Capítulo 11

1506 Words
Após horas dentro de um avião e enfrentando um longo trânsito até finalmente chegar ao hotel e deparar-se com uma recepcionista incompetente que lhe fez perder mais tempo do que o necessário. Mira finalmente chegou ao seu quarto, tratou de tomar um longo banho e deitou-se na grande cama colocando uma programação qualquer na televisão, nunca fora chegada em assistir algo, o máximo que assistia era filmes com as filhas, nada mais, que reportagens que ela lia pelo jornal da manhã e fofocas nunca gostou muito e a programação parisiense não era uma das melhores segundo ela. Sua mente viajou até onde tentava evitar, para Andrea, não havia trocado muitas palavras com a morena nos últimos dias e ela só voltará a sua casa duas vezes, mas elas não se encontraram, pois Andrea sempre saia mais cedo. Mira despertou escutando o som do despertador, respirou fundo sem muito ânimo, levantou-se e seguiu para o banheiro, tomou um longo banho e procurou uma roupa para usar, deixando-a sobre a cama. Arrumou os cabelos e fez uma leve maquiagem, em seguida vestiu-se, o som de batidas contra a bela madeira branca ecoou pelo cômodo, Mira caminhou até ela, poderia ser Emily ou até mesmo Nigel, já que não havia chamado a assistente. Nem ninguém da recepção, abriu a porta e encarou a pessoa em sua frente, perdendo-se nos belos Louboutin negros, subindo pelas belas pernas claras até o belo vestido da cor saddle brown cobertor por um belo blazer n***o, o cachecol, luvas e boina também em tons de n***o. — Andrea? O que... Como chegou aqui? — Conto com a condição de que vá a um passeio comigo — Disse sorrindo e colocando as mão enluvadas nos bolsos — E eu não aceito não como resposta, conheço toda sua agenda e sei que está livre até às três. — Posso dizer que tenho um compromisso. — Eu não acreditaria — Mira riu nasalado. — Sempre abusada. — Estou apenas querendo agradecer por tudo o que fez por mim. — Você já agradeceu — Andrea afirmou com um aceno, agora estava séria — Podemos ir? — Perguntou após alguns minutos de silêncio, Mira a encarou. — Irei pegar meu casaco e minha bolsa — Andrea apenas voltou a afirmar — Quer entrar? — Não, eu prefiro esperar aqui. — Medo? — Talvez. — De mim? — De mim — Mira afirmou com um aceno e entrou deixando a porta aberta. Andrea a observou de longe, guardava cada movimento de Mira em sua memória, não era a primeira vez que o fazia, mas mesmo assim o fazia, soltou um longo suspiro entortando os lábios e olhou para o lado vendo uma garota de olhos claros assim como os cabelos empurrando um carrinho. Ela direcionou um sorriso tímido para a morena que acenou com um breve movimentar de cabeça, a garota não se moveu, continuava a encarar Andrea, mas a morena estava submersa demais em seus próprios pensamentos para notar qualquer flerte que lhe fosse direcionado. — Nós já podemos ir? — Mira disse fechando a porta do quarto, olhou para Andrea que continuava a olhar para o lado e viu a garota que ainda olhava os olhos avelãs, Mira limpou a garganta atraindo a atenção da morena para si. — Perdão. — Se foi para flertar com a camareira que veio, bastava avisar, Andrea, eu a teria chamado para você — Ironizou e Andrea sorriu de canto olhando-a nos olhos. — Ela é bela, eu admito, mas o que é a beleza de uma mulher de vinte, perto de uma de quarenta? — Perguntou em um sussurro prendendo a editora contra a porta. — Diga-me você, você tem vinte. — Como quiser — Disse apoiando uma mão na porta, definitivamente, estava fora de si, fazendo tal coisa, ainda mais com Mira Priestly — Eu em especial gosto de uma e acredite, seus atributos, são melhores que os meus, principalmente o cheiro viciante de baunilha e os lábios macios como a mais pura perdição — Mira a olhou nos olhos e observou os olhos da morena descerem até seus lábios — Podemos ir? Eu estou faminta — A última frase não tinha um duplo sentido, mas não impediu de que Mira tremesse. — Sim — Andrea afastou-se e caminhou ao lado de Mira até o elevador, a camareira já não estava mais por ali, eram apenas as duas — Nem irei perguntar como descobriu