POV Edgar O vento no terraço era mais frio perto da borda de vidro. Eu gosto de bordas. Elas revelam as pessoas. A música chegava abafada ali, misturada ao som distante do trânsito. A cidade abaixo parecia organizada, previsível. Um tabuleiro iluminado. Pessoas são mais difíceis. Nate se aproximou ao meu lado com a naturalidade de quem nunca tem pressa. — Impressionante, não é? — ele comentou, olhando Nova York. — A cidade faz a gente acreditar que controla tudo. Controle. Palavra interessante para alguém como ele. — Controle é uma ilusão confortável — respondi. Eu mantive as mãos nos bolsos. Postura relaxada. Não por descuido. Por escolha. Ele girava a taça lentamente. Observador demais para alguém que se vende como espontâneo. — Você parece… atento demais esta noite. — É um

