Quando ela saiu, muitos dos outros membros já haviam chegado e colocavam seus mantos sobre suas roupas, mas aquele não era o estilo de Micaela, ela gostava de ser perfeita nos mínimos detalhes, um velho se aproximou dela, Micaela não precisou se virar para ver, o corvo havia pousado em um ponto onde ela podia ver toda sala pelos olhos dele, era claro que todos ali sabiam da presença da criatura, mas ninguém se importava, havia homúnculos, diabretes e quimeras servindo aos seus mestre, um corvo de trevas não era nada.
— Senhorita Foster como tem andado? — O velho abriu um sorriso de pura vaidade, isso fez com que Micaela fizesse um expressão de puro nojo, o General Ian Jackson era uma das pessoas mais poderosos da Ordem depois do Mestre, mas seu poder era rivalizado apenas pelo asco velado que a maioria dos membros femininos sentir por ele.
Micaela se voltou na direção dele com seu melhor sorriso, ele lhe tocou a mão e Micaela deve de se contar para não puxá-la. — Vou bem meu Mestre, vejo que o Senhor tem trabalhado muito na ausência do Grande Mestre...
General Jones podia sentir a ameaça implícita na frase, por semanas ele vinha manipulando os mais poderosos membros do Círculo Interno na intenção de tomar a liderança, ele sorriu sabia que não seria uma menininha a colocar seus planos a perder, ele seria o Grande Mestre e todos se curvariam perante ele.
— Você mais que ninguém deveria saber que o bem de meus irmãos está sempre em primeiro lugar. — Talvez uma das maiores capacidades do ser humano é disfarçar seus sentimentos, a Ian fazia isso muito bem, mas Micaela não estava mais olhando para ele, seus olhos estavam na pessoa que acabará de entrar no ambiente, Ian se virou e viu o Grande Mestre descendo a escada.
O Grande Mestre era bem mais jovem que a maioria dos demais membros do Círculo Interno, apenas Micaela era mais jovem com ele, com seus trinta anos Carl Kent já era um bilionário, um gênio na arte de vender ideias que fez de uma pequena livraria, uma das maiores redes editoriais do planeta, ele era aos trinta e três o que muitos sonham ser, rico e bonito, Carl se aproximou dos demais membros do grupo falou com eles e se retirou precisava se preparar para o rito daquela noite.
Carl era um dos homens mais perigosos do submundo traficante de drogas e armas, porém ele queria mais, ele desejava um por além da compreensão mortal, Carl desejava o poder sobre as vidas e almas em escala global.
Quando Carl deu por si alguém batia na porta. — Um momento já estou saindo. — Carl mantinha o dom de voz suave, mesmo sabendo que aquela noite daria a ele a possibilidade de mudar tudo que se conhecia como realidade, Carl saiu do vestiário e viu um dos postulantes ali parado. — O que deseja meu caro? — Carl era assim tentava fazer parecer que todos eram iguais, mesmo que não fossem.
— Os sacrifícios chegaram Grande Mestre. — Aquilo alegrou ainda mais Carl, com aquelas ações seria infinitamente mais fácil canalizar as energias e fazer o que era necessário. — Os demais membros aguardam o Senhor. — O jovem fez uma reverência e saiu, deixando Carl sozinho por um instante.
Carl caminhou calmamente até o centro da sala de ritos, oitos jovens estavam amarradas e amordaçadas, apesar das belas roupas eram moradoras de rua, pessoas ninguém daria falta, fez-se silêncio na sala, Carl pessoalmente faz runas e símbolos arcanos nos chão.
— Estamos aqui hoje, pois precisamos de algumas informações. — Os demais membros se entre olharam, eram raras as situações que seu líder admitia não saber de algo. — Hoje invocaremos um ser de grande poder, traremos aqui um Demônio para que ele nos diga o que precisamos saber.
O se reuniu e começaram a entoar o cântico ritualístico, depois de algumas horas de canto ininterrupto e ingredientes sendo colocados em locais precisos, às oitos jovens foram levadas ao círculo e uma por uma tiveram suas gargantas abertas, de repente as sombras se moveram e tomando a forma de um ser com grandes asas.
— Quem ousa nos invocar? — O Ser tentou se mover, mas a runas no chão o impediu. — Nós que somos uma legião não seremos escravos de seres humanos.
— Eu lhe invoquei, sei seu nome legião, você foi batizado de Chelvidma. — No mesmo instante a criatura começou a gritar e se contorcer de dor, Carl sorriu gostava de demonstrar sua força, depois de alguns minutos o ser parou e se curvou.
— O que deseja meu Mestre? — Disse a criatura.
— Ouvi histórias que um artefato de grande poder esta para ressurgir em nosso mundo, quero saber o que é? E como eu posso tomar posse deste artefato? — Carl podia ouvir a respiração acelerado de seus companheiros, todos ali estavam surpresos com o nível de informações que o Grande Mestre possuía. — Diga-me agora e o libertarei de seu suplício.
