O silêncio no escritório de Estevão era quase sufocante. Helena estava sentada diante dele, os olhos fixos no chão, os dedos inquietos sobre o colo. Havia ensaiado aquele pedido inúmeras vezes, mas nada parecia suficiente. Quando finalmente abriu a boca, a voz saiu baixa, quase trêmula: — Eu não vim negociar, Estevão. Vim... pedir perdão. A palavra parecia estranha em seus lábios, pesada, quase incompatível com a imagem que ela havia sustentado por tanto tempo. Ele ergueu os olhos do relatório que fingia ler e arqueou uma sobrancelha, como quem encara um espetáculo inesperado. — Perdão? — repetiu, deixando escapar uma risada curta e seca. — Helena, você sempre foi boa em discursos. Esse é só mais um. Ela sentiu o golpe. As palavras dele eram como navalhas, mas, por algum motivo, não

