A tempestade ainda não havia cessado quando Isadora acordou. O quarto improvisado estava escuro, exceto pelas brasas na lareira e um filete de luz fria escapando por entre as cortinas pesadas. O som da chuva havia diminuído, mas o ar seguia úmido, abafado, como se a mansão temporária os sufocasse aos poucos. Ela se sentou na cama e notou, pela primeira vez, o silêncio. O som familiar do vinho girando no copo de Dante havia desaparecido. Olhou ao redor. Ele não estava mais na poltrona. Levantou-se com os pés descalços, vestida apenas com uma camisola leve e uma manta fina sobre os ombros. Abriu a porta e viu uma luz acesa no corredor à esquerda. Seguiu com passos lentos. O som que ouviu a fez parar. Dante. Ofegante. Mas não de prazer — de dor. Ela parou à porta entreaberta de um segu

