Quimeras - Prefácio I

1736 Words
Foi assim a história me aconteceu, pelo que eu me lembro tudo começou em Londres séculos antes do momento em que eu estou agora, pois neste momento, estou às portas de decidir o destino do mundo, não sinto medo, o que em parte é um alívio, afinal se eu não conseguir salvar o mundo vou morrer, vocês devem achar que estou exagerando? Se estivesse vivendo no mesmo mundo que eu, me entenderiam, mas deixe-me contar o início, pois assim começam todas as histórias que eu conto... Uma caravana percorria uma floresta, três carroças se arrastando em meio à noite, ninguém queria estar ali naquele horário, mas eles foram detidos pela chuva, as rodas tinham dificuldades em lutar contra o lamaçal que a estrada se tornou, soldados armados a cavalo estavam prontos para eliminar quem se colocasse em seu caminho ou pelo menos era o que imaginavam, dentro de uma delas, alguns padres rezavam, eles estavam com um das três maiores relíquias da Igreja, as três relíquias nunca deveriam estar no mesmo lugar, era uma lei imutável, havia um jovem soldado de nome James estava sentado olhando para parte de trás, vendo seus companheiros da chuva se permitiu sorrir por não estar lá fora encarando o frio e a chuva. James olhou os padres e suspirou a ladainha ininterrupta o incomodava, mas ele sabia que não devia falar nada, ele estava na carroça com os maiores guerreiros da fé da Santa Madre Igreja, aqueles homens tinham o controle sobre quem viveria ou morreria, desde que a Inquisição começou na França, o mundo estava sobre o controle da Igreja. Ele viu algumas coisas que não aceitava ou compreendia, mas não era sua responsabilidade ser a consciência daquela caravana, James estava ali para fazer a encomenda chegar, ele estava ao lado do padre mais velho, o líder dos Inquisidores. — Você deveria rezar conosco meu jovem... — O líder dos inquisidores olhava diretamente para James, aquilo por si só já não era um bom sinal, um tipo de ameaça velada. — Eu farei isso padre. — James fechou seus olhos, mas não rezou, não era nada religioso, mas sabia que esta era uma informação que ele deveria guardar para si mesmo, a caravana se deslocava lentamente, a chuva não parecia dar sinal que terminaria, foi quando ouviram o primeiro grito, James colocou a mão na espada e chegou até a a******a na carroça, todos os demais soldados pararam, desceram dos cavalos e os amarraram nas árvores mais próximas, depois cercaram as carroças, ele só conseguia ver árvores e escuridão, nenhum inimigo à vista. — Fique com os padres garoto, proteja-os. — Disse o Capitão Duncan, um homem forjado em inúmeras batalhas, James voltou para a proteção da carroça, colocou os padres o mais longe possível da entrada que o diminuto espaço coberto permitia, os padres aumentaram ainda mais a ladainha quase cobrindo as ordens que vinham de fora da carroça. James mantinha sua espada riste, pronta para o combate, o Capitão deu ordens para três soldados verificassem as proximidades, poucos instantes após a saída deles, sons de batalha tomaram o local, um rugido fez com que instintivamente se encolhesse, suas mãos começaram a suar, a ladainha aumentou ainda mais. — Se querem rezar façam isso em silêncio, preciso ouvir o que está acontecendo lá fora. — Todos os padres se espantaram com a atitude do jovem, aos olhos dos Inquisidores, ele m*l havia se tornado um homem, o líder dos clérigos fez um sinal e todos os padres passaram a rezar em silêncio. Um vulto vindo das árvores quebrou o cerco dos soldados ao passar abriu a garganta de um soldado, mesmo com um dos soldados morto aos seus pés, os soldados não se moveram, fecharam ainda mais o cerco, James queria estar com seus companheiros, mas teve de conter o desejo de ir lá pra baixo, a espada em sua mão tremia num misto de medo e excitação, ele fora treinado para aquilo desde que se lembrava, mas nunca havia visto as criaturas que deveria matar. Foi quando alguns metros fora do cerco um grupo saiu da mata, e nele haviam criaturas semelhantes a homens caminhando de maneira curvada, como marionetes nas mãos de um titereiro bêbado, James viu seres com mais de dois metros cobertos por pêlos como cães caminhando sobre duas pernas. — Entreguem-nos os padres e podem partir. — Um dos seres peludos falava num misto de palavras e rosnado, os cavalos relincharam e tentaram fugir, mas não conseguiram. — Não iremos à parte alguma sem os padres, bestas como vocês não tem lugar em nosso mundo. — O Capitão avançou um passo se colocando entre os monstros e seus homens, a formação mudou e os soldados se colocaram atrás do líder, foi quando a carroça que deveria estar na frente da que James estava passou voando, alguns soldados não tiveram tempo de sair da frente e foram esmagados pelo peso da carroça, entre eles estava o Capitão, o b***a que parecia ser o líder sorriu e investiu contra os demais soldados. James sabia como aquilo