Eu te perdou mais nao voltou

813 Words
À noite, o apartamento parecia grande demais pra ela. Cheio de móveis, de luzes acesas, de silêncio. Um silêncio pesado, que apertava o peito. Caroline estava sentada no chão da sala, encostada no sofá, abraçando as próprias pernas. O celular na mão, a tela acendendo e apagando. Nada. Ela tentava ligar. Chamava. Mandava mensagem. Visualizado… Depois, nem isso. O arrependimento veio primeiro, ardendo. Depois a raiva — dela mesma. De cada escolha. De cada mentira. — O que eu fiz com você, Klaus… — sussurrou, a voz falhando. A imagem dele voltava sem pedir licença: tentando, insistindo, cuidando. E ela… fria. Distante. Ingrata. O choro voltou quando a ficha caiu de verdade. Horas depois, fuçando redes sociais, mensagens antigas, nomes que não conhecia, ela descobriu. Ele não era só dela. Outras mulheres. Outros apartamentos. Outras promessas iguais às que ele fez pra ela. Ele bancava várias. Caroline era só mais uma. O estômago embrulhou. — Eu fui tão i****a… — disse em voz baixa, como se admitir doesse menos. Ela acreditou que seria escolhida. Que seria amada. Que teria o mundo nas mãos. Mas não passou de um corpo conveniente. Um investimento temporário. E aí a comparação veio como um soco. Ela tinha perdido um homem que nunca deixou de lutar por ela. Que chegava cedo. Que fazia tudo. Que, mesmo sem excessos, jamais deixaria faltar. Mesmo que fosse pouco, era verdadeiro. E ela trocou isso por ilusão. Por promessas vazias. Por alguém que só se aproveitou. Caroline deixou a cabeça cair pra trás, encarando o teto. — Eu traí o único homem que me amou de verdade… As lágrimas escorreram em silêncio. Não era só o casamento que ela tinha perdido. Era a segurança. Era o amor. Era a certeza de que alguém ficaria. E agora, sozinha naquele apartamento cheio, ela entendia tarde demais: Ela não perdeu Klaus. Ela se perdeu quando achou que merecia mais do que o amor… sem perceber que já tinha tudo. Ela apertou o celular com as duas mãos, os dedos tremendo. Respirou fundo, como se isso fosse impedir o coração de sair pela boca, e ligou. Chamou uma vez. Duas. Atendeu. — O que você quer, Caroline? A voz dele veio fria. Distante. Não havia raiva ali — e isso doeu mais. — Klaus… — ela engasgou. — Por favor… me perdoa, amor. Me perdoa. Do outro lado, silêncio. — Eu errei. Eu fui i****a, eu fui — as palavras saíam atropeladas. — Mas eu vou mudar. Eu juro que vou. Eu vou trabalhar, vou arrumar um emprego. Eu cuido da casa, eu cuido de tudo. Você não precisa fazer mais nada, eu prometo. A respiração dela virou choro. — Por favor, Klaus… volta pra mim. Eu te amo. Me perdoa… me perdoa, por favor. Ele não respondeu de imediato. O silêncio dele era pesado, quase c***l. — Eu preciso de você — ela continuou, desesperada. — Você foi o único homem que me amou de verdade. O único. E eu… eu não vi isso. Eu tava cega. Cega por coisa vazia. Por ilusão. A voz quebrou de vez. — Por favor, Klaus… não faz isso comigo. Do outro lado da linha, ele respirou fundo. Quando falou, não gritou. Não xingou. Isso foi pior. — Caroline… — o nome saiu baixo, cansado. — Amor não é pedido depois que tudo acaba. Ela soluçou. — Eu te implorei tantas vezes. — ele continuou. — Eu te esperei. Eu te quis. Eu te toquei e você virou o rosto. Eu te dei tudo o que eu tinha… e até o que eu não tinha. O silêncio voltou, pesado. — Agora você diz que me ama porque perdeu. Não porque sentiu. — Não, Klaus, não é isso… — ela tentou interromper. — É sim. — a voz dele endureceu. — Você só percebeu o meu valor quando descobriu que o outro te usava. Quando viu que o mundo que ele prometeu era mentira. Ela chorava sem conseguir falar. — Eu te amei quando você não tinha mais nada pra me dar. — ele disse, firme. — Você diz que vai mudar agora… mas eu mudei também. — Como…? — ela sussurrou. — Eu aprendi a não aceitar migalhas. — pausa. — Nem de quem eu amei demais. O coração dela pareceu despencar. — Klaus, por favor… — Eu te perdoo, Caroline. — ele disse, e isso soou como um fim. — Mas eu não volto. O choro dela virou desespero. — Você não precisa de mim. — ele completou. — Você precisa aprender a viver com as escolhas que fez. Assim como eu tive que aprender a viver sem você. A ligação ficou muda. Caroline encarou a tela escura do celular, sentindo o peso esmagador da realidade. Ela perdeu Klaus no momento em que achou que poderia trocá-lo. E amor de verdade… não aceita voltar depois de ser quebrado.
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