Saci narrando
Me chamam de Saci, mas meu nome mesmo é Rael. Tenho 26 anos e sou o dono do Morro da Rocinha, sou alto, loiro, Olho azul e cheio Tatoo, não herdei o Morro, meu tio que me passou.
Aqui ninguém respira sem minha autorização. Quem manda nessa porr@ sou eu, e quem tentar desmandar, cai. Sou sobrinho do Betão, aquele que ainda é chamado de chefe do comando, mesmo preso. Só continua com esse título porque soube governar lá de dentro. Tem maluco que não segura nem a boca calada atrás das grades, ele não, soube manter o jogo rolando. Mas não se engane, ele só tá onde tá poo isso, é estrategista.
Foi eu que armei para aquele cuz@o cair, Mosquito só foi o bode expiatório. Eu que puxei os fio por trás. Planejei tudo, chamei os certo, dei o bote e pronto, derrubei o homem sem sujar a mão. Mosquito achava que ia subir e acabou caindo no meu lugar, Ele morreu achando que era importante, coitado. E Betão? Nunca vai saber a verdade. Vai morrer achando que foi o acaso, Vai morrer enganado, E eu? Vou rir na cara dele no dia que ele tombar de vez.
Aqui é lei, e a lei sou eu, Eu deixo viver, eu mando morrer. Quem não fecha comigo, não dura. Tenho inveja do Betão? Tenho, Claro que tenho. Cresci vendo ele ser o rei dessa porr@, todo mundo lambendo os pé dele, Só que agora o trono é meu, Ele é sangue da minha família, mas eu não obedeço. Nunca obedeci, Só respeito o que me convém. E se ele um dia pensar em se levantar contra mim, é ele que vai cair, Ele não tem coragem de derramar meu sangue. Sabe por quê? Porque sou necessário. Porque ele sabe que, sem mim, esse morro vira bagunça.
Eu sou malandro, Fino, Inteligente. Enquanto uns se perdem em vaidade, eu planejo, calculo. Dou meus pulos fora da cerca, sim. Tem mulher por aí que me chama de amor sem eu nem lembrar o nome, Mas tem uma que é diferente, Evelyn, Morena linda, gostosa, cheirosa. Aquela mulher tem o poder de me fazer voltar pra casa só pra sentir o cheiro dela. Não largo ela por nada, Ela é minha. Minha mulher, E por isso mesmo eu tranco, afasto, deixo longe de tudo e todos. É muito urubu querendo pousar no que é meu.
Ela me obedece. Pode até fazer cara feia, mas come na minha mão. Quando eu falo, ela cala. Quando eu mando, ela faz, Porque sabe que meu jeito é bruto, mas é amor. Amor de homem. Amor de quem protege. Disciplina, Eu disciplino porque eu amo. E quem ama, corrige. Ela não entende isso agora, mas um dia vai entender. Ela vai ver que foi por amor que eu afastei ela das amigas, que tomei o celular, que não deixo sair sozinha. Foi por amor que eu fiz ela virar minha, por inteiro.
Eu que matei o Vinícius, Irmão da Evelyn. E nunca ninguém desconfiou. Disse que foi os botas no dia da invasão, e todo mundo acreditou. Tava aquele corre-corre, bala comendo de todo lado, ninguém sabe quem atirou em quem. Mas eu sei, Fui eu Dei só uma na cabeça, Frio. Reto. Limpo.
Já tinha dado o papo pra ele antes. Falei que tava de olho na irmã dele. Que era só questão de tempo até ela ser minha. Ele ficou put0. Veio pra cima com discurso de irmão protetor. Me peitou, Disse pra eu ficar longe dela, Que ela era diferente. Que comigo ela ia se perder, Que eu não prestava.
Fiquei só ouvindo, Deixei ele falar. Mas guardei. No dia da invasão, vi ele lá no beco, moscando. Correria, o povo se escondendo, neg0 caindo de tudo quanto é lado, Vi ele. Olhei. Mirei. E puff, Acabou, Um só. Não teve chance nem de rezar.
Depois disso, foi só cuidar da Evelyn. Consolar, Ficar do lado, Fingir luto. Ela chorava no meu colo e eu só pensava que agora era só minha, Não tinha mais ninguém pra atrapalhar. Ela tava quebrada, perdida, e eu fui lá, do jeito certo. No ouvido, no carinho. Fui entrando devagar. Quando viu, tava dentro da vida dela. E tá comigo até hoje.
Ela nem sonha, Nunca vai saber. E se um dia souber, já vai tá tão minha, tão presa, tão dependente, que nem vai ter força pra sair. Porque eu sou assim. Quando quero, é meu. E a Evelyn é minha, Desde o dia que eu matei o Vinícius, eu sabia que ela nunca mais ia escapar
Os cara acham que eu sou só mais um, Um moleque no poder. Mas esses aí não sabem de nada, Não sabem do que eu fiz pra chegar aqui. Eu vi o inferno e voltei com cicatriz e risada na cara, Não tem um tiro que eu não ouvi, não tem um amigo que eu não vi tombar, Cresci no meio da guerra, aprendi a sorrir com arma na mão. E hoje, quem rir sou eu, Quem vive, sou eu. Quem manda, sou eu.
Não tenho piedade. E quem tenta peitar, sente, Eu não grito, eu ajo. Eu não prometo, eu cumpro. Eu não aviso, eu executo. Esse é o código da quebrada, Quem vacila, cai. Quem me trai, morre. Quem debocha, se cala com chumbo. E comigo não tem segunda chance, Traição comigo é sentença. E é por isso que ninguém tenta tomar meu lugar, Porque sabem que pra derrubar o Saci, tem que ser mais sujo que eu. E aqui, sujo sou eu.
Eu tô onde sempre quis estar, No topo. Sou novo, mas sou ousado. Ninguém acredita que um pivete criado no barraco da viela ia chegar onde eu cheguei, Mas cheguei, Com sangue nos olhos e coragem no peito, E não vou cair. Porque eu nunca deixo rastro. Meus inimigos não sabem que são meus inimigos até a bala atravessar.
Betão ainda acha que é o chefe do comando, Mas o comando aqui do lado de fora, hoje, dança conforme minha música. Ele preso e eu aqui fora, livre, fazendo o que quero, com quem quero, do jeito que quero. Ele é família, mas eu sou o fim, E se um dia ele tentar se levantar contra mim, vai descobrir que o sangue pesa menos que o poder. Vai tombar achando que é rei, E eu? Vou seguir no trono, com minha coroa de ferro e a Evelyn deitada na minha cama.
Essa porr@ aqui é minha. E quem quiser contestar, que venha armado. Porque sem coragem, não pisa. E sem respeito, não volta.
Recadinho!
Meninas, até segunda será um Capítulo por dia, depois vou aumentar, tenham paciência comigo ♥️