ANALU NARRANDO
As meninas foram embora já tem uma semana, e confesso que já me sinto sozinha nessa cidade, não tenho com quem conversa e provavelmente vai ser o ano todo assim.
Dudu - já tá indo? - ele pergunta quando me vê tirar o avental e eu confirmo
Analu - o pior é que meus pais queriam o dinheiro pra hoje, e nem a Liz e nem o seu Carlos tinha pra me adiantar - falo um pouco preocupada
Dudu - o que vai acontecer? - ele pergunta e eu dou um sorriso sem graça
Analu - eu vou ter que ir no morro negociar com o dono, e se não for feita a negociação os meus pais vão morrer - falo e ele me olha assustado
Dudu - não tem medo não? - nego
Analu - eu tenho que me arriscar Dudu, por mais r**m que eles sejam comigo, eles ainda são os meus pais, eu não vou deixar eles morrer nas mãos daquele homem - falo e ele concorda
Dudu - se eu tivesse te arrumava agora, mas sabe que eu não tenho
Analu - eu sei amigo, mais deixa eu ir antes que eu chegue muito tarde lá
Dudu - tu vai hoje? - confirmo
Analu - pedi para os meus pais segurar o dono do morro lá que eu já estava chegando para negociar a dívida - falo e ele concorda
Dudu - boa sorte - ele beija o topo da minha cabeça e eu saio dali indo pra casa, meus avós não concorda com isso, mas eu me sinto nessa obrigação, deveria deixar eles lá pra morrer, mas eu não consigo, não consigo imaginar que os meus pais vão morrer sem eu pelo menos tentar fazer alguma coisa.
Chego em casa e está tudo calado, meus avós não está aqui, eu sei que eles saíram, só pra não me ver saindo daqui para resolver problemas dos meus pais. Pego a minha mala e coloco minhas roupas, vou ficar uma semana lá, já deixei avisado nos dois serviços que não viria essa semana e eles ficaram de boa.
Termino de colocar as roupas e pego a minha frasqueira, coloco meus perfumes e meus pertences pessoais na mesma e chamo um taxi, enquanto tomo um banho. Visto uma calça branca e um cropped marrom bem claro, jogo uma jaqueta por cima e calço meu tênis branco com marrom, o aplicativo avisa que o taxi chegou e eu desço e tranco toda a casa, deixei uma mensagem para minha avó e para o meu avô e saio, indo rumo ao aeroporto de Guarulhos, pois aqui não tem nenhum aeroporto, o máximo é um metrô, prefiro pagar o taxi para me levar até lá do que ir apertada dentro do metrô.
{ . . . . . . . }
Depois de 4 horas de viagem, tanto de carro como de avião enfim me encontro no Rio de Janeiro, já são quase 23:00 horas da noite, minha sorte é que eu tenho o número do taxista lá do morro, fica mais fácil pra me levar, por que a maioria deixa lá na entrada, pois tem medo de subir a favela, a verdade é que até eu mesma tenho medo, sempre odiei passar perto dos envolvidos, mas não se enganem eu tenho medo mais não abaixo a cabeça pra nenhum deles, o que concerteza me faria morrer mais rápido, mas não consigo me segurar, quando vejo eu já falei.
Quando ele me deixa na porta da minha casa eu desço e pago o mesmo, pego as minhas malas e quando entro dou de cara com os dois amarrados e ajoelhado na sala, bateram muito pois tem sangue escorrendo no rosto do meu pai e minha mãe está toda roxa.
Analu - mãe - falo indo até eles mas sinto meu braço sendo puxado
Morte - é bom tu ficar longe se não quiser ficar igual a eles - ele fala sério e eu me tremo na base, tudo bem que nessa hora meu cu não passava nem agulha, mas parece que eu resolvi desafiar a morte.
Analu - São os meus pais que estão ali, então eu vou sim até eles e não vai ser você que vai me empedir - solto o meu braço dele e vou até eles, tem três homens aqui dentro, me faz ter medo, mas tento não demonstrar pra eles.
