Prefácio
Jerusalém,
Ano trinta e três D.C.
No alto do Monte Calvário, três cruzes são preparadas, porém, mas abaixo, homens são torturados, humilhados para mostrar o poder do Império Romano, entretanto tudo fazia parte de um plano maior de Deus, pois, havia entrega o próprio filho em honra a nós mortais, em um mundo corrupto e podre.
Dor, solidão, um peso de eras passadas e futuras, por nós mortais, tudo isso sobre o ombro de um único homem.
Alguém que esteve ali e lutou, falando de amor, companheirismo, união, honra, perdão, fazendo-nos ver que todos somos parte do Criador, e mesmo assim foi traído por muitos do que andaram com ele, posso dizer melhor, os que com ele caminharam, comeram, beberam, dormiram ao seu lado, porém estes não o conheciam.
Alguns viam o profeta, outros os mestres, porém quem via o homem? Aquele que alimentos uma multidão com cinco pães e dois peixes, que amou um amor sincero e sem orgulho.
Mesmo assim ele andou por um longo caminho sofrendo com um vil criminoso, sendo seu crime dizer a verdade, unir o homem ao seu criador.
Mais não o veja como algo maior que você e eu, ele era tão humano como qualquer um de nós, sentiu fome, medo, sede, solidão e duvida.
Sim, Christus era humano, tão humano que sangrou. Em seu suplício, ele encontrou quem lhe cuspisse na face e quem jogasse pedras nele, ainda assim encontrou forças para perdoar um ladrão.
Mais havia depois de tanta dor era chegada à hora de que ele voltaria ao criador, assim ele morreu, porém deve seu lado trespassado por uma lança, e dele saíram sangue e água...
O céu se escureceu e todos que ali estavam perceberam o quanto errados estavam, uns mais que os outros.
A arma que feriu Christus se perdeu e reapareceu pelos séculos e séculos, mas seu nome nunca será esquecido, pois ela é a Lança do Destino.
Vamos Mudar o Mundo?
O que você faria se soubesse do futuro? Se soubesse que você pode mudar o mundo, mas com um alto preço.
Sangue e dor caminhariam ao seu lado e ninguém no mundo poderia ajudá-lo a carregar seu pesado fardo.
Se os homens abrissem os olhos e vissem tudo que os cercam, com certeza ficariam loucos, agora ele sabe disso, olhando para trás ele pode ver que o seu mundo, seu fé, sua vida nunca mais tornará a ser o que era.
Alexander Todd estava tendo um dia comum em seu trabalho como Professor na Universidade de Harvard, já havia dado suas aulas, agora olhando seus pergaminhos e tentando compará-los a Bíblia, quando sua secretaria bateu na porta.
— Senhor, desculpe incomodar, mas o Senhor tem uma visita... — Alexander levantou a cabeça, Anne sabia que não era prudente interrompe-lo, Alexander era conhecido por ser muito obcecado por ser trabalho, além é claro de suas características físicas, ele era n***o, um metro e noventa, olhos castanhos, longos dread, que o fazia parecer mais um aluno que um Professor, mas era uma das maiores autoridades sobre o Cristianismo no mundo.
— Seja lá quem for Anne, pode voltar amanhã, não tenho muito tempo para ler os Pergaminhos do Mar Morto, logo terei de devolver. — Alexander abaixou novamente a cabeça e Anne saiu, ele suspirou, achando que talvez tivesse sido arrogante com ela, mas já havia feito, não podia desfazer, lembrou-se de anotar que deveria pedir flores para ela como um pedido de desculpa, quando um barulho lhe chamou atenção, uma discussão do lado de fora de sua sala, seguida pela a******a da porta de maneira nada amigável, Alexander viu a pessoa que havia feito isso, ele não se surpreendeu ao ver seu antigo Professor entrando com a cara amarrada e a passos largos. — Olá Mestre, não sabia que era o Senhor, sente-se e me diga o que lhe trouxe a aqui.
— Você deveria começar me pedindo desculpa pelos seus modos garoto. — O Professor de Alexander ainda era exatamente como ele lembrava, cheio de energia e com suas roupas sempre amarrotadas. — Mas vamos deixar isso de lado, como vai meu mais brilhante aluno? Ainda preso pelo pé pela sua religião?
— Eu nunca estive preso pelo pé, apenas vivo uma vida de fé, ao contrário do Senhor Professor James. — Depois de responder Alexander achou que sua resposta era ácida demais. — Mais o Senhor não veio até aqui apenas para me bajular, o que está acontecendo?
— Eu acredito em mim e na historia, os fatos nunca mentem, mas não foi para discutir religião que eu vim aqui, preciso da sua ajuda em meu novo projeto e você sem sombra de dúvida e a pessoa mais apaixonada pelo tema que eu conheço, você é quase um fanático. — James Daniel gargalhou com sua zombaria, mas logo voltou ao foco da conversa. — Preciso de você para achar a Lança do Destino, tenho mapas e autorizações para escavar nos lugares que acho que está a lança.
Por alguns instantes Alexander ficou em choque, James estava lhe propondo que buscássemos a arma que feriu o Redentor, James sabia que Alexander não resistiria a este convite.
