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586 Words
Depois de limpar bem o quarto, ajeitei a cama e coloquei a minha irmã ali, deixando-a com alguns brinquedos enquanto fui organizar a casa. Retirei a poeira de todos os cantos; não havia muita sujeira, afinal a casa não ficou fechada por muito tempo, o que facilitou pra c*****o o meu trabalho. Com tudo limpo e arrumado, tomei um banho junto com a Eloah e nos vestimos com roupas bem fresquinhas — pois aqui o calor é constante e intenso. Uma das poucas coisas que eu gostava deste lugar é esse ritmo insano de temperatura; parece que o ano todo é verão, amo isso. Devidamente prontas, fui com ela até a padaria para tomarmos café e depois seguirmos ao mercado. Preciso dar continuidade à nossa rotina: amanhã mesmo vou procurar vaga na creche e sair atrás de um emprego. Peguei a Eloah no colo e fomos caminhando. A padaria parecia a mesma coisa, quase nada mudou por aqui. Mesmo tendo passado por momentos muito tristes neste lugar, a Rocinha tem um cheiro de vida que não sei explicar. Fiz o nosso pedido: dois pães na chapa, um café com leite e um Toddynho para a Eloah. Sentamos à mesa para aguardar e, para a minha surpresa, vi que o rapaz que me ajudou mais cedo estava em uma mesa isolada tomando café. Uma moça se aproximou dele e disse algo, mas ele nem sequer foi capaz de olhar para a cara dela. Ele terminou o seu café, levantou-se e deu de cara com a gente. Brincou rapidamente com a minha irmã e seguiu seu caminho. Foi aí que a moça, com aquele ar de arrogância, veio até a minha mesa e soltou o verbo. — Qual foi? Por que tá falando com o meu bofe? Que confiança é essa? Tá maluca, p*****a? — Disse ela, cruzando os braços com desafio. — Não falei com ele, ele que veio até a minha mesa, caso não tenha visto. E p*****a é você. Não dê uma de maluca e falte com o respeito, ainda mais na frente de uma criança, senão eu sou capaz de descer ao seu nível. — Falei, olhando firme para a cara dela. — Então quer dizer que a moradora nova é afrontosa? — Rebateu ela, batendo as mãos. — Moradora nova não, sou cria daqui. Nasci e fui criada neste morro. Então não vem fazer graça querendo dar uma de brabona para o meu lado, que aqui serão duas bravas. E pode descansar o seu coração, não quero nada com o seu macho. — Falei, levantando-me com a minha irmã no colo para buscar o nosso café. — Fala com ele, mas na próxima vez eu te quebro na porrada, p*****a do c*****o! — Disse a mulher, dando as costas e saindo da padaria. A sorte dessa safada é que estou com a minha irmã e acabei de chegar; se não fosse por isso, ela já tinha levado uma surra bem dada por me chamar de p*****a assim. Que ela se f**a com esse ódio gratuito. Incrível como é sempre uma feia para fazer escândalo, né? Parece que as que não têm beleza vivem brigando o tempo todo, nunca vi. Deviam era ser legais e humildes, já que a natureza não foi generosa. Ah, pronto, falei. Tomamos o nosso café na santa paz. Não vou me permitir ficar abalada por uma rapariga barata dessa. Sei que essa praga ainda vai me infernizar muito, mas não vou facilitar nada para ela, só por pura teimosia.
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