— Culpa sua Arlene, por isso eu esqueci está papelada na fábrica, não tinha nada que você ido implicar com a Valquiria.
O meu pai e a minha mãe adoram brigar por causa da minha sogra, digamos que tem dias que ela não é a melhor pessoa e a minha mãe não dá o braço a torcer, então o meu pai que fica no meio parecendo uma barata tonta, porque com certeza, a minha mãe vai dizer que ele não dá valor a ela que é só a minha sogra e o mesmo vai mudar de posição para ver se amansa a fera, minha mãe é uma mulher maravilhosa, mas quando ela implica com algo ou alguém, nada a faz mudar de opinião.
— Então quer dizer que a culpa de não ter trazido a documentação agora é minha Vanderlei? Faça mil favor, nem na fábrica eu trabalho, o responsável por tudo é você, mas como sempre você saiu para defender o partido da fraca e oprimida Valquíria e acabou esquecendo da papelada que tinha que trazer para casa e agora fica ai, querendo da uma de sonso para cima de mim, mas está história comigo não rola querido, porque eu não sou você que acredita nos teatros da Valquíria e em tudo que ela faz.
Confesso que tento não intervir, mas como eu tô vendo que as coisas estão ficando sérias, então é melhor eu falar alguma coisa, porque se não os dois podem dizer algo que vão se arrepender e depois vai ser difícil conserta, porque as palavras tem o poder de ferir qualquer pessoa, mas do que qualquer tapa.
— Eu posso saber, porque você dois, chegaram discutindo deste jeito da fábrica? Oh! Mãe a senhora não iria fazer uma surpresa, para o papai, indo lá na fábrica de chocolates? Pode me explicar o motivo do mau humor por favor. A mesma me diz que é o motivo de sempre, o meu pai defendendo a cobra da minha sogra e que isso a tirava só sério.
— O seu pai, que não pode ver a sua sogra dizer que quebrou uma uma que já está a disposição da mulher, não só para ajudar, como para lhe defender. Falo para a minha mãe, que eles trabalham na mesma empresa, é natural que se algo acontecer, todos vão defender uns aos outros.
— Eles trabalham no mesmo lugar mãe, claro que se acontecer alguma coisa eles vão defender uns ao outros, não é isso que acontece pai? O mesmo me diz que eu estou coberta de razão, que é exatamente isto que acontece.
— Está vendo como a nossa Isabela, entende as coisas melhor do que você Arlene, em questões de segundos, ela entendeu absolutamente tudo, sem nem se quer ela está participando a discussão na fábrica, melhor sua mãe armou um verdadeiro circo, você tinha que ver e a Valquiria ficou lá, parada sem ter reação alguma, ao ataque dela. Só bastou o meu pai falar isso, que a minha mãe começou a dizer, que até na nossa casa, ele queria defender ela.
Digamos que o meu relacionamento com o Carlos, filho mais velho da Valquíria, não anda lá essas coisas, claro! De longe qualquer pessoa percebe que estamos empurrando com a barriga, para não terminar alguma coisa que eu até agora não sei, porque sinceramente não sinto vontade nenhuma de continuar com está relação, porém agora eu preciso pensar em como vou resolver está situação e me livrar desta situação fatídica, porque sinceramente não vejo porque continuarmos nesta situação.
— Vamos fazer assim, eu vou lá na fábrica buscar está papelada, pronto assunto resolvido, assim vocês dois param de brigar, sem contar que vai ser bom para mim, eu aproveito e saio um pouco de casa, desde que eu cheguei só vivo aqui dentro, até às coisas da produtora eu tô resolvendo pelo computador.
Na verdade, eu fui praticamente obrigada pelo meus pais, a tirar férias da produtora, coisa que eu não queria, eu adoro produzir os documentários, ir ver de perto, as dificuldades das pessoas carentes, quem me conhece sabe, mas a uns dias atrás, acabei me metendo numa confusão daquelas, por conta de um documentário sobre garotos de rua, fui filmar em uma parte bem pesada aqui da cidade, como a galera estava ocupada, eu não quis incomodar ninguém para ir comigo, achei que por me verem com a minha câmera, o crachá de identificação da produtora, porque não é porque eu sou dona, que não vou usar a minha identificação, eles iriam ficar tranquilos.
Os meninos até foram educados, se sentiram importantes por está sendo filmados, mas pelo que eu entendi o senhor que domina a área, como eles falam, não gostou nada de saber que eu estava por ali filmado, eu passei um verdadeiro sufoco, para poder me livrar dele, a sorte foi que um deles, teve consideração por mim e me ajudou a me esconder, além de tudo isso, eu não sei como, mas ele conseguiu descobrir aonde eu morava e invadiu o meu apartamento, agora estou aqui, fui obrigada a tirar férias da produtora e além disso vir morar de novo com os meus pais, depois desse tempo inteiro, acostumada a morar sozinha.
