Maurice continuou em silêncio por alguns segundos que pareceram longos demais. Então, sem desviar os olhos dela, falou baixo, quase num sussurro: — Você me assustou. Violeta piscou devagar, o olhar ainda turvo. Não parecia entender de imediato o peso daquelas palavras. Ele continuou, a voz mais rouca agora: — Eu já enterrei muita gente. Já vi a morte de perto mais vezes do que deveria. Mas hoje... — fez uma pausa, engolindo seco — hoje, pela primeira vez, tive a sensação que te salvar não estava sobre meu poder, vi seu pai em seus olhos me dizendo que eu havia falhado. Ela desviou o olhar, virando o rosto lentamente para a parede. Os olhos marejaram, mas nenhuma lágrima caiu. Talvez porque já tivesse chorado tudo o que tinha por dentro. — Não era pra você salvar — disse ela, com difi