— A “Hasta libatis”, a Lança do Destino... — As palavras saíram da boca de Alexander quase como uma oração e ficou suspensa no ar. — Muitos procuraram a Lança, mas ninguém nunca teve prova que ela ainda existe.
— Eu lhe ensinei isso lembra? — James não era conhecido por sua modéstia, mas era um bom homem aos olhos de Alexander. — Vamos Todd, pensei um pouco, por que eu viria aqui falar com você?
— O Senhor tem novas informações sobre a Lança... — Um sorriso brotou em seu rosto, era como um sonho estar recebendo aquele convite. — E as permissões para as escavações?
— Não é minha primeira escavação Todd, você além de ser umas das maiores autoridades em história do cristianismo é alguém em quem confio. — James retira do paletó surrado um cilindro com uma aparência muito antigo e entrega a Alexander. — Olhei isso...
Alexander calça luvas e começa a olhar o cilindro, parece ser romano, um objeto comum, havia um tipo de tampa, ele a retira, lá dentro tem um pergaminho em perfeito estado de conservação, está escrito em latim, o rosto de Alexander perdeu a cor e por pouco não deixou cair o pergaminhos, se aquele pergaminho fosse original, eles estavam prestes a fazer uma das maiores descobertas da humanidade. — Quando partimos?
James sorriu e deu um tapinha na perna, era uma das marcas dele, se levantou e apanhou o pergaminho e o guardou, caminhou até a porta, olhou para o antigo aluno. — Você tem três dias para se organizar, vou resolver outros assuntos, nos vemos mais tarde, mandarei um carro buscá-lo às vinte horas para um juntar com nosso mecenas.
Alexander ficou ali olhando para a porta, como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo ele saiu de sua sala e foi falar com o reitor, precisava resolver todos os assuntos que poderiam prendê-lo ali, era uma oportunidade única e ele não a desperdiçaria.
Depois de resolver seus problemas Alexander foi a Capela de St. Paul, onde pediu a Deus força e fé para entender os porquês de sua missão, uma parte dele se enchia de orgulho, como um órfão criador no Hope’s Promese agora estava às portas de fazer algo que nunca seria esquecido, neste momento ele ouviu uma voz falando com sua alma: — “Os humilhados serão exaltados.”
Deus sempre falou diretamente ao coração dele, era isso que alimentava sua fé inabalável, mesmo que muito zombassem dele, ele sabia, sempre soube que alguém estava olhando por ele.
Ele caminhou para seu dormitório, onde descansaria antes do tal jantar, Alexander tomou um banho e se vestiu, precisava estar pronto para quando o motorista ainda faltavam meia hora, mas ele estava muito animado com a possibilidade, acabou adormecendo, e deve sonhos com relâmpagos e destruição, acordou sobressaltado com alguém batendo na porta.
— Sim, quem é? — Ele sabia, mas sempre teve de perguntar isso.
— Sou o motorista que buscá-lo para o jantar, estarei no carro está esperando o senhor. — Ele ouviu os passos se afastando, apanhou seu terno, sua bolsa e foi para o carro, o motorista abriu a porta para ele e assim saíram rumo ao jantar, em pouco minutos estava na porta do restaurante, quando entrou e disse quem estava procurando um garçom o levou até a mesa onde James estava com o tal mecenas, um homem de meia idade, muito bem vestido, James e ele receberam Alexander de pé, o homem tinha um aperto de mão firme.
— Alexander Todd este é o Senhor Mark McCarter, Senhor Mark McCarter este é o Professor Alexander Todd, agora que Alexander chegou podemos começar a reunião. — James parecia mais animado que o normal para um homem de quase setenta anos, ele era incrivelmente bem disposto, falaram sobre a viagem o Senhor McCarter fez várias perguntas sobre o local onde escavaram e sobre o montante de dinheiro para fazer isso.
Depois de horas conversando se despediram e cada um seguiu seu caminho, Alexander voltou para o alojamento onde arrumaria suas coisas para ir para casa em Manhattan, Nova Iorque, onde esperaria pelo dia do embarque, foram dias calmos, em que Alexander passou a maior parte do tempo na paróquia que frequentava ou no orfanato onde foi criado.
No dia do embarque se encontrou com o James e mais um homem que havia sido mandado por Mark para acompanhar a equipe, era um homem magro, mas algo no jeito em que ele olhava para James e para Alexander trouxe um frio na espinha de Alexander.
James se aproximou dele e o abraçou, ele tinha um sorriso contagiante nos lábios. — E aí Todd, pronto para mudar o mundo?
— Vamos achar a Lança Mestre e assim, talvez o senhor comece a acreditar. — Assim eles pegaram o vôo rumo a Israel.
Sonhos e Revelações
Muitas coisas precisavam ser feitas antes da escavação, liberações, conversas, alguns subornos, sim o mundo era um lugar sujo e cheio de pessoas ruins, James sabia que Alexander não compactuaria com aquilo então ele omitiu isso do amigo.
Com o tempo que teve Alexander caminhou pelas ruas de Israel, conhecendo os lugares que Christus havia caminhado, ele sentiu em seu coração a emoção de andar pelas ruas em que o seu salvador andou, em um mundo onde a fé era um objeto tão raro, talvez ele fizesse a diferença.