Capítulo Cinco — Mateus

2521 Words
— Hoje foi um daqueles dias que eu não via a hora do nosso plantão terminar. Olho para o Gustavo intrigado, pois ele é o primeiro a sempre querer está no quartel, talvez o mesmo esteja com algum problema e eu não percebi, por está sempre envolvido nos problemas da minha casa e consequentemente no do meu irmão Diego, que aliás eu tenho que mostrar ao Gustavo o objeto que estava no incêndio, imitando uma assinatura, porque eu posso não ter visto o meu irmão com ele, mas alguém pode. — Está com algum problema Gustavo? Desculpas eu está sendo relapso com a nossa amizade, mas você sabe que os problemas lá em casa, tem sido muitos e nenhum pouco fáceis. Ele é como se fosse um irmão para mim, praticamente crescemos juntos aqui, então eu sei de todas as suas confidencias e ele sabe das minhas, mas ultimamente tenho deixado um pouco de lado. — Na verdade, estou me sentindo um pouco cansado nesses dias, mas deve ser a nossa rotina aqui que não é nada fácil, sem contar que tem duas que têm, mas ocorrências do que outros. Nisso ele têm razão e sou obrigado a concordar, mas será que o mesmo não está ficando doente, afinal já trabalhamos como bombeiro a um tempo e o nosso corpo, está acostumado com a nossa rotina. — Olha lá em Gustavo, começa a observar isso direito, será que você não está ficando doente? Porque pela rotina do quartel não, que o nosso corpo, já está mais do que acostumado. O mesmo afirma que deve ser apenas cansaço, já que está semana estamos tendo dias puxados e o incêndio da fábrica, exigiu muito de todos nós, não só pela vítima que tínhamos que resgatar, mas para que o fogo, não passasse para o outro bloco. — Pode ficar tranquilo Mateus, porque eu conheço meu corpo e sei quando ele está apenas cansado ok? Vamos! Acredito que você deve está indo para casa não é? O mesmo me pergunta, como se eu tivesse outro lugar para ir além da minha casa, claro! A não ser quando eu vou para a pensão da vó da Ivana, que é irmã do Pedro, digamos que nós dois somos enrolados, mas ultimamente eu não estou aguentando o ciúmes dela, a mesma fica em cima de mim, para que nem se quer olhe para o lado. — Você me pergunta isso, já sabendo que o único lugar que eu vou de diferente é a pensão, ou a sua casa Gustavo, fora isso meu caminho é a minha casa mesmo. Ele me questiona, como estão as coisas com a Ivana. — Impressão minha, ou você está evitando a Ivana? Porque já faz dias que eu não vejo, você sair daqui animado, dizendo que vai passar na pensão. Respondo para o mesmo, que se dependesse só de mim, já não estaríamos mas juntos, o porém é que cada vez, que eu vou conversar com a Ivana, a mesma inventa uma desculpa e nunca escuta o que eu tenho a dizer, confesso que a sua atitude de criança está me tirando do sério,.porque somos um casal de adultos. — Para ser sincero eu estou Gustavo, vamos parar no bar, eu preciso conversar algo com você e lá em casa não dá, eu não quero que os meus irmãos escutem, mas especificamente o Diego. O mesmo me pergunta sobre o que é, mas falo para o mesmo que é melhor conversar sobre o assunto, fora das paredes do quartel. — Alguma coisa séria Mateus? Porque se for a gente pode demorar um pouco antes de sair do quartel, tenho certeza que o comandante não vai se incomodar, se ficarmos conversando aqui no alojamento. Falo para o mesmo que é algo que envolve o quartel de certa forma e que não é o momento ainda, para falarmos sobre isso aqui dentro. — Não! É algo que envolve a corporação, não quero correr o risco de alguém escutar. Saimos os dois, parando no bar da esquina como combinado. — Agora pode começar a falar que assunto sério é este, que não podíamos conversar lá no quartel, em seu Mateus? Começo a explicar ao mesmo sobre a caneta que o Pedro achou, durante as buscas dos peritos e que o mesmo me deu e não a entregou a eles, como era para ter sido feito. — O Pedro encontrou um objeto em meio aos escombros, na verdade, o que sobrou depois do incêndio, na verdade, ele deveria ter dado aos policiais, mas o mesmo ficou com medo que fosse do Diego, por isso teve cuidado ao manusear para que não tirasse as digitais de outra pessoa, caso haja e me entregou. O Gustavo me olha abismado, como se tivesse visto um fantasma, em vez de ter escutado o que eu acabei de dizer. — Mas que tipo de objeto foi esse Mateus? Ele sabe que se o comandante descobrir que em vez de entregar essa prova a polícia, ele entregou a você, ele está numa tremenda enrascada? Mostro com cuidado a caneta de ouro que está envolvida em um plástico para que ninguém