A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.
— Barão de Montesquieu
— Ah, Zarina, precisas conhecer o mundo fora dos muros deste castelo, é tão… diferente, diferente de tudo o que um dia nos contaram.
— Nem acredito que fostes a um bordel! — Ressoou Zarina repreensiva.
— Oh por favor, não se preocupe com a minha moral, todos nobres idiotas dos quais conheço frequentam bordéis, assim como o rei.
Vivera a vida toda aprisionada naquela bolha, sempre tendo que lidar com as expectativas que todos esperavam dela, sempre tendo que se comportar e agir de acordo com que certos costumes exigiam.
Acabou descobrindo que viajar fora uma forma de se reencontrar, se desprender de tudo que não lhe fazia bem.
Zarina que estava sentada em uma poltrona franziu o cenho curiosa, ela estava próxima a tina onde Hipólita tomava seu banho. Os olhos preto, grandes e brilhantes fitavam-na intensamente, as mãos de Zarina estavam cruzadas de forma delicada em cima do colo.
— Decerto que sim, mas tu não és todo mundo Hipólita. Não podes viver como se as coisas que tu faz não possuí consequências, porque tem. — Comentou Zarina, e apesar de estar sorrindo, sabia que a mulher a sua frente estava tristonha, percebera isso ao fitar seus olhos, eles não sorriam.
— Como estás? Meu tio a maltratou?
Ela entortou os lábios antes de lhe responder:
— Nada diferente do que sempre fizestes a mim durante todo esse tempo, mas não são suas ações que me dói, são suas palavras. — Respondera ela melancólica.
Sentiu-se penalizada pela dor da amiga, sabia o quanto seu tio era medíocre, ele sempre usava a cor da pele para menosprezar as pessoas.
— Iremos juntas para Escócia! — Segredou Hipólita, a moçoila não ficara nenhum pouco animada. — Louis me buscará em breve.
— Por que viria? Deixastes que ele a deflorasse, sabes bem como são os homens, mais ainda como são as pessoas, não deveria ter permitido que ele a tocasse Hipólita, se Lord Byron ou qualquer outra pessoa souber, ficará m*l vista, ninguém nunca casará com uma mulher desavergonhada. — Bronqueou ela.
Seus pensamentos, quase que involuntariamente voaram a Louis, onde estaria ele agora?
— Ele não é assim! — Afirmou Hipólita, a água quente da tina expelia sensações prazerosas em toda ela, fora a única coisa de sua casa da qual sentira falta, banhos quente.
— Nenhum homem é, até que tu se entregue a ele. — Rebateu Zarina, resolveu que não discutiria com a amiga, não a julgava por ter pensamentos tão néscios, afinal nem era sua culpa. — Não deveria ter cedido tão facilmente Hipólita, ele tomará isso de forma negativa, verá que tu fostes fácil…
Preparava-se para deixar a tina quando a porta do quarto se abrira abruptamente expremindo um estrondo ao chocar-se com a parede. Byron quem adentrou, o intruso vasculhou cada detalhe dentro do cômodo com os olhos, até que seu olhar cruzou-se ao seu.
— Desapareça daqui! — Ele ordenou, Zarina não esperou uma segunda ordem, antes que pudesse repontar Byron ela já havia sumido de sua vista. — Seu tio contou-me que os quadros da sala foram pintados por ti, até que não estam tão ruins assim, mais falta o melhorar o traço.
Tudo o que menos se importava no mundo era com a opinião de Byron sobre suas prendas, ele era insignificante demais para levar em conta sua crítica.
— O que fazes aqui?
Sabia que ele não arredaria o pé de seu quarto, Byron estava ali propositalmente, então, resolveu mais uma vez mandar os velhos costumes para o inferno e saiu da tina, revelando sua nudez, como viera ao mundo, não deixou-se intimidar pelo seu olhar âmago que parecia penetrar em cada centímetro de seu corpo com cobiça, o lord tinha um olhar compenetrado em toda ela.
— Esperando-a, a levarei ao baile, não te lembras? — Indagou ele.
Fingido. Pensou Hipólita revirou os olhos e entortou os lábios em um claro sinal de irritação.
— Me referir ao meus aposentos. — Reiterou com dureza.
Atravessou o quarto na direção do roupeiro enquanto o frio pesado a abraçou, seus pelos arrepiaram-se involuntariamente, enfiou-se num roupão felpudo.
— Desejava vê-la — respondeu ele —, sentir saudades.
— Estou comovida!
Lord Byron soltou uma gargalhada antes de deixar seus aposentos. Correu para trancar as portas, grunhiu de raiva e socou a madeira polida duas vezes, sua intenção era apenas pertuba-la e havia conseguido.
Desprendeu os cabelos e os deixou soltos, os fios ondulados cairam em cascata cobrindo seus ombros, sentada diante do espelho Hipolita fitou a si mesma, não tinha vontade de ir ao baile, na verdade, sentia-se cansada e sonolenta, mas sabia o quanto aqueles dois demônios podiam ser incisivos. Pôs-se a se arrumar rapidamente, se fosse para ir ao baile, queria chocar aqueles burgueses conservadores que estariam lá.
Trajando sua veste mais extravagante, Hipólita usara um esplêndido vestido azul de cetim, tinha um caimento abaixo da cintura, onde uma outra camada de cor branca transparecia. Abriu mão das mangas pomposas e deixara seus braços de fora, a saia de seu vestido era redonda e o excesso de anáguas que usava deixava-o mais pomposo e chamativo, com a ajuda de Zarina prendera o espartilho pontudo, seus s***s sempre pareciam três vezes maior quando os usava. Uma linda trança fora feita apenas na parte superior do cabelo, deixando grande parte dele solto, nas bochechas ela passara pétalas de rosa amassadas, deixando-as vermelhinhas, e nos lábios fora feito uma mistura de morango e amora que também deixara com uma leve coloração vermelha.
