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Eternamente, Ária

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Blurb

Ela sabia que isso aconteceria. Sabia que todas as noites em claro, todas as lágrimas que caíram e todas as vezes que jurou que superaria aquela fase seriam em vão assim que encontrasse com aqueles olhos. Ária entendia que o amor tinha faces, fases e momentos. Entendia que ele podia doer na mesma medida que lhe fazia sorrir e que estar junto nem sempre era a melhor opção. Havia sido uma escolha sua ir para longe, tentar esquecer pelo bem dos dois, mas jamais negaria que seria como nadar contra a maré, porque ela o amava mais do que deveria, podia e queria. Era óbvio o quão isso era real, porém até onde iria para poder ficar com quem ama? Depois de meses ainda se via com a necessidade de tê-lo, principalmente porque agora o Brasil quase todo conhecia a história deles e de como haviam se apaixonado. Como em um lembrete naquela capa escura, as letras douradas apenas reforçavam o que todos sabiam: o seu coração só tinha espaço para ele e ela seria eternamente sua, independente de tudo.

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Prefácio
maktub (n): Particípio passado do verbo Kitab. É a expressão característica do fatalismo muçulmano. Maktub significa: "estava escrito"; ou melhor, "tinha que acontecer". - Oriente. Vida longa, Mundo Pequeno. Nasci em uma madrugada caótica onde o vento que soprava a janela era o mesmo que levava tudo embora. Mamãe me dissera, anos depois, que tudo o que nos tinha restado era apenas destroços e a única bolsa minha que havia ido para a maternidade horas antes junto com ela. Havia sido uma madrugada difícil, mas nada se comparava ao dia seguinte quando tudo o que tínhamos era somente uma a outra e a sua coragem para seguir em frente. Admiro como ela conseguiu se reerguer nos anos seguintes. Óbvio que papai também havia feito sua parte, embora tivéssemos um oceano nos separando e a comunicação ainda fosse difícil demais. Eu lembro de que ela também afirmara que quando me olhou pela primeira vez, onde o sol já brilhava lá fora, não pode deixar de soltar uma exclamação de surpresa e, então, com um sorriso no rosto, ela constatou que não havia um outro nome. Ária. Musicista desde quando se entendera por gente, havia desistido de tudo quando o seu papel fora ter que cuidar de alguém que dependia mais dela do que qualquer um que já havia passado em sua vida. Através do caos onde eu nasci, olhar para os meus olhos bicolores a fizera constatar que entre tantas, eu era como o solo de uma ópera cheia; única. Era por isso que me doera tanto quando minha única opção fora ter que deixá-la para trás para conseguir seguir um sonho muito maior. Sabia que dentre todas as pessoas do mundo, ninguém me amaria mais do que ela, ninguém chegaria a fazer tanto por mim quanto ela e, até mesmo eu, jamais amaria alguém como eu amava ela. Errada estava eu, mas quem poderia supor, hein? Em um um mundo onde o maldito destino sempre resolve intervir, eu jamais poderia alterar as ordens dos fatores do que talvez já estava escrito há muito mais tempo do que se quer pode imaginar. A grande São Paulo havia me trazido muitas coisas desde a primeira vez que meus pés tocaram aquele chão. Primeiro que era muito mais do que alguém do interior como eu estava acostumada e segundo porque o novo sempre me encantou. Eu gostava da sensação quente/fria, dos parques aos sábados, da garoa durante a noite e até mesmo das minhas aulas que permutavam durante a semana. Eu gostava de como aquilo fazia eu me apaixonar ainda mais pela vida e de como aquilo me proporcionava até mesmo uma aproximação à mais com meu pai. Aquele lugar era a nossa mais comum paixão. A cidade me inspirava e para quem queria ser escritora, aquilo me ajudava muito. Não tanto quanto ele, mas ajudava. E antes que me digam por quais razões deixá-lo era a melhor opção, a resposta é que não deixá-lo doeria mais do que eu poderia imaginar. Conheci eleem um elevador de um prédio, quando tudo o que minha amiga havia feito era me convencer sair na chuva até ela. Eu estava uma bagunça de cabelos encharcados e roupas molhadas mas tudo o que ele fez foi não se importar e, além disso, sorrir. Aquele maldito sorriso que está gravado na minha cabeça como uma tatuagem e que até hoje faz do meu coração uma sinfonia desenfreada e barulhenta. Um sorriso sem graça meu e um "tá tudo bem?" em um sotaque que eu era péssima em adivinhar de onde. Desinibdo, mesmo que ainda na dele, eu havia achado tão gentil da sua parte que apenas me vi sorriso fraco, afirmando que sim, estava, embora fosse óbvio que não e o leve bater de queixo dizia muito sobre isso. Bem, não que importasse. Ele era um poço de gentileza e timidez em um pequeno espaço, enquanto eu era apenas eu naquele lugar. Havia sido inevitável falar com ele, assim como havia sido inevitável encontrá-lo novamente. Em um mundo como o meu, o inevitável era tão destino quanto o era para acontecer. E então sim, de uma vez foram duas e de duas, muitas. Cada vez de uma forma, uma conversa, um sorriso. Me apaixonar não foi difícil, mas eu não contava com a reciprocidade dos fatos. Éramos a história perfeita que todos gostariam de ter e que muitos adoravam ler: o famoso clichê de dois mundos diferentes que se colidiam em um só lugar. Como dois polos diferentes que se atraíam um para o outro. Era eu a dona do seu coração, dos seus sorrisos e dos seus maiores feitos. Apenas eu para te fazer esquecer, embolar as palavras e parar um pouco quando desenfreava a falar. Eu que tirava sua timidez ao mesmo tempo que a devolvia para si. Éramos como marinheiros navegando contra a maré, em um mundo onde tudo parecia mais difícil do que realmente era. Quando as dificuldades apareciam, eram nossas mãos que se entrelaçavam e nossos beijos que faziam promessas silenciosas de que tudo ficaria bem. E posso contar todas as vezes que nos amarramos um ao outro, em um laço que aprecia indestrutível. Até desenlaçar e nosso(s) nós desatar diante dos nossos olhos tão fácil quanto se fez. Éramos parte de algo único, nosso, como um solo no meio de uma sala vazia que ecoava no vácuo. O som era ensurdecedor, mas podíamos mesmo afirmar que ele existia se não houvesse alguém para escuta-lo? E até que houve. Aliás, houveram tantas pessoas que talvez tenha sido por isso que a minha sintonia com a dele saiu de ordem, desencadeando um desastre musical entra nosso amor. Talvez a culpa fosse minha. Eu não estava acostumada com seu mundo, mas ousei entrar no seu ritmo até perder o meu. Ousei usar um tom diferente e isso talvez não soou bem. Talvez. Ou talvez fosse mesmo coisa do destino. Era inevitável se apaixonar assim como era abrir mão. Pode ser que, em algum livro esquecido por aí, mesmo que ele afirmasse todas as vezes que eu fosse Ária, única diante dos teus olhos, nossa história pudesse ter um final diferente. Talvez. Assim como, talvez, uma a gente se esbarre por aí e tudo seja diferente do que a gente achou que seria. Entretanto, eu queria afirmar que, independente de todas as questões que envolvam o destino, esse livro não é apenas sobre nós. É sobre como o amor pode sim ser uma música de dois ritmos e ainda assim, seja única. É sobre como amar e estar é muito diferente porque há um tênue chamado talvez que impede isso. É sobre, também, ele sempre será o meu maior amor e eu, acima de tudo, eternamente sua Ária.

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