, quem pegou uma integrante do nosso g***o foi você.
-Justo. Mas não vou te entregar ela assim. Antes eu quero ter uma conversinha com a pessoa que está do outro lado da linha do seu walkie talkie.
-Não. -Falei e desbloqueei a a**a.
Carla começou a chorar.
-Tudo bem, e se eu fizer isso? -Ela tirou uma a**a do bolso e mirou em Sofia.
-Nem pense nisso.
Droga. O que posso fazer agora?
Peguei o walkie talkie e joguei para ela.
-Me solta. Por favor Carl. -A menina falou chorando mais.
-Me desculpa Carla, mas para conseguir o que quero, tem que ter ameaça. Fica calma, não vou atirar em você. -Falei baixo.
Ela assentiu e respirou fundo, parece que ficou aliviada. A policial começou a falar no walkie talkie:
Estou com um garoto e uma garota desacordada. Se quiser eles vivos, terá que seguir os meus comandos.
Quem é você?
Achei que sabia, já que ficou nos investigando por dias.
Meu pai ficou quieto.
O que querem?
Armas e mantimentos.
Tudo bem, logo pela manhã estaremos aí.
Estarei esperando.
Ela sorriu e guardou o walkie talkie no bolso.
-Solte a Carla.
-Só se você trazer Beth até aqui.
-Como você é irritante garoto. Quer ficar com ela? Pois fique, não fará diferença mesmo.
-Por favor mãe, não faz isso. -Carla falou chorando.
-Vejo vocês mais tarde. -Ela puxou a médica e trancou a porta. Soltei Carla e ela foi correndo até a porta.
-MÃE! -Ela se abaixou e ficou chorando encostada na porta.
-Ei, não fica assim. -Fui até ela e me sentei ao seu lado.
-Como ela pôde fazer isso comigo? Minha própria mãe.
Permaneci em silêncio.
-Ela sempre foi carinhosa comigo, dizia que me amava. E agora me larga como se eu fosse qualquer pessoa. -Ela levantou as pernas e encostou a cabeça no joelho.
Coloquei minhas mãos em seu ombro.
-Eu nem consigo imaginar o que você deve estar sentindo, mas... olha se você quiser, você pode ir com a gente. Tenho certeza que meu pai te aceitaria numa boa.
Ela levantou a cabeça e secou as bochechas.
-Faria isso mesmo?
-Sim, é claro. -Sorri.
-Obrigada. -Ela me abraçou e isso quase fez eu cair para o lado, já que perdi o equilíbrio.
-Não precisa me agradecer.
Me soltei e ela respirou fundo.
-Seu pai vai mesmo trazer tudo o que minha mãe pediu?
-Provavelmente não, ele é muito esperto. Ele nunca daria armas e suprimentos tão fáceis assim.
Ela sorriu e secou os olhos mais uma vez.
-E você e a Sofia? Como se conheceram?
-Ah... eu a encontrei dentro de uma mercearia cercada por zumbis.
-E demorou muito pra você pedir ela em namoro?
-Nós não estamos juntos. -Ri. -Somos só amigos.
-Nossa, vocês parecem ser bem próximos.
-Na verdade nós somos, mas não ao ponto de namorarmos.
-E tem também o fato de você chamar ela de anjinho...
-Ah, isso é um apelido carinhoso.
Ela sorriu.
-Vou fazer um curativo na perna dela. -Ela se levantou e eu também.
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Sofia narrando:
Ao acordar, vi que Carl e a menina estavam sentados no chão conversando. Espero que ele esteja seguindo o plano.
Agora minha perna está com um curativo novo.
-Oi. -Me sentei e ambos olharam para mim.
-Oi, que bom que acordou. -Eles se levantaram.
-O que aconteceu aqui? Por que a porta está fechada?
-Nos descobriram. E agora a policial está nos mantendo presos aqui.
-Mas e agora? E a Beth? Caramba não podíamos ter deixado isso acontecer. Agora o nosso plano foi tudo por água a baixo.
-Minha mãe falou com o pai de Carl pelo walkie talkie. Ela quer armas em troca de vocês.
-E por que você está aqui Carla?
Ela abaixou a cabeça.
-Minha mãe não quis saber de mim.
-Ah... eu sinto muito.
Ela sorriu fraco.
-E qual é o plano agora? -Perguntei olhando para Carl.
-Vamos ter que esperar meu pai. Ele vai saber o que fazer.
Concordei.
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-Venham, agora! -A policial disse entrando no quarto com dois homens.
Me sentei na cama e me levantei sem colocar uma perna no chão.
-Para onde? -Carla perguntou.
-O homem chegou e quer ver vocês antes de me entregar as coisas.
Olhei para Carl que me olhou de volta.
-Cadê a Beth?
-Já está lá. Agora venham logo. -Um dos homens pegou em meu braço e começou a me puxar.
-Espera, não consigo encostar minha perna no chão. -Falei olhando para ele. Ele revirou os olhos e me pegou no colo. -Ei.