acabaria... Eles eram poucos e não tinham a força necessária para deter os inimigos, sua carroça balançou alguma coisa havia pulado sobre ela, os padres gritaram de medo e chamaram pelo nome de Deus, em seu interior James sabia que Deus não estava ali, com um único golpe James cortou a cobertura e uma criatura cinzenta caiu em meio aos padres apenas para provar da lâmina dele, a a******a caiu para ambos os lados deixando que a chuva entrasse e que o soldado pudesse ver que o condutor não estava mais ali, provavelmente estava morto. Ele avançou até a frente e apanhou as rédeas e instigou os cavalos, seu trabalho não era combater as aberrações, a missão dada a James era proteger os padres e a encomenda mesmo ao preço de sua própria vida e ele faria isso de qualquer maneira, os cavalos começaram a se distanciar do combate, mas a maior da bestas começou a persegui-los, ela corria nas quatro patas, a criatura era muito mais rápida do que os cavalos. — Preciso que um de vocês guiem os cavalos, não posso combatê-lo e guiar os cavalos. — Os padres não se moveram, ainda estavam apavorados olhando a criatura se aproximar. — Vamos logo, se querem sobreviver vão ter de me ajudar. — Clemente, ajude o soldado com as rédeas, o restante de nós deve estar preparado para lutar em nome do Altíssimo. — Com apenas uma frase o líder dos Inquisidores conseguiu tirá-los da apatia, o mais jovem deles foi até James e apanhou as rédeas, espadas curtas e adagas surgiram os mantos rubros dos inquisidores, James tomou seu lugar entre eles. — O que faremos meu filho? — Vamos lutar padre e torcer para que esta noite não seja a nosso última noite nesta terra. — A b***a se aproximavam rapidamente, um dos padres saltou em direção à b***a, apenas para ser apanhado por sua bocarra antes que sua lâmina pudesse fazer qualquer dano a ela, com uma das patas o estranho ser segura-se na carroça, James investi contra a criatura e acerta a mão dele arrancando um dedo da b***a. Com um urro o monstro se lança para dentro da carroça, o impacto as rodas se quebram fazendo com que ela tombe, fazendo todos os seus ocupantes serem arremessados, por alguns segundos James perdeu a noção do que estava acontecendo, mas os padres em pânico se lançam contra o criatura, golpes são dados, mas sem muita técnica, o monstro se esquiva da maior parte deles e os que lhe acertam são apenas arranhões em seu corpo. James se coloca de pés e vê sua espada a metros dele, ele sabe que os padres não resistiram muito tempo, o líder dos padres se afasta de seus companheiros segurando um saco de pano contra o peito, seja lá o que for é aquilo que os monstros estão atrás, o conteúdo do saco vale a vida de cada homem ali, seja o que for não deve cair nas garras dos inimigos, o padre olha para ele e para a floresta, como em um pedido para que eles fujam dali o mais rápido possível, James olha para os padres e vê a criatura matar mais Inquisidores, de maneira que ele não achava possível, o ser demoníaco havia arrancado um dos braços de um padre e usava-o para golpear os demais. — Corra padre, eu preciso tentar manter está coisa longe do senhor. — Sem esperar a resposta do padre, James alcança a espada e avança de maneira calculada, cada passo é estudado para que não caísse na área de ataque da b***a. — Vamos lá coisa feia, venha me matar! A b***a parece estudar James, pois ela não parte para cima dele como fez com os outros, eles ficam ali girando em círculos, o soldado não tinha a esperança de vencer, havia apenas mais um padre vivo, porém ele sangrava caído à direita da estrada, o b***a percebe a distração de James e avança e o golpeia na altura do peito jogando-o contra uma árvore, mesmo que as garras da b***a não tenha cortado James, o impacto contra a árvore havia amassado muito sua armadura dificultando sua respiração. O monstro olha ao redor e se dá conta da ausência do padre e parte deixando James ali quase inconsciente, ao longe o padre ouve o galopar da b***a e sabe que está tudo perdido, seu Deus parecia tê-lo abandonado à própria sorte e ele não via maneira de escapar da criatura enviada do inferno contra ele, logo a árvore atrás dele gemeu e caiu deixando frente a frente com a b***a. — Deus meu... Deus meu, por que me desamparaste? — As lágrimas cegam o padre momentaneamente, mas ele conseguiu ouvir a criatura se aproximar... — Se deus não tem mais espaço neste mundo, o Ceifador de Almas está às portas padre e ele trará a liberdade aos que antes eram obrigados a viver nas sombras e será o fim para sua raça patética e fraca... — Enquanto falava a b***a alterava sua forma para uma jovem mulher, ela sorriu ao ver o terror nos olhos do padre, apenas suas mãos continuam com as formas bestiais. — Me entregue à relíquia e o matarei sem dor, caso contraria farei com que amaldiçoe seu deus antes de dar-lhe a morte. Continua...
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