Quimeras - Prefácio I e II

2142 Words
    O padre caminha lentamente para trás, mas ele sabe que não há como fugir, sua missão havia sido uma fracasso, algo que condenaria a todos os filhos de Deus, ele olhou ao redor procurando algo que pudesse mudar o rumo da batalha, mas nada encontrou, da mata uma nova criatura aparece, um jovem com olhos vermelhos, longos cabelos negros amarrados com uma faixa tão rubra quando o manto do padre e longas presas, ele usa roupas de padre, o jovem olha a mulher e suas feições ganhar ares de repulsa.     — Acabe logo com o velho e vamos embora daqui... — A voz do jovem se assemelha ao que o padre imaginaria ser a de anjos, por um instante ele pensa em entregar a relíquia ao jovem recém-chegado, o padre balança a cabeça afastando aquele ideia, o demônio tem muitas faces e a da santidade é uma delas.     — Apartai de mim satanás, pois eu não o conheço! — Disse o padre sacando de seu crucifixo, o jovem escondeu o rosto com as mãos e gemeu, aquilo encheu o padre de esperança o poder de Deus não havia lhe abandonado, ele se aproxima do jovem. — Vamos b***a do inferno parta daqui e nunca mais volte.     A resposta do jovem vem em forma de uma gargalha e logo após o padre é retirado do chão e fica suspenso pelo pescoço a mercê do jovem, do meio da mata surge James montado em um dos cavalos antes que puxavam a carroça, ele avança e com um único golpe arranca a cabeça da mulher, o jovem joga o padre contra James e ambos caem, mas James se coloca de pé rapidamente, o padre tenta fazer o mesmo, mas é tomado pela dor, quando olha para baixo vê que um dos ossos de sua perna está para fora, James se posiciona na frente do padre, ele não usa mais sua camisa de soldado e nem a armadura, seu corpo tinha manchas roxas e arranhões, ele está com o troco nua, usando apenas as proteções de braços.     — Veja padre ainda existe um dos seus guardiões vivo, este jovem realmente é um guerreiro, será uma grande desperdício matá-lo, mas não acho que ele se uniria a mim... — O jovem permanece olhando para o padre, quase como se James não estivesse ali, o soldado mantêm os olhos em seu adversário, ele não se importa mais em viver ou morrer, não se importa com o padre ou com os monstros que viu e enfrentou, ele só pensa em honrar o sacrifício de seus companheiros. — Como vai ser soldado, se unirá a mim ou morrerá como seus amigos?     — Não existe nada no mundo que você pode me oferecer que me fará trair meu amigos... — O jovem não diz nada apenas desaparece de onde estava e golpeia a face de James com as costas da mão lançando-o pela lama na estrada fazendo sua espada escapar de sua mãos, o jovem coloca um dos pés sobre o peito de James tornando impossível para ele se levantar. — Vamos logo criatura acabe com isso.     — Eu farei o que dese... — Antes que a criatura termine a frase o frio metal da estada o trespassa o troco e também feri James próximo ao coração, o jovem vestido de padre cambaleia libertando o soldado e o monstro se volta para o padre, o jovem segura à cabeça do padre entre as mãos e a esmaga, neste instante ele sente a lâmina sair de seu corpo, James grita e avança enlouquecido contra o jovem, a espada atravessa a cabeça do jovem, mas James não para até que a espada acabou presa ao tronco de uma árvore, o corpo do jovem fica inerte e James cai na lama exaurido, sua respiração é rápida e irregular, ele se arrasta até o saco próximo ao corpo morto do padre e o abre, em sua expressão está à surpresa em ver o que carregavam, ele fecha o saco, prende ao seu cinto e fica ali sentindo a chuva agradecendo por ainda estar vivo.         — Capitão! Capitão! Eu terminarei a missão... — James grita antes de se colocar de pé e cambalear até o cavalo que estava a alguns metros de onde havia acontecido o combate, ele sobre no cavalo e parti, o cavalo praticamente fez o caminho sozinho, pois James passou a maior parte do tempo inconsciente, quando se deu conta estava próximo à cidade de Londres, ferido, cansado, mas tinha de entregar a relíquia, quando foi visto pelos soldados que tomavam conta da cidade foi parado depois de contar parte do que tinha acontecido foi enviado ao Big Ben, onde tomou um banho comeu e lhe fizeram curativos em suas feridas, depois de algum tempo um grupo de padres e nobres entraram no catre onde ele estava.     — Você é um jovem excepcional, temos uma dívida contigo por trazer a relíquia até nós. — Disse um dos nobres, James olhou para ele como se não entendesse bem o que ele falava. — Agora enviaremos a relíquia para o Novo Mundo onde as bestas de satã não poderão mais alcançá-la, quanto a você meu nobre soldado, existe algo que deseje?     Por alguns instantes James ficou olhando para cada homem parado ali sem dizer uma única palavra, seu olhar vazio se perdeu alguns instantes com cada um daqueles homens, depois ele passou à mão nos cabelos ainda molhados, olhou as feridas em seu corpo e sorriu, apanhou a espada e se levanta, isso faz com que os homens se afastem, isso fez seu sorriso ficar ainda maior.     — Existe sim algo que podem fazer por mim. — James sacou a espada e olha para a lâminas e um suspiro escapou de seus lábios, os nobres olharam uns para os outros, os padres começaram fazer suas rezas em silêncio por não saber o que esperar daquele jovem que havia sobrevivido ao inferno na terra. — Mandem-me para o novo mundo junto com a relíquia, de hoje em diante esta será minha missão de vida e que os Céus me abençoe para que possa matar cada ser maligno que ficar no caminho de minha missão.     — Assim será meu caro, de hoje em diante você não servirá mais a Inglaterra, você servirá a Deus por intermédio da Igreja, hoje morre o soldado para dar lugar ao Anjo da Morte guiado por nosso Senhor Altíssimo. Prefácio II               Eu tinha sete anos, eu morava em Belford Roxo, sim o Rio de Janeiro não é só Copacabana, minha família tinha até uma condição razoável para o lugar que morávamos, meu pai trabalhava em uma petroquímica e minha mãe cuidava da minha irmã Júlia e de mim, eu tinha uma infância feliz, eu m*l sabia que nem todos nós temos o nosso feliz para sempre. Tudo começou com o som de vidros se quebrando, como se alguém tivesse jogado algo muito grande contra nossas janelas, pelo som eles haviam jogado em todas ao mesmo tempo, meu pai xingou no quarto dele, e eu ouvi a porta do quarto dele se abrir, me sentei na cama abraçado ao meu Snoop de pelúcia, estava escuro e eu tinha muito medo, na verdade eu tinha medo de quase tudo, foi quando eu ouvi uma risada que só poderia ter sido dada por algum demônio no nono ciclo do inferno meu sangue congelou, corri até a janela e lá vi um homem parado do outro lado da rua, ele usava um terno bem cortado cabelos negros na altura dos ombros e inconscientemente caminhei até a porta, não a abri, apenas coloquei minhas mãos nela, meu corpo estava frio de medo, em minha inocência eu esperava que esta ação pudesse impedir o dono daquela risada de entrar, houve um grito de desespero, eu sabia que era do meu pai.     Em toda minha curta vida até ali, não sabia que meu pai, meu herói tinha medo de algo, eu podia ouvir os móveis sendo quadrados lá embaixo, olhei para minha cama, lembro-me de pensar em me esconder, logo em seguida lembrei que meu pai dizia que eu deveria ser mais corajoso.     Vi ouvi algo subindo as escadas e me escondi no guarda roupa, foi quando ouvi os gritos de minha mãe e de Júlia, ele estava levando a minha família, foi exatamente nisso que pensei, que alguém estava machucando minha família, saí do quarto gritando, eu estava com raiva, mas isso não fazia diferença, não contra o que eu vi parado no meio do corredor.     