Maurice não respondeu. Apenas observou quando ela pegou a latinha gelada, estalando o lacre com um estalo alto. Levou aos lábios, fez uma careta no primeiro gole, mas não desistiu. Bebeu mais um, e outro, franzindo o nariz como quem enfrentava um inimigo invisível. — É, você tem razão — murmurou por fim, sacudindo a latinha em mãos. — O gosto é horrível. Ele ia comentar, mas ela o interrompeu: — Mas só os primeiros goles. Depois da segunda latinha, acho que nem sente mais. A língua se acostuma. O corpo... também. Maurice a fitou em silêncio. Não era só sobre cerveja, ele sabia. Era sobre a vida. Sobre tudo que ela carregava escondido atrás daquele rosto lindo e da língua afiada. Ele, que também estava com um copo na mão quando ela chegou, sequer pensava mais em beber. Esqueceu o gosto