Chego na fábrica, peço para o segurança, olhar a minha bicicleta, sim! Apesar de ter alguns modelos de carro a minha disposição na garagem, eu prefiro a minha velha e boa bicicleta.
— O senhor da uma olhadinha aqui para mim? Eu só vou até o escritório do meu pai, pegar uma papelada e já volto. O mesmo diz para não me preocupar que ele vai cuidar da minha bicicleta, como se fosse dele, que eu posso ir tranquila que ele está de olho. O agradeço, seguindo até o escritório do meu pai, na verdade eu conheço este lugar, como a palma da minha mão, afinal de contas eu cresci correndo por dentro deste lugar, quando eu era mais nova, aqui era um paraíso para mim.
Minha mãe costumava vir junto com o motorista na hora de vir buscar o meu pai e era aquela verdadeira farra, todos os funcionários me adorava e eu acabava provando de quase todos os chocolates, porque quando chegada na parte da produção, cada um vinha até a mim com um bombom. A minha mãe ficava de cabelo em pé, porque via a hora, me dá uma dor de barriga de tantos chocolates que o pessoal me entupia.
Demoro um pouco até encontrar a documentação que o meu pai queria, ele tinha me falado, que achava que estava em cima da mesa, mas pela discrição que ele me deu só pode ser este que estava na gaveta, para não dá a viagem perdida, prefiro mandar uma foto pelo w******p, para que o mesmo veja e me diga se estou levando a documentação correta.
com poucos minutos ele me liga, para dizer que é exatamente está papelada que ele precisa.
— Então pode ficar tranquilo pai, porque ela já está nas minhas mãos e daqui a pouquinho eu estou chegando em casa. Como os mesmos ficaram na sala, ainda discutindo por conta da minha sogra, não viram que eu vir de bicicleta.
— Ótimo! Minha filha você pode me explicar, o porquê você não foi em um de nosso carros? Você sabe que não tem problema em pegar qualquer um, ou escolher um para ficar somente você usando, só me dizer qual é que vou mandar o motorista da uma organizada e você já fica andando com ele por aí. Explico para o mesmo que a fábrica não é tão longe da nossa casa, apesar de aparentar ser e que com a minha bicicleta, eu venho e volto mil vezes mais rápido, porque com ela não preciso passar horas no trânsito.
— Não tinha porque eu pegar um carro, se a minha bicicleta faz a mesma coisa e o melhor, eu não preciso ficar enfurnada no trânsito papai, porque com ela, eu posso passar em qualquer lugar. O mesmo diz que mesmo assim, eu deveria ter pego um dos seus carros, porque voltaria mais rápido do que com este meu transporte do outro mundo. Só o meu pai mesmo para pensar uma coisas dessas, é um transporte super atual, todo mundo usa, não quer dizer que o fato de ser filha dos donos da fábrica, eu não possa usar, ou isto é um requisito apenas por ser filha dele?
— Você sempre tão teimosa Isabela, está bem, vou desligar o telefone, para que você possa vir de uma vez para casa. Digo ao mesmo que em questões de minutos estarei em casa, para que ele, nem a mamãe se preocupem.
Assim que começo a me organizar para ir embora, sinto um cheiro diferente, me pergunto de que é este cheiro, já que a fábrica, não produz a noite, a não ser que seja uma urgência, acredito que só aconteceu isto uma vez, quando eles receberam uma entrega muito grande de um chocolate, então meus pais tiveram que dobrar a carga horária, porém todos receberam pelas horas extras o valor certinho por cada noite.
Me assunto ao perceber que tem fumaça entrando por debaixo da porta, tem algum lugar pegando fogo, aqui dentro. Eu preciso ficar calma.
— Calma Isabela! Eu preciso manter a calma, para poder em pensar em uma saída. Minha primeira tentativa é correr para observar a janela, mas eu nunca se quer tinha reparado que era tão alta na minha vida, deve ser porque eu venho poucas vezes a fábrica, por isso nunca prestei atenção neste destalhe, eu nunca quis trabalhar aqui, na verdade sempre gostei desta questão que leva mas o lado da produtora.
— Ok! Pela janela, não tem como eu sair, é muito alto, está na hora de tomar coragem e abrir a porta Isabela. Acho que estou ficando louca, falando sozinha em voz alta comigo mesmo, isto não deve ser normal, ou é numa situação como está, onde eu estou entre a vida e a morte, talvez seja um mecanismo de defesa do meu organismo, mas enfim! Eu preciso focar em uma maneira de sair daqui, caso contrário o fogo pode chegar até a sala do meu pai, mais cedo do que eu espero.