— Sim Mestre, este boatos são verdadeiro, seu mundo está próximo a entrar em uma nova Era de dor e caos, o Filho Daquele lá de Cima escolheu um representante e vai dar a ele a arma que o feriu. — O demônio estalava ao falar, como se fosse gravetos no fogo, Carl se aproximou e ficou olhando o demônio bem te perto, como quem tenta decidir se o demônio estava ou não dizendo a verdade. — Mas também sabemos do segredo que você esconde Mestre.
Um sorriso brotou nos lábios do demônio, com um único movimento Carl fez o demônio desaparecer, ele caminhou rumo aos vestiário, o silêncio ficou ainda maior, mas ninguém teve a coragem de perguntar nada ao Grande Mestre, Micaela sorriu.
A Armadura e a Lança
Um mês havia passado e não haviam encontrado nada, todos os envolvidos na escavação já estavam desanimados com a falta de resultados das escavações, mas James e Alexander tinham convicção que o artefato se encontrava cada vez mais perto, era só uma questão de tempo até que eles encontrassem a Lança da Destino.
James pediu que os escavadores cavassem mais ao norte, depois de alguns dias os escavadores encontraram alguns artefatos comum, mas era muito melhor do que tudo que já havia sido descoberto em todo o período em que estavam ali, foi quando encontraram uma arca, um dos escavadores correu para chamar James e Alexander.
— Senhores encontramos uma arca onde nos mandou cavar, precisamos dos seus conhecimentos para saber se é ou não prudente abri-la. — Os olhos dos dois brilhavam de excitação, eles poderiam ter achado a tal desejada Lança do Destino. — Sigam-me!
James e Alexander caminharam seguindo o líder dos escavadores por alguns minutos até que chegaram ao local em que os escavadores estavam, Caim já estavam lá olhando para a arca, Alexander olhou sério para Caim que respondeu o olhar com um sorriso c***l.
— Veja James achamos o que estávamos procurando. — Caim parecia animado com a nova descoberta. — Acham que a lança está aí?
James e Alexander começaram a preparar a arca para transferi-la de local seria necessário muito tempo para os estudos, precisavam fazer um teste de carbono quatorze, alguma relações com a história descrita no pergaminho.
Por dias eles trabalharam na arca sem abri-la, era necessário ter muito cuidado era comum que houvesse armadilhas nos seu interior, mas não parecia que houvesse nada de errado lá dentro, agora era só uma questão de abrir a tranca sem quebrá-la, com o tempo e muito cuidado a tranca pode ser aberta, os olhos de todos se voltaram para a interior da arca.
— Isso é incrível! Nunca imaginei que isso fazia parte dos artefatos. — James olhou ao redor e com um grande sorriso no rosto Alexander estava espantado com a nova descoberta. — Isso provavelmente é a armadura usada pelo soldado que feriu a Christus, essa armadura pode ter sido tocada pelo sangue do seu Redentor, Todd. — James parecia ainda mais feliz que o próprio Alexander, ele olhava para Caim que parecia um tanto quanto decepcionado com a nova descoberta. — Isso é a prova real que Christus existiu, apesar de nada provar a existência de Deus.
Alexander bufou e ficou estudando alguns manuscritos que também estavam na arca, eram relatos do soldado que havia ferido Christus:
“Depois de ferido o homem que estava causando toda aquela comoção, minha alma foi tomada por uma profunda tristeza, eu não conseguia conceber quem era aquele homem, mas sabia que tinha feito algo muito errado, o sol se escondeu quando ele foi ferido e a terra tremeu, será que a ira de Deus havia caído sobre nós?
Sinto-me estranho, tenho desejos profanos por sangue e carne humana, o sol vem me causando um desconforto, isso tem ficado cada vez mais forte.
Hoje meus desejos atingiram o limite não pude me conter, rasguei a garganta de um dos homens que estavam comigo e bebi de seu sangue, depois disso, não satisfeito abri sua barriga e comi o que havia em seu interior, devo admitir cheio de vergonha e medo que foi maravilhoso. Depois disso, não conseguia conviver com a vergonha e tentei me enforcar, mas nem a morte quer me receber.
Mas não devo mais caminhar junto a eles, meu lugar é sozinho, longe de qualquer pessoa que eu possa ferir, depois de me alimentar a lança e a armadura começaram a me queimar como ferro em brasa, fui depositá-las neste deserto e espero que um dia elas possam ser usadas de maneira justa.
Espero que você que esteja lendo isso seja justo e reto.
E que os Deuses ou Deus caso existam tenho piedade de minh’alma.”
Alexander ficou estático olhando para o pergaminho que estava em suas mãos, era uma relato em primeira pessoa, uma relato desesperado de alguém que se arrependia do maior erro da sua vida, e nem mesmo a morte o aceitava, ele ficou ali em silêncio olhando para o pergaminho.
— Alexander o que houve? — James estava parado ao lado dele com um cigarro na boca e um copo de uísque na mão parecia bem preocupado com o ex-aluno. — Estou te chamando a mais de dois minutos e você nem mesmo piscava.