Por fim, cobriu-se com uma capa escura e descera em direção a saída de sua casa, lá a mesma carruagem com o brasão da casa do Lord a esperava, mais a frente, uma outra carruagem com o brasão de sua casa acabava de afastar-se.
O trajeto não fora tão longo até a grande Fortaleza de Anthonny, era um belíssimo castelo e Lady Hallwick nunca deixaria de deslumbra-lo a cada vez que o via.
No momento em que as grandes portas se abriram o gigantesco salão ficara perceptível, em toda sua vida aquela fora a primeira vez em que o adentrava, não fora só a magnífica decoração que a deixara fascinada, e sim cada detalhe em sua construção, sua arquitetura.
Desatou o laço que prendia sua capa e a tirou dando-o a um homem que estava na entrada do salão. Byron fito-a embasbacado, suas feições fecharam-se tornando seu rosto rubro, as íris azuis emitiam fúria, Hipólita ria internamente.
— Porque diabos estás vestida assim?
— Assim, como?
— Como uma, como uma…
Ela o interrompeu:
— Como uma mulher se veste quando deseja se sentir atraente? — A pergunta de Hipólita ecoou aos ouvidos do Lord com sarcasmo.
Mulheres, especialmente as jovens senhoritas deviam se vestir modestamente, valorizando sua pureza, achara aquela regra estúpida.
— Tu estás brincando com fogo Lady Hallwick. — Avisou seu noivo.
— Eu não tenho medo! — Repontou e cruzou o braço esquerdo ao dele, o ato surpreendera o lord, a forma como ele a mirava deixava claro que não confiava nem um pouco nela.
— É bom que mantenha os olhos abertos. — Soou como uma ameaça, mas já havia pisado na merda, agora iria deixar e rolar.
Analisou minuciosamente todo o salão de festas, o que falar dos bailes londrinos?
O salão de festas sempre ricamente decorado e iluminado enquanto músicos aqueciam o local com belas canções e as pessoas socializavam-se.
Sempre que o rei convocava os lordes e todas as casas vassalas da Inglaterra para comparecer ao parlamento, Londres transformava-se em um grande espetáculo, uma multidão de pessoas da nobreza circulavam por todos os lados, e durante esse tempo o Rei Anthonny promovia inúmeros eventos na cidade, desde jantares a peças de teatro, músicas e bailes.
Hipólita sabia muito bem o intuito das pessoas em comparecerem aqueles bailes, além de enterter a alta sociedade durantes o período em que seu rei os convocava, eles também tinham o objetivo de firmar negócios, além do mais, era a oportunidade perfeita para debutantes fisgarem Lordes ricos, e jovens casais prometidos terem a oportunidade de terem mais contato.
E embora seja um encontro de egos, sabia bem que esse tipo de evento não só favorecia a nobreza, mas também os plebeus, o comércio era aquecido, sobretudo as feiras londrinas, contratavam-se mais criados para todos os tipos de trabalhos, no final, todos saiam ganhando.
O olhar de todos estavam nela, homens a fitavam com cobiça, m*l olhavam para seu rosto, seus s***s era o que mais chamava suas atenções, as mulheres entortaram os lábios e a reprovavam com olhar, isso fora divertido para Hipólita.
Quando por fim Byron a deixou para juntar-se ao rei em uma reunião importante ela pode passear por entre as pessoas sem ser atormentada, em poucos minutos seu cartão de baile fora quase todo preenchido.
— Lady Hallwick? — Uma voz masculina soou às suas costas, ao virar-se para tentar reconhecer o dono da voz, Hipólita encontrou-se com o desconhecido de um homem, ele lhe sorria enquanto realizava uma vênia.
— Acho que sim. — Respondeu ela contrariada, segurou as laterais da saia do vestido e curvou-se em uma reverência.
— Sou o Lord Egbert. — Revelou ele, e com muita afabilidade pegou sua mão beijando o dorso.
— Estás ainda mais bela que a última vez em a vi. — Ressaltou.
— Sinto-me lisonjeada! — Agradeceu confusa e franziu o cenho, não se recordava se alguma vez na vida já fora apresentada ao homem — Perdão, nos conhecemos?
— Não. — Lamentou ele dramaticamente — Não formalmente, já a vi antes. É uma pena que já tenha um pretendente, daria tudo para ser o sortudo a casar-se contigo.
— Céus! — Exclamou ela boquiaberta.
— Seu cartão de baile já está cheio? — Indagou ele esperançoso.
Era um homem bonito, com feições harmoniosas, os cabelos ruivos eram o que mais chamavam atenção no homem.
— Ainda não milorde. — Disse ela.
— Que bom, ao menos o prazer de tê-la em uma dança eu terei.
Hipólita aproveitou para se distrair com os convidados da festa, ainda que seu instinto alegava que havia algo errado, algo cheirava a armação. Byron, seu tio e o Rei estavam no meio, constatou isso ao vê-los juntos, em uma conversa animada, aqueles sorrisos diabólicos em seus rosto.
Em breve descobrirei - Disse a si mesma.
Quem aí está afim de uma maratona?
É importante o feedback de vocês, comentem aí que eu posto 5 capítulos!