Samella - cadê o dinheiro Ana Luiza? - ela fala antes mesmo de chegar até elas
Analu - mãe não dá pra pegar dois mil toda semana pra pagar a boca de vocês não, dinheiro não cai da árvore
Júlio - tu tá querendo que seus pais que te criou morre?
Analu - não pai - falo fria - mas agora não dá pra mim passar isso pra vocês, eu prometo que eu vou falar com o pesadelo, eu vou fazer ele entender a situação - falo e escuto um raspado de garganta atrás de mim.
Pesadelo - tu entra na minha quebrada sem ser convidada, mete o louco com o meu sub, e acha mesmo que eu vou fazer negócio contigo? Em qual mundo tu vive garota? Meu único negócio aqui vai ser eles pagar ou morrer agora - sua voz é tão fria que me faz arrepiar toda, da pra ver o tão c***l esse homem é, só pela sua voz, e logo eu que vivia correndo dele nesse morro agora encontro ele aqui na minha casa.
Analu - Eu não tenho o dinheiro pra pagar agora, a gente pode negociar pô, no prejuízo tu não vai ficar - falo me virando para ele e p**a que pariu que homem lindo, corpo malhado cheio de tatuagens, olhos castanhos e cabelos pretos, não sou fácil pra nenhum homem, mas se não fosse essa situações concerteza eu ficaria com ele, nossos olhares estão fixado um no outro, ele parece me analisar enquanto eu espero uma resposta
Pesadelo - sem dinheiro sem negócio, pode matar - eles aponta o fuzil para os meus pais e eu me desespero
Analu - POR FAVOR NÃO, EU VOU PAGAR ESSAS PORCARIAS - grito um tanto desesperada e ele parece está se divertindo
Pesadelo - acabou de dizer que não tem dinheiro
Analu - eu passo 2 mil todo mês - ele n**a
Pesadelo - matem eles logo - ele dá a ordem
Analu - espera, eu vou da um jeito, só esperem - falo e ele faz sinal pra eles parar, pego o meu celular e vou para fora da casa e ligo para os meus avós, mais nenhum me atende, ligo sem parar e nada, o que eu faço? Eles vão matar os meus pais se eu voltar lá sem nada, minhas lágrimas caem incontrolávelmente no rosto, não quero perder os meus pais, penso quando caminho pra dentro e abro a porta.
Samella - leva ela - a minha mãe fala assim que eu entro na sala e o pesadelo que está ali me olha com um olhar frio
pesadelo - ok - ok?
Analu - levar eu pra onde samella? - pergunto e todos ficam sem falar nada - QUE p***a VOCE FEZ SAMELLA? EU SOU SUA FILHA CARALHØ - grito com ódio porque eu sei exatamente o que eles fez, viro para ele que está ali me observando - quanto eles devem?
pesadelo - 200 mil - ele fala frio e seco
Analu - que merda de bandido que você é que deixa uma pessoa compra 200 mil de droga caralhø? - ele se levanta e vem até mim e eu dou passos para trás até encostar na parede.
pesadelo - tu não testa minha paciência, pois eu não bato em mulher e não quero que você seja a primeira em que eu vou fazer isso garota - ele fala com sua voz rouca em um tom frio
Analu - eu vou pagar dois mil por mês, mas pra isso eu vou voltar pra minha cidade e te mandar essa p***a todo mês - ele da uma risada sinistra
pesadelo - tu só sai desse morro morta, a partir de agora tu é minha, a dívida é sua, e vai pagar a boca com o serviço que eu quiser que você faça - ele fala e eu nego
Analu - não vou ser sua p**a - falo e ele me encara
Pesadelo - vai ser o que eu quiser - ele se aproxima e segura meu braço me puxando pra ele - você foi vendida pra mim, se eu quiser te torna p**a de luxo eu torno, pois eu sou o teu dono a partir desse momento.