Era um palhaço, mas não era um palhaço comum, era um tipo de palhaço tirado dos pesadelos mais insanos e nefastos... Ele estava ali parado olhando para mim, aquele maldito sorriso naquela cara pálida, seus dentes afiados, sua roupa colorida completamente rasgada e sua suja, aqueles pés enormes e o pior aquele olhar fazia com que não demonstrasse nenhum sentimento, era como olhar para um buraco n***o, onde tudo que era visto por ele morria ou desaparecia.     — Olá Gabriel, seu papai, sua mamãe e sua irmãzinha estão lá embaixo esperando por você. — A voz dele era como passar a unhas em um quadro n***o, além de irritante, era forçada, como se ele quisesse parecer doce e não soubesse como, caminhei para trás e o sorriso dele apenas aumentou, vermes caíam da boca dele, grandes, gordos e sebosos, um cheiro acre vinha dele, me virei para correr, mas não tive tempo, suas mãos me agarraram e me arrastaram para sala.      Eu tentava me debater, mas o monstro era muito mais poderoso, ele me levou escada abaixo sem se importar em me ferir, fui lançado no centro da sala ao lado do corpo de meu pai, havia um buraco onde antes havia o coração, a sala estava destruída os móveis estavam destruídos, vasos de flores pelo chão, quadros destruídos, na frente de mim estava parado o palhaço, ele mantinha minha mãe presa pelos cabelos, no canto eu podia ver o corpo de Júlia ensanguentada, meu estômago se embrulhou não pude conter meu vômito.     — Pelo visto você não tem o que é necessário para vencer no futuro... — O palhaço jogou minha mão em minha direção, eu chorei e abracei minha mãe. — Acho que é era de dar um fim nisso...     O palhaço caminha em nossa direção, minha mãe me coloca atrás dela numa tentativa de me defender, mas nada poderia ser feito, com um chute ele jogou minha mãe do outro lado da sala, eu um surto de adrenalina apanhei um dos vasos de flores no chão e lancei contra o rosto demoníaco do palhaço, ele apenas vira o rosto.     — Isso é o melhor que pode fazer? — O palhaço me socou e eu fui lançado contra a parede, o palhaço pisa no pescoço de minha mãe e com um movimento de seu pé ele quebra o pescoço de minha mãe. — Agora vou fazê-lo sofrer.     Quando o palhaço se aproximou de mim um disparo atravessou seu ombro, ele girou e caiu, das janelas e dá portas homens entram e atacam o palhaço todos ao mesmo tempo, um dos homens me puxou para longe do demônio.     — Oi amiguinho, meu nome é Frank, preciso que você vá lá para fora e nos espere lá. — Frank calça um par de socos inglês, ele aproveita os ataques para socar o palhaço, porém não são socos normais, a cada golpe uma luz é criada, o palhaço começa a se afastar, mas os homens o seguraram, um dos homens abre um livro e começa a ler palavras que eu não consigo entender, mas o demônio parece saber, por fumaça e fogo começa a sair de seus olhos e sua boca, o palhaço grita e se debate, mas no fim entra em combustão, eu não havia me movido, permaneci ali parado olhando o que eles estavam fazendo com o palhaço. — Você não fez o que eu pedi não é pequeno...     — Preciso saber como está minha mãe. — Caminho até o corpo de minha mãe, mas vejo que ela está fria e morta, eu fecho os olhos dela, caminho até meu pai e faço o mesmo, os homens me levam para fora da casa enquanto espalham gasolina por toda casa e colocam fogo no que antes era minha casa, eu fico ali olhando e chorando pensando no que será da minha vida agora, Frank para ao meu lado e coloca a mão em meu ombro. — Onde eu vou morar agora?     — Bem parece que você vai ter de morar conosco, mas fique tranquilo, vamos ensinar você maneiras de que possa ajudar impedir que isso aconteça com outras pessoas. — Frank me põem no ombro e pela última vez eu olhei para o que antes era minha casa. Foi assim que tudo começou e só os Deuses sabem como tudo irá terminar...
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