toque nela diretamente. — Aqui foi está caneta que o mesmo achou logo após conseguirmos apagar o fogo, chegamos a conclusão de que está caneta foi plantada na cena do crime, pelo fato de que ela é ouro legítimo e não se derreteu com a alta temperatura. Ele arregala os olhos, como se só agora, estivesse conseguindo entender o mistério que ar, por trás disso tudo. — Espera um pouco, você está querendo me dizer que um prédio interior em chamas, um calor fora do normal e mesmo assim essa caneta não foi derretida? Afirmo para ele, que não exatamente isso que eu estou querendo dizer, que é no mínimo estranho, está caneta não ter derretido um pouco se quer. — Sim! Isso mesmo e antes que você me pergunte, elas não teriam como ser dos peritos, porque o Pedro antes de resolver sair do lugar, vou cada um pegando as suas canetas normais e se fosse deles, os mesmos teriam perguntado assim que saiu do prédio, se alguém tinha visto a sua caneta. Eu entendo a desconfiança do Gustavo, também pensei logo isto de cara, mas depois percebi que não havia como ser dos peritos, pelo lugar que o Pedro afirma ter encontrado. — Você não pode mostrar está caneta a ninguém Mateus, porque se não, a corporação inteira vai ser prejudicada, agora como você vai fazer, para ter certeza, se isso não é do Diego, na minha opinião, ele não teria dinheiro, para mandar confeccionar uma caneta dessas, somente para deixar na cena de um crime. Concordo com o pensamento do Gustavo, além disso o meu irmão faria questão de guardar está caneta a sete chaves, porque como não temos dinheiro para fazer algo sim, seria um objeto de luxo para ele e que teria que ser guardado, para que ele mesmo não perdesse, a não ser que na hora que o mesmo ia fugindo, ela tenha caído e o mesmo não se deu conta, do que estava acontecendo ao seu redor, isto é uma das hipóteses, mas agora eu preciso pensar, como vou fazer para ter a prova de que é ou não dele. — Sim! Eu concordo com você Gustavo, mas o Pedro me lembrou um ponto importante, ele não tem dinheiro, mas aquela namoradinha dele tem, pode ter mandado fazer, para iludir cada vez mais o Antônio, com o poder e os luxos que o dinheiro pode trazer, mas daí eu pensei, se fosse algo dado por ela, o Diego, não ia dá bobeira de sair com ela, por aí assim, sabendo que ela poderia cair em qualquer lugar, principalmente na cena do crime que ele estava prestes a acontecer, o mesmo não seria tão burro a esse ponto, ou seria? O Gustavo diz que a linha de raciocínio do Pedro está certa, mas que algo nesta história não se encaixa, disso eu não tenho dúvidas alguma, de que algo está errado, eu tenho certeza, mas qual a peça que falta para encaixar neste quebra cabeça? — Vamos imaginar a cabeça do Diego, ele é esperto, o mesmo não levaria nada com ele, que pudesse cair e indicar que ele esteve na fábrica, até porque você me contou que ele foi a primeira pessoa que o segurança desconfiou, aliás eu escutei, acredito que outras pessoas também tenham escutado e que vai chegar até você para falar, agora vamos pensar com calma, em sã consciência ele não levaria isso com ele, caso fosse um presente especial da namorada, não só por este detalhe, mas pelo fato de que era um risco muito grande, que na hora dele fugir, isso caísse e o incriminasse. Eu espero que realmente isso não seja do Diego, mas agora o mais importante é dá um jeito de saber se isso é dele ou não, claro que não vou acreditar apenas na sua palavra, pois sei que aquele ali, para se safar de alguma coisa , consegue convencer até quem não acredita nele. — É isso que não se encaixa Gustavo, porque se a caneta for mesmo do Diego, ele cometeu um vacilo imperdoável para não ser descoberto, porque qualquer pessoa sem ser o Pedro poderia ter encontrado isso. Nossa conversa é interrompida, pelo garçom, que nós pergunta se vamos querer o de sempre, na verdade, somos fregueses antigos daqui, de vez em quando nos reunimos os três, para frenquentar no final de semana que estamos de folga, então todos aqui já nos conhece, sem contar que não precisaria nem frenquentar, o bar fica de esquina as nossas casas, seria impossível não passar por aqui sem da pelo o menos um bom dia. — Agora você precisa encontrar algum perito de confiança, que faça alguma coisa para descobrir de quem é a impressão digital que está nesta caneta de ouro. Por mais que eu pense, acredito que não conheço ninguém que possa me fazer este pequeno favor, a não ser que eu pague, para que alguém que tenha acesso mande fazer, mas isso seria arriscado e se a pessoa não confiar em mim a este