Andrea tomou um grande gole do seu café, ela e Mira ainda não haviam dito uma só palavra depois do que a morena havia posto a mesa.
— Vocês se conhecem a quantas horas?
— Vocês?
— Você e Louise — Disse deixando a xícara de lado e apoiando a mão na perna cruzada.
— Menos de...— Andrea olhou para o relógio — Trezes horas.
— Parecem muito íntimas para quem se conhece a menos de treze horas.
— Ela precisava de alguém para conversar e eu precisava me distribuir ou bateria no seu quarto, então vim aqui e acabamos nos conhecendo — Deu de ombros tomando outro gole de seu café.
— Conte-me como chegou em Paris, como entrou no hotel e qual o intuito desse café, Andrea Sachs, sem jogos — Disse séria.
— Okay, uh... Eu vim com Irv e Bright, não entrei no hotel, pois eu já estava lá, na porta em frente ao seu quarto e não se faz um interrogatório em um encontro, Mira Priestly.
— Você nem me convidou devidamente, como diz que isso é um encontro?
— Eu não quis parecer tão clichê, sei que odeia.
— Anda reparando em mim?
— Mais do que eu deveria e gostaria — Mira a encarou em silêncio, passava a unha uma na outra como se a limpasse, mas era pura tensão.
.§.
Andrea apoiou-se na cadeira e olhou para a bela torre, as pessoas e os carros passando, o céu tão limpo e o frio ameno que estava aquela manhã, Mira apoiou-se na cadeira também, mas não disse nada, apenas encarou um pouco cego na rua, não estava chocada com o que acabará de ouvir, não depois de ser beijada.
— Nate me procurou — Andrea quebrou o silêncio ao perceber que a mulher não diria absolutamente nada, Mira a olhou.
— Em seu apartamento?
— Não, ele não sabe onde estou morando, ele foi até o apartamento de Lily, perguntou por mim, mas Lily não contou onde eu estava.
— Esse cozinheiro é louco.
— Estou começando a acreditar nisso — Voltaram a ficar em silêncio.
— Quantos serão?
— O que? — Perguntou olhando-a.
— Seus encontros nada clichês — Andrea riu.
— Enquanto houver Paris.
— Não conta os que tivemos em Nova York?
— Podemos acrescentar.
— Então quantos encontros serão enquanto houver Paris? — Andrea continuou a olha-la nos olhos.
— Temos uma semana inteira em Paris, ao menos uma refeição do dia você terá que dedicar a mim.
— Você fez por merecer, Andrea? — Perguntou deixando um leve tom rouco sair ao pronunciar o nome da morena.
— Saí do frio de Nova York para enfrentar o de Paris, apenas para convida-la para um encontro, Mira — Disse fingindo incredulidade — Óbvio que fiz por merecer.
— Primeiro você agarra e depois chama para sair, o que esperar de você?
— Apenas coisas boas — Mira contraiu o sorriso e afirmou com um aceno de cabeça, Andrea olhou para o relógio — Ainda temos longas horas no nosso encontro nada clichê em Paris, onde quer ir?
— Eu já vim em Paris várias vezes, Andrea, já vi museos, galerias, concertos, praticamente a cidade inteira.
— Convencida.
— O que eu quero dizer é que pode escolher.
— Okay, deixe-me pensar — Disse e chamou Louise para poder fechar a conta.
.§.
Andrea levantou arrumando a roupa e seguiu para o carro acompanhada por Mira, as duas atravessaram a rua, algumas pessoas tiravam fotos, outras conversavam, haviam alguns crianças correndo atrás dos pombos, o que fez Andrea sorrir.
Uma pequena menina de olhos claros, caiu a dois passos de onde Andrea estava e ela abaixou na frente da pequena que tinha os olhos molhados pelas lágrimas.
— Está tudo bem? — A menina negou mostrando as palmas das mãos para a morena que limpou e deu um beijo em cada uma — Melhor? — A menina afirmou e Andrea a ajudou a levantar.
— Heloíse — Uma voz fez Andrea levantar o olhar, a mulher de cabelos castanhos sorriu para Andrea que levantava — Obrigada.
— Não precisa agradecer.
— Eu me chamo, Nicole — Disse estendendo a mão para a morena.
— Andrea.
— Obrigada mais uma vez Andrea e foi um prazer conhece-la.
— O prazer foi meu, tchau Heloíse — A menina de olhos claros acenou e Andrea sorriu, olhou para Mira que continuava parada no lugar e sorriu de canto, aproximando-se.
— Cass e Caro, sentirão ciúmes quando souberem que você as trocou por uma garota mais jovem.
— Ainda bem que elas chegaram primeiro — Disse com as mãos nos bolsos — Você chegou antes da Nicole — Mira franziu a sobrancelha.
— Quem é Nicole?
— A mãe da menina mais jovem que Cass e Caro ficarão com ciúmes — Disse divertida — Se eu não te conhecesse, diria que está com ciúmes.
— Eu com ciúmes, Andrea?
— Ainda bem que eu te conheço e não disse isso — Disse divertida — Vamos continuar nosso tour, espero que você seja uma boa guia.
— A melhor — Andrea riu enquanto voltavam a caminhar.
— Devo confiar em sua palavra?
— E por que dividiria?
— Bom, talvez você queira me levar a algum lugar, você sabe... Fazer mais uma vítima — Mira a encarou passando a língua entre os lábios.
— Mais uma vítima?
— É o que dizem — Disse virando de frente para a mais velha e caminhando de costas — A diaba e suas vítimas — Deu de ombros — Não que eu me importe, não tendo chicotes e nada tão macabro, até mesmo pra você... Por mim tudo bem.
— E quem andam falando sobre mim?
— Isso é um assunto confidencial.
— Confidencial? Sei — Andrea sorriu e voltou a virar, caminhando normalmente outra vez.
Entraram no Museu e começaram a caminhar em silêncio, apenas observando as obras.
— Quantos encontros você quer?
— Como? — Perguntou confusa olhando-a.
— Quantos encontros você quer?
— Pensei que já houvéssemos descido.
— Essa parte sim, o que eu quero saber é quantos encontros você quer antes que eu te beije outra vez — Mira a olhou sem saber o que dizer.
— Sem um jantar antes, Andrea?
— Mira Priestly brincando? — Disse sorrindo largo, Mira deu de ombros.
— Você perguntou e eu respondi, Andrea — Sussurrou o nome da morena.
— Iremos jogar?
— Se você quiser, mas saiba que eu não entrou em um jogo para perder — Disse sorrindo de canto, puxou o blazer da morena deixando-a colada em seu corpo e aproximou da orelha da morena, Andrea fechou os olhos sentindo todos os pelos de seu corpo arrepiarem — Tente resistir ao d***o, Andrea — Sussurrou e deu um casto beijo no lóbulo da orelha da morena e afastou-se começando a caminhar, Andrea continuou parada tentando acalmar seu coração.
Aquilo seria muito difícil, mas era um jogo e ela não queria perder, iria ver Mira Priestly implorar.