Procuro na sala, algo que eu possa envolver minha mão, para poder girar a maçaneta da porta, eu não sei se ela vai está quente ao ponto de me queimar ou não, mas é melhor não arriscar. Olho para todos os lados, só encontrando a cortina, para minha sorte em cima da mesa tem uma tesoura, não sei para que o meu pai utiliza ela, mas deve ser só questão de organização, corto um pedaço de qualquer jeito, pois o importante é proteger as minhas mãos, de uma possível queimadura.
Seguro na maçaneta e abro a porta de uma vez, torcendo para que dê para sair, mas infelizmente o fogo já está dominando o corredor, como eu vou sair daqui agora? Fecho a porta com força, como se isto, fosse impedir do fogo se alastrar, ou chegar até aqui.
Me desespero ao perceber, que eu não tenho saída, se jogar pela janela não vai adiantar, porque do jeito que é alto, eu vou chegar lá embaixo morta, sair pelo corredor, sem a ajuda de alguém, está fora de cogitação, eu vou ficar nervosa e não vou conseguir chegar se quer na metade do caminho.
Me sento do lado da porta, coloco as mãos na minha cabeça, pedindo por tudo que for mas sagrado, que alguém perceba que este lado da fábrica está pegando fogo, será complicado, pelo fato da fábrica, possui dois grandes blocos, ou seja até mesmo para o próprio segurança se dá conta, será difícil, até porque quando eu cheguei, o mesmo estava indo fazer a ronda, no primeiro bloco, como é grande, a está hora, ele não vai ter terminado ainda.
A fumaça está me sufocando, eu não sei se consigo ficar por mais tempo sem perder a consciência.
Eu não sei como aconteceu, mas quando recobro a consciência, estou nos braços de um bombeiro, ele percebe a minha confusão e começa a se apresentar, perguntando como eu me sinto, eu apenas consigo lhe dizer o meu nome e a palavra obrigado, quando saímos do lado de fora, os meus pais vem ao nosso encontro desesperados, não os julgos, pois eu sei que se tivesse um filho e o mesmo se encontra-se numa situação como a minha no meio do fogo, eu também ficaria aflita da mesma maneira.
O Mateus me deixa sobre os cuidados dos paramédicos, gostaria de ter a oportunidade de lhe agradecer depois, pois graças a ele eu estou viva, tenho certeza que não deve ter sido nada fácil entrar com o prédio em chamas da maneira que estava, mas na verdade, ele está acostumado com essas situações, este meu pensamento foi completamente bobo, isso para ele deve ter sido nada.
— Minha filha que susto você nos deu, quando o segurança ligou para o seu pai, eu quase caio para trás. Minha mãe diz me abraçando e logo em seguida colocando a mão em cima do coração, demostrando o seu nível de preocupação.
— Está não foi a intenção mãe, eu nunca imaginei que a fábrica um dia pegaria fogo, até porque vocês sempre foram bem rigorosos com a questão de sempre ter um controle nesta parte, até achei estranho o cheiro de fumaça, no começo imaginei ser que estavam produzindo chocolates, mas depois lembrei que vocês não costumam ter horário noturno e que dá última vez que isto aconteceu, vocês pagaram todas as horas extras de cada funcionário.
Meu pai diz que eu estou certa, que já faz um bom tempo que a fábrica deixou de funcionar a noite toda, só o horário de dia, eu imagino que não deve ser proveitoso para os mesmos, já que aposentaram este horário.
— Confesso filha que quando a sua mãe me disse o aviso do segurança, o meu coração foi nos pés, viemos correndo para cá. Todos estão em cima de mim, garanto a todos que estou bem, que provavelmente desmaiei por conta da quantidade de fumaça, mas que não vejo necessidade de ir até o hospital, já que estou me sentindo bem.
— Não há necessidade que eu vá ao hospital mãe, eles acabaram de me examinar, minha respiração já está normal, foi apenas um desmaio ali na hora por conta da fumaça, agora por favor eu posso ir agradecer a equipe de bombeiros que trabalharam em equipe e conseguiram me resgatar com sucesso, graças a união deles.
Porque eu sei que para o Mateus ter chegado até a mim, ele teve a ajuda da sua equipe, não posso dá o mérito somente a ele, claro! O mesmo foi corajoso, chegando até a mim, mas os seu companheiros também merecem ser valorizados.
— Quero agradecer a cada um de vocês, em especial ao bombeiro Mateus que arriscou sua própria vida para me salvar, obrigada, pois se não fosse por você, eu não sei o que teria acontecido comigo. O mesmo me olha e diz que ele não fez mas do que sua obrigação, fico encantada com o seu jeito de falar, a segurança dele ao falar sobre a sua profissão me deixou sem palavras.