Ela ficou sentada no sofá, as mãos no rosto, o choro vindo em ondas curtas, sufocadas.
Meu Deus…
As palavras vinham quebradas dentro da cabeça dela.
Eu recusei ele… eu recusei, sim.
A sala parecia diferente sem Klaus ali. Grande demais. Silenciosa demais. Pela primeira vez, Caroline percebeu o quanto aquela casa sempre funcionou sem que ela fizesse nada.
Ele fazia tudo…
A imagem dele surgia clara demais: chegando cedo, mesmo cansado. Arrumando a casa. Lavando roupa. Cozinhando. Tentando conversar. Tentando beijá-la. Tentando existir.
Eu não precisava fazer nada… eu só ficava deitada.
O peso caiu com força.
Ela lembrou de cada vez que virou o rosto.
De cada “depois”.
De cada reclamação.
De cada comparação.
Eu destratava ele.
A voz interna agora não era mais arrogante. Era frágil. Assustada.
Ele sempre foi o homem perfeito pra mim…
Não perfeito no luxo.
Perfeito na constância.
Na presença.
No cuidado silencioso que ela achou que nunca acabaria.
O que foi que eu fiz?
Caroline abraçou as próprias pernas no sofá, como se pudesse se proteger do vazio que tomou conta da casa.
Mas era tarde.
Porque algumas pessoas só entendem o valor
quando o silêncio ocupa o lugar
onde antes existia amor.
Na mansão, Klaus não conseguia parar. Andava de um lado pro outro como um animal ferido, o copo de uísque tremendo na mão. As luzes eram quentes, o chão impecável, tudo luxuoso demais pra dor que escorria pelos olhos dele.
As lágrimas caíam sem pedir permissão.
— Tudo o que eu fiz foi te amar… — a voz saiu rouca, quebrada. — Eu só queria saber se você podia entrar no meu mundo. Se podia ficar.
Ele parou diante da janela, encarando o nada.
— Mas você nunca foi digna disso.
Virou o rosto, o maxilar travado, a raiva misturada com decepção.
— Você quis sair. Quis viver fora do meu braço, fora da minha voz. — riu sem humor. — E sabe o que você nunca me deu? Amor. Sexo. Atenção. Carinho.
O copo apertou mais forte na mão.
— Eu tinha o mundo inteiro pra te dar. Um império. Riqueza. Poder. — a voz falhou. — E eu só queria o seu amor. De verdade.
Num impulso, ele arremessou o copo no chão. O vidro explodiu, o som ecoando pela mansão como um grito.
Klaus gritou também. Um grito cru, rasgado, cheio de ódio e dor.
— Eu não queria que você me amasse pelo dinheiro! — berrou. — Eu não queria que você me amasse quando visse a riqueza. Eu queria que você me amasse pelo homem que eu sou!
As lágrimas vieram mais fortes.
Nesse momento, Breno entrou apressado.
— Ei, cara… Klaus… calma. Não fica assim.
Breno se aproximou e o abraçou com força. Klaus não resistiu. O corpo pesado cedeu, a dor transbordando.
— Como que eu não vou ficar assim, Breno? — a voz saiu abafada no ombro do amigo. — Tudo o que eu queria era o amor dela. O amor de verdade.
Ele se afastou um pouco, os olhos vermelhos, o peito subindo e descendo rápido.
— Mas não. Ela queria dinheiro. Sempre quis. — engoliu em seco. — Eu sei que agora ela deve estar arrependida. Porque um homem como eu… pra ela… ela não vai encontrar.
Riu de novo, um riso amargo.
— Um empregado, né? Como eu fui.
De repente, bateu com força no próprio peito.
— Mas dói, Breno. — a voz quebrou de vez. — Dói pra c*****o.
E ali, no meio de um império construído com poder e sangue frio, Klaus desmoronava…
não como rei,
não como magnata,
mas como um homem que só queria ser amado.