Saímos para fora do quarto e fomos para a entrada do hospital.
-Aqui está! Agora pode ir passando a bolsa.
O cara me colocou no chão e eu olhei em direção onde Rick estava. Ele estava acompanhado por Carol, Daryl, Michonne e Maggie.
Maggie estava olhando em nossa direção sorrindo, deve estar feliz por ver Beth viva.
Até que nosso plano não deu tão errado assim. Estamos todos vivos, é ainda conseguimos pegar Beth de volta.
-Espere. Primeiro, passe eles pra cá. -Disse Rick.
-A bolsa, aí eu entrego eles.
-Está bem. -Rick pegou a bolsa do chão e jogou em nossa direção. A policial sorriu e abriu. Logo em seguida seu sorriso sumiu.
-Ei, isso não são armas, são... -Ela não terminou de falar, olhei em sua direção e vi que Maggie havia atirado nela.
-NÃO. -Carla se abaixou ao seu lado, já chorando.
Uma pessoa atrás de mim também pegou uma a**a e mirou em Rick, bati em seu braço o que a fez acertar somente de raspão no braço dele.
Todos do nosso g***o pegaram suas armas e miraram nas pessoas que estavam atrás de mim. Os que estavam ao meu lado também pegaram.
-PAREM! Não precisamos fazer isso! Ela já está morta. -Uma outra policial falou. -Estamos livres.
Todos abaixaram as armas e ficaram se olhando.
-POR QUE FIZERAM ISSO!? VOCÊS MATARAM A MINHA MÃE! -Carla falou pegando o corpo de sua mãe e colocando em seu colo. -POR QUE? ELA NÃO FEZ NADA PRA VOCÊS. -Ela se abaixou chorando desesperadamente.
Me abaixei com dificuldade ao seu lado e a abracei.
-Fique calma. Eu sei que não é fácil perder alguém que amamos. Mas pense assim, ela te maltratava, Carla. -Me separei.
-Mas ela não deixa de ser minha mãe. -Ela levantou a cabeça e olhou em minha direção chorando. -Ela podia me tratar m*l, me bater, me desprezar, mas eu nunca pararia de ama-la.
-Eu realmente sinto muito.
Ela começou a chorar mais e eu me levantei.
-Vamos embora logo. -Disse Daryl se aproximando de nós. -Que bom que está bem, cachinhos dourados.
-Obrigada, Daryl.
Carl se aproximou de mim.
-Vem anjinho, vamos. -Passei meu braço pelo seu ombro. -Ei, Carla. -Ela olhou em nossa direção. -Vai com a gente ou não?
Espera, o que?
-E-Eu não sei. -Ela secou as lágrimas. -Acho que vou, não tem nem o por que eu continuar nesse lugar. Minha única razão era ela.
Ela se levantou e veio ao nosso lado. Nos viramos e começamos a caminhar, vi que Maggie estava abraçada com Beth.
-Enfim deu tudo certo. -Falei e Carl sorriu.
-Graças a Deus não perdemos ninguém do nosso g***o.
Concordei.
Saímos do hospital e pude ver Glenn, Abraham, Tara e Rosita.
-E olha lá, não é que é verdade mesmo que ela levou tiro na perna. -Abraham falou rindo olhando em minha direção. -Doeu?
-Ah não, imagina. Eu nem senti. -Levantei uma sobrancelha o que fez todos rirem.
-Se fosse eu no seu lugar, já teria desmaiado faz tempo. -Tara falou.
-E você acha que ela não fez isso? Duas vezes ainda. -Carl falou gargalhando.
-Xiu, ninguém precisava ficar sabendo disso seu fofoqueiro. -Bati em seu braço.
-Achei que fosse forte, Sofia. Mas vejo que é fraquinha. -Abraham falou me desafiando.
-E eu sou. Duvido que você aguentaria. A dor é insuportável.
-Eu aguentaria sim, sou forte, ao contrário de você. -Ele sorriu.
-Te desafiou, vai deixar? -Daryl falou sorrindo de lado.
-Quer parar de botar lenha na fogueira, Daryl. -Maggie bateu em seu ombro de leve.
-Venham, precisamos voltar. Temos que achar um lugar maior para ficarmos. Aquela lojinha já está ficando apertada. -Disse Rick.
Todos começaram a entrar no caminhão e nós fomos fazer o mesmo.
-Consegue subir? -Carl falou parando.
Olhei e vi que era muito alto.
-Eu acho que consigo. Vou tentar. -Levantei uma perna e fiz força para subir. O que infelizmente me fez cair de b***a no chão.
Carl e os outros começaram a rir. Me levantei.
-Parem de rir, isso não teve graça. -Falei com a tentativa de parecer brava, mas acabei rindo.
-Vou te ajudar. -Ele pegou em minha cintura e me levantou, me colocando sentada na carroceria.
-Obrigada. -Sorri.
-Huumm. -Me virei e vi que todos estavam nos olhando com uma cara maliciosa.
Revirei os meus olhos e me sentei direito. Carl subiu e o caminhão começou a andar.