Já era noite quando James e Caim voltaram ao hotel, jantaram juntos, conversaram, riram e beberam juntos, mas cada vez que ele olhava para Caim, se sentia mais e mais desconfortável.
— Senhor Todd, James me disse que o Senhor e católico, como se sente fazendo parte de algo que vai mudar sua religião? — As palavras de Caim causavam calafrios em Alexander, algo nele não era confiável. — Saiba que eu estarei sempre próximo para ajudá-los.
No instante que Caim disse isso Alexander sentiu um tipo de pontada, Caim estava mentindo, mesmo não sabendo como ele sabia disso, Alexander se forçou a sorrir, mas em seu coração, ele sabia que teria de ficar de olho nele, em algum momento Caim iria agir contra eles.
— Quais são as suas ordens Caim? — Alexander queria testar se a sensação que tinha dito voltaria. — Fale-nos sobre suas qualificações para este trabalho.
— Meu trabalho é acompanhar vocês e protegê-los. — A pontada voltou, a mentira era o que ativava aquilo, era estranho. — Sobre minhas qualificações, acho que não tenho as mesmas que os senhores.
O sorriso de Caim dizia muito mais do que Alexander gostaria de saber, Alexander terminou o seu jantar e voltou para o seu quarto, eles teriam um longo dia amanhã com o começo das escavações, novamente os sonhos de Alexander foram de morte e dor.
Quando ele acordou, o sol ainda não havia nascido, eles precisavam chegar ao Deserto o mais cedo possível, o clima era sempre um mistério em um deserto, ninguém conseguia saber o que esperar de um lugar tão inóspito quanto aquele.
Alexander desceu e comeu com todos que iriam com eles para o sitio arqueológico, ficaram alguns minutos discutindo detalhes técnicos como a localização das barracas e locais de prováveis escavações, Caim permaneceu calado, observando a conversa perdido em seus próprios pensamentos.
— Caim, vai ou não se unir a eles em uma oração? — James estava ao lado de Caim sorrindo, Caim olhou para cada uma das pessoas ali e sorriu, era um sorriso forçado, mas ninguém pareceu perceber isso, ao terminarem a oração juntaram as coisas e foram para o deserto de Negueve. O Deserto ficava no extremo sul de Israel, poucas almas se aventuravam a morar naquele lugar, viajaram por horas buscando a localização no mapa e as comparando com a cópia que haviam feito do pergaminho, foi quando Caim puxou assunto com James. — Onde foi mesmo que você conseguiu este pergaminho James?
— Um dia um amigo me ligou de Londres e me disse que ele havia adquirido um pergaminho que parecia ser muito antigo e que ele precisava que eu certificasse que era original. — A cara de James era de quem se divertia contando aqui, mas Alexander sabia que James não estava dizendo a verdade. — Imagina minha surpresa quando descobri que o pergaminho continha a localização da Lança do Destino, quais as chances disso acontecer?
— Realmente as chances são quase nulas... — As palavras de Caim morreram em seus lábios enquanto ele olhava para o horizonte. — Nós estamos indo para aquela área ali não é James? — Caim apontava uma serie de elevações, o motorista fez várias observações sobre a área.
“O Senhor esteve por aqui e agora me faz trilhar o mesmo caminho, mas ainda não consigo compreender os porquês disso tudo”. Alexander olhava para o céu conversando com Christus havia um plano em tudo aquilo, ele só não conseguia entender qual. “Os planos de Deus são infinitamente maiores que nós, foi assim com o Senhor e está sendo assim comigo, mas não existe trevas que dure para sempre, na hora certa toda verdade virá à tona”.
Quando chegaram ao local da escavação os operários se colocaram a montar as barracas, alguns auxiliares começaram a montar equipamentos científicos James, Caim e Alexander começaram a examinar o local, buscando prováveis sinais que pudessem atestar o que estava escrito pergaminho.
— Não existem mais sinais daquela época. — A frustração era evidente na voz de Caim, ele olhava para a cópia do pergaminho e olhava ao redor tentando reconhecer algum ponto de referência. — Aqui temos árvores, um riacho que não estão nesta área, talvez estejamos no local errado.
— Isso foi há quase dois mil anos, não se prenda as imagens, temos de ler o texto e tentar achar uma localização aproximada do local. — James dá um olhadela no texto e aponta para Caim. — Veja aqui ele relata que na hora mais quente do dia se protegiam na sombra de monte gêmeos. — James apontou para sua direita e sorriu. — Os únicos monte parecidos são aqueles, estamos no local certo.
— Isso nos dá o que? Dois quilômetros de área para procurar? — Caim tinha um ar de deboche em seus olhos que irritaram Alexander. — Ainda assim é muita coisa.
— O que esperava um “x” marcando o lugar? — Alexander sorriu ao ouvir a resposta de James. — Isso é o mais preciso que temos, provavelmente a lança foi guardada dentro de algo, pelo restante do relato o romano estava com medo de uma maldição, disse que via anjos e demônios, mas também dizia que voltaria para buscar a Lança.
