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1975 Words
FRANCINE — Que tal um vinho? — sugeriu, levantando subitamente — Quando te chamei para jantar não queria falar sobre coisas tristes. Só entrei no assunto porque queria que visse Francine, somos o que queremos ser, uns não tem oportunidades, outros tem; só não os enxerga. Não se deixe abater, você pode tudo, depende de como faz as coisas — Ao dizer isso ele se virou e foi para a cozinha. Fechei os olhos, encostando a minha cabeça no sofá. Era para ser simples, o jeito como ele fala tornava tudo mais simples. Mas não era assim, eu me sentia presa ao sentimento. Instantes depois ele estava de volta; com duas taças em ambas as mãos. Me ofereceu uma, peguei de bom grado. A outra, ele virou de uma vez, sorvendo uma quantidade considerável da bebida. — Muito bom — Disse ao tomar um pouco do líquido escuro e gelado; uma sensação de prazer muito bem vinda naquele momento. — É mesmo. — Concordou, virando se para mim — Me fale sobre você, o que a levou cursar pedagogia? Ser professora é uma das profissões mais lindas que existem, porém é para poucos. Na minha opinião, todos os professores deveriam fazer acompanhamento com um terapeuta. — Levanto uma sobrancelha — Sem querer ofender é claro, eu falo pelo fato de que; vocês passam por muitas coisas em sala de aula, eu digo por mim quando ainda estudava, minhas professoras sofreram e hoje me arrependo — Ele sorri de canto, parece se desculpar ao fazer. — Não discordo de você. O governo deveria disponibilizar um especialista, nem só para os professores mas também para os alunos. Só que, isso está longe de acontecer, m*l nos pagam o salário. — brinquei — Entretanto, o conselho tutelar, assistência social... fazem um trabalho bonito nos colégios. Pelo menos isso. — Levei a taça aos lábios. — O que levou você a querer ensinar? — Ele repete a pergunta. — Sinceramente, eu não sei. Sempre fui boa em matemática, fiz um curso técnico profissionalizante de contabilidade, sempre quis fazer algo útil, então porque não ensinar a quem não sabia? Aí fiz faculdade. — Dei de ombros. — Pelo menos essa é a explicação que dou a mim mesmo. Eu queria fazer algo útil e estou conseguindo. Ele não disse mais nada. Apenas me observava como se eu fosse louca ou de outro mundo. Quando enfim acabou o vinho nas taças, rapidamente se põs a enche-las outra vez, então se recostava e sua atenção ia para a taça entre os dedos. Diego era mesmo um homem muito bonito, ele exalava superioridade por onde ia, vi isso no supermercado, entretanto, sua humildade também não passou despercebido. Lindo e gentil, educado e muito gente boa. Realmente queria que fôssemos amigos, mas não era possível. As pessoas costumavam se afastar de mim, principalmente os homens. Me apegar e saber que seria abandonada depois? Não, obrigada. Sim, porque isso não era um segredo para mim. Ficamos nos encarando durante bom tempo, esvaziando e esvazinando sem dizer mais nada. Ele levantou para ir pegar a segunda garrafa e me peguei soltando a respiração. Imensamente surpresa comigo mesmo, eu não era de beber, e não estava tonta, pelo menos foi o que pareceu. — Não precisa encher a minha. — Tentei levantar quando ele retornou, em vão. — Preciso fazer a sobremesa. — Não segurei risada ao lembrar de fazer o mousse de limão que tinha comentado com ele no carro. — Ei, só relaxa. — Meu braço foi segurado, levantei o olhar encarando duas esferas verdes profundamente.— O jantar já está pronto. Se quiser nós jantamos. Não precisa de sobremesa, de toda maneira eu comprei chocolates. — Disse baixo, o timbre de voz totalmente mudado. Grave. O álcool correndo em minhas veias; sintia isso, como se meu sangue fervesse e se acumulasse na minha cabeça. Impulsionei o corpo para levantar do sofá e consigui, posteriormente tropeçando nos próprios pés, só não dei de cara com chão porque Diego me segurou firme. — Se segura aí mulher... — Disse parecendo se divertir com o meu estado. Encarei o local que seus dedos estavam me tocando, em seguida, olhei em seus olhos que por sua vez mantia a atenção focada no meu rosto; na minha boca. — Estou bem. — tentei me afastar. Era calor demais para uma pessoa só, dei risada — Já pode me soltar, estou equilibrada. — Minha voz, subitamente, soando séria, fazendo assim, ele me soltar devagar, e se afastar, o semblante diferente. — Me desculpe, é que você parece um pouco bêbada. — Pareceu um tanto chocado — Só quis me certificar que não cairia, já lidei com você bêbada antes, mas não acordada. — Lembrou — Não se preocupe. Porque inferno eu fui beber? Que vacilo o meu; ficar bêbada com um ex recém desconhecido. Ainda não o conheçia suficientemente bem para confiar nele. Não estava enxergando bem, a sala da minha casa girava ao meu redor, como uma bailarina. Uma comparação nada a ver mas eu me encontrava bastante tonta, totalmente sem condições de fazer comparações que tivessem sentido. — Não estou me sentindo bem. — Murmurei — Merda! — Praguejou, me pegando rapidamente quando fiz mensão de cair — p***a, você só tomou duas taças Francine. — exclamou, parecendo incrédulo. — Só duas? — Questionei de olhos fechados — Achei que tínhamos tomado duas garrafas. — Gargalhei — De fato. Você tomou duas taças e eu tomei o resto. — resmungou, abri a boca em espanto. Empurrando a porta do quarto Diego me levou até a cama e sem sacrifício, deitando-me nela. Retirou minhas sandálias sentando-se ao meu lado, me encarou. Entrelaçei meus dedos em cima da barriga e respirei fundo. Eu não estava bêbada, acho, tonta sim, mas bêbada não. Foram só duas tacinhas de nada. Impossível que eu tivesse ficado bêbada só com isso. — Francine? — Hm? — Porque não se permite viver? — Perguntou ele, de repente. — Não entendi sua pergunta. — Deixei claro — E quem disse que eu não vivo. Tenho casa, trabalho, sou independente, todos me elogiam pela minha paciência e capacidade, o que mais eu iria querer? — Você, se elogia pela sua capacidade? — Rebateu, fechei a cara. — Não preciso, as pessoas já fazem isso. — Não estava gostando do rumo da maldita como conversa. Não adiantava quererem forçar algo comigo. Eu não tinha paciência, não acreditava no que saía da boca das pessoas em relação a mim, porém era bem contraditório, já que tinha a necessidade de elogios constantemente. Eu carecia ouvir as palavras "Você é boa no que faz". Era uma necessidade, e muitas pessoas não entendiam isso. — Procura aceitação? — Quem não? — Ironizei. Ele se calou, ficando alguns minutos sem dizer nada, e, quando abriu a boca foi para perguntar: — Bom, você está bem? Ou precisa que eu fique aqui? — seu tom de voz demonstrando chateação e eu não queria fazer isso, não queria mesmo. Estava gostando da sua presença. — Só foi uma tontura, mas já está passando. — Tudo bem. Eu vou pegar um pouco de água, talvez ajude. Se pôs de pé e saiu sem olhar para trás. Ao retornar, seu rosto estava sério quando ele estende o copo para mim. Havia me sentado e isso facilitou a minha visão. Ele estava com ambas as mãos nos bolsos, olhando para cima; talvez pensando, eu sinceramente não sabia