o hotel que eu estou — Andrea riu e mordeu o lábio, após apertar o botão do térreo. — Não foi difícil e não precisei matar ninguém ou torturar para que eu conseguisse. — Emily ou Nigel? — Não posso entregar meu aliado. — Todos naquela revista parecem ser seus aliados, Andrea, é difícil escolher apenas um. — Fazer o que, eu sou amada. — E convencida, além de invasiva e petulante — Andrea a olhou sem tirar o sorriso do rosto. — Você precisa admitir que ama esse meu jeito. — O que seria uma completa mentira. — Claro, uma mentira — Debochou e Mira a encarou revirando os olhos em seguida ao notar o sorriso e ar convencido da morena, o elevador parou no décimo andar e as portas se abriram, quatro pessoas entraram e Andrea olhou para baixo sorrindo, Mira apenas a encarava pelo canto de olho. .§. O som das portas de metal se abrindo fez Andrea levantar o olhar e seguir para o lado de fora, Mira ainda caminhava ao seu lado. — Pode ao menos me dizer aonde iremos? — Tomar café. — Aonde, Andrea? — Disse séria. — Soube que há uma bela cafeteria próxima a Torre Eiffel, então pensei, podemos tomar café enquanto observamos a vista. — Começo a achar que você é uma psicopata — Andrea negou rindo e entrou no carro que as esperava, Mira lhe seguiu sentando-se ao lado da morena — Como subiu? — Eu não invadir se quer saber, mas seria divertido. — Lembre-me de não deixa-la com as meninas outra vez — Andrea sorriu e olhou para o lado de fora vendo o carro movimentar-se e a rua passar diante dos seus olhos. Havia saído para caminhar na noite anterior, Paris definitivamente era o seu lugar preferido, não por já ter percorrido o mundo, jamais pode, mas Paris era Paris. Mira a observou em silêncio, vendo o olhar perdido da morena, parecia uma criança encantada com um brinquedo novo que ganhará de natal, tornava-se até mesmo fofo de se ver. — Quando chegou? — Andrea a olhou sobre os ombros. — Ontem, antes de você — Mira afirmou com um aceno de cabeça e o silêncio voltou a reinar no carro. Assim que o carro parou em frente a bela cafeteria, o motorista abriu a porta e Andrea lhe sorriu de forma doce, o homem lhe retribuiu, não era um homem tão jovem, deveria ter entre quarenta a cinquenta anos, mas era muito bem conservado. Andrea esperou Mira descer e seguiu para uma mesa que havia ao lado de fora do estabelecimento, sentou-se e olhou para Mira, Andrea olhou para o menu e logo uma bela mulher de fios ruivos e olhos castanhos aproximou-se da mesa e sorriu largo para Andrea. — Mon Cher, não pensei que regressaria assim tão rápido — Disse com seu sotaque francês. — Bom dia Louise — Disse com um sorriso tão largo quanto da ruiva — Vim trazer uma amiga para provar o melhor café de Paris e ter a mais bela vista. — Mon Dieu, Mira Priestly, é um prazer — Mira afirmou com um aceno de cabeça, não podia mentir, estava com ciúmes de ver Andrea parecer tão íntima de alguém. — Louise, pode me trazer o mesmo de ontém com um croissant? — Claro Mon Cher — Disse anotando, Andrea olhou para Mira. — O que irá pedir? — Uh, um café meio amargo e um croque monsieur. — Trago em um instante — Disse terminando de anotar. — Obrigada Louise — Andrea disse vendo a ruiva afastar-se, Andrea olhou para a Torre Eiffel não tão longe — Quando eu era pequena, eu dizia que viria para Paris, me tornaria uma grande cozinheira e cuidaria do corcunda de Notre dame — Sorriu com a lembrança. — E o que aconteceu com a garota que queria ser cozinheira? — Andrea olhou para a mão que batucava a mesa e sorriu triste. — Ela viu a mãe morrer diante de seus olhos, descobriu que por mais que os sonhos aconteçam em Paris, ela não poderia chegar até Paris e que o corcunda de Notre dame era apenas um personagem da Disney — Mira a observou em silêncio e lhe acariciou a mão que estava sobre a mesa, Andrea olhou para suas mãos juntas. — Aqui está o pedido, Mon Cher — Louise disse fazendo Mira recolher a mão, Andrea secou à lágrima no canto dos olhos e sorriu para a ruiva — Qualquer coisa basta me chamar — Disse piscando e entrou novamente.
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