— Só o fato de termos acesso a estas informações já nos coloca mais perto que qualquer outro pesquisador, a exatidão não é uma coisa comum na arte da escavação. — Alexander contemplou o horizonte, quando algo lhe chamou, havia um ponto luminoso no chão, talvez um vidro, mas o mais estranho é que seja lá o que estivesse produzindo a luminosidade estava na sombra e pulsava. — Vejam ali, tem alguma coisa produzindo luz.
James olhou na direção que Alexander apontava. — Não estou vendo nada Todd, Caim você consegui ver alguma coisa? — James continuou olhando para o local indicado por Alexander, Caim olhou para Alexander e pareceu refletir sobre o que o Professor havia dito, como se absorvesse a nova informação.
— Não vejo nada também, talvez o Professor Todd pudesse nos levar até o tal ponto. — Alexander parou e olhou para Caim e James, ele podia ouvir os sons das barracas sendo armadas e do poço sendo furado, ele começou a caminhar na direção do ponto luminoso. — Deveria ser aqui, mas não tem nada aqui Professor...
— Acho que o sol está te fazendo m*l Alexander, vamos voltar para o acampamento. — James foi na frente fazendo piada de Alexander que se mantinha em silêncio, depois de alguns metro olhou para trás e novamente viu o brilho aquilo o irritou muito. — Vamos Alexander para de perder tempo buscando coisas invisíveis.
Alexander se voltou para os companheiros e caminhou apressadamente, algo lhe trazia uma sensação r**m, ele sabia que não vinha de Caim, era algo infinitamente pior, algo que fazia suas entranhas se revirarem, algo que os observava.
O dia foi passando e Alexander começou a ajudar os operários, ele tinha pressa em sair dali o mais rápido possível, logo haviam terminado os preparativos para o começo das escavações, como ainda havia bastante luz do dia começaram a cavar, enquanto um segundo grupo fazia a instalação elétrica de todo o acampamento.
Era apenas uma questão de tempo, a Roda dos Mundos já havia começado a girar e cada segundo ficava mais rápido, era só uma questão de tempo até que as força universais empregassem todas as suas forças em uma batalha que vem acontecendo desde o inicio dos tempos.
Abrem-se as Cortinas
Nova Iorque, seis de agosto de dois mil e um.
Já era noite quando ela entrou em uma livraria na Sexta Avenida, ninguém pareceu perceber a jovem indo para os fundos o da loja, lá havia apenas um homem sentado com um ar abatido, mas bastava olhar em seus olhos e você saberia que ele poderia matá-lo em segundos.
— Boa noite, Micaela, como está o tempo lá fora? — Micaela olhou bem nos olhos do homem sem demonstrar medo algum, era como se ele devesse temê-la, talvez devesse mesmo.
— Parece que vai chover Jack espero que tenha trago o guarda chuva, vai ser uma noite daquelas. — Sorriso brotou nos lábios de Micaela, inconscientemente Jack se encolheu, Micaela abriu ainda mais o sorriso, em seus olhos brilhava o fogo da maldade. — Já estão todos aí?
— Sabe como eles são, velhos, chatos e sempre atrasados, apenas uns poucos estão lá embaixo. — Segundos depois de falar Jack percebeu que havia cometido um erro, falar m*l dos lideres na frente de um m****o do Círculo Interno era uma grave ofensa, Micaela pensou em puni-lo por falar daquela maneira, mas escolheu que era melhor ter esta carta na manga, caso um dia fosse necessário. — Desculpe minha falha.
— Você sabe que qualquer outro teria lhe matado imediatamente, eu vou deixar esta passar, mas você fica me devendo um favor. — Era assim que Micaela mesmo sendo tal jovem estava entre os mais poderosos membros da Ordem dos Bruxos de Sangue, prendendo todos que podia a sua teia de favores. — Vamos deixar isso só entre nós três?
— Três? Micaela apontou para um ponto acima da cabeça de Jack, olhando para lá ele pode ver, havia um corvo n***o como piche com olhos vermelhos, olhando para eles. — Um pássaro mensageiro, você nunca deixa nada escapar né?
Jack conhecia as habilidades daquela criatura do Reino das Trevas, um pássaro mensageiro era capaz de reproduzir imagens e sons que visse, além de manter um elo mental com seu criador fazendo com que seu mestre veja e ouça tudo que ele ouvisse, era como uma filmadora com penas.
— Nunca se sabe quando uma oportunidade vai bater a nossa porta. — Micaela começou a descer as escadas sorrindo, o pássaro a seguiu, e Jack sabia que de agora em diante deveria obedecer a Micaela, muitos haviam morrido apenas por ficarem no caminho dela, Jack não queria entrar para está lista.
Micaela desceu calmamente rumo ao vestiário, precisava estar pronta quando o mestre começasse os ritos, era de a sua natureza ser necessário, há alguns dias andava ouvindo rumores que algo grande aconteceria hoje, fosse o que fosse, ela tinha de estar dentro.