O elevador privado sobe em silêncio até o último andar. As paredes espelhadas refletem minha expressão cansada enquanto observo os números mudando lentamente no painel. Nova York continua vibrando lá embaixo, mas aqui dentro tudo parece distante, abafado, como se o prédio inteiro tivesse sido projetado para manter o caos da cidade do lado de fora. Quando as portas finalmente se abrem, encontro o corredor curto que leva diretamente ao apartamento. Não há outros moradores nesse andar. Edgar comprou os dois apartamentos anos atrás e mandou derrubar a parede central, transformando tudo em um único espaço gigantesco. Destranco a porta e entro. A primeira coisa que sempre me atinge é o silêncio. O pé-direito alto faz a sala parecer quase uma galeria de arte. As janelas do chão ao teto ocupa