ponto? Droga! Quando eu penso que finalmente o Diego vai ficar quieto, ele me surge com uma suspeita dessas sobre ele, eu não sei aonde eu vou parar com isso, porque não é possível que meu irmão não pense em ninguém da nossa família, apenas nele. — A pior parte é essa Gustavo, porque eu não conheço nenhum perito, quer dizer conhecer até eu conheço, mas o que quero dizer, é que não tenho i********e suficiente, para me pedir, que ele faça este favor e que não comente com ninguém, seria no mínimo suspeito você não acha? Eu virar para uma pessoa que não tenho muito i********e e pedir para tentar ver de quem são a impressão digital que está na caneta? O mesmo diz que é arriscado, mas que se eu não fizer isso, não vamos saber nunca quem esteve naquele incêndio, além da própria vítima que foi a filha do senhor Vanderlei e da dona Arlene que consequentemente são donos da fábrica. — Porque não podemos esquecer, que mesmo estando na condição de vítima, mas a filha dos donos também estava presente na cena do crime, então só um perigo poderia nos dizer com certeza de quem é as digitais que estão nela. Confesso que não acredito que aquela mulher, com o olhar firme, seja autora de um incêndio, que prejudicaria os próprios pais, porque o que a levaria a fazer isso? Dinheiro com certeza não é, pois eles tem e não é pouco, seria coisa de louco, achar que a própria herdeira da fábrica colocaria fogo nela, a troco de que? Porque o que ela ganharia, colocando fogo na fábrica? O que haveria por trás disso tudo, envolvendo o patrimônio da sua própria família e consequentemente o dela? — Mas não faz sentindo que a própria filha deles, tenha colocado fogo na fábrica Gustavo, até porque o que ela ganharia, prejudicando o próprio negócio dos pais? Ele me diz que não tem a mínima ideia, mas que temos que trabalhar com todas as hipóteses, até porque hoje em dia tem louco para tudo, sou obrigado a concordar com ele. — Do jeito que hoje em dia tem louco para tudo Mateus, eu não me surpreenderia, se a própria filha tivesse feito isso, até porque uma fábrica enorme daquela, deve ter um seguro, seria interessante descobrir, no nome de quem está este seguro, você tem que investigar em todas as linhas de investigação, não pode deixar passar nada. Eu não tinha se quer me lembrado desta questão de que a fábrica, poderia ter um seguro, uma apólice envolvendo estas questões de incêndio, até porque fizemos a vistoria, mas não somos responsáveis por está questão, já que é algo individual e quem decide, são os próprios proprietários. — Nossa você me lembrou algo, que eu estava completamente esquecido Gustavo, eu não estava lembrando que a fábrica provavelmente tem um seguro que leva em consideração a questão de incêndio e que com certeza, deve ter alguém que sai beneficiado e se está pessoa existe, ela pode muito bem ter provocado o incêndio, para receber o dinheiro do seguro. É difícil imaginar que a filha dos donos, possa está envolvida nisso, além do mais, ela quase morre durante o episódio, mas como o meu amigo falou, hoje em dia, há louco para tudo, sem contar que quantos mais suspeitos houver, mas longe o meu irmão fica de ser o único culpado, nesta história toda. — Só falei porque com certeza, uma fábrica daquele porte, não vai ficar sem algum tipo de seguro, pelo fato de que possui muitos bens dentro, até os próprios advogados da família, deve ter orientado, para que eles fizessem isso. Ele tem razão, antes de tudo, tenho que descobrir, se existe mesmo ou não este seguro, o comandante conhece a esposa do senhor Vanderlei a muito tempo, eu posso pedir, para que o mesmo sonde ela, sobre este assunto. — Agora eu lembrei que o nosso comandante é muito amigo da senhora Arlene, então ele pode sondar como quem não quer nada, se eles possuíam seguro, porque se eu for, ninguém vai querer me dizer nada, afinal eu sou um simples bombeiro. Ele diz que tudo bem, o nosso comandante pode fazer isso, mas o que eu vou dizer para convencer o mesmo, a fazer isto, claro que eu vou ter que dizer ao comandante tudo que está acontecendo, porque se não, ele não vai querer perguntar e além do mais, vai ficar desconfiando de mim, sem motivos. — Vai com calma, ao dizer isso ao nosso comandante, porque ele pode entender errado e achar que você está querendo livrar o seu irmão de alguma forma. Falo para o mesmo, que apesar de que vai me doer muito, eu jamais passaria a mão na cabeça do meu irmão, porque já estou cansado de tentar resolver, todos os problemas do Diego e ele nem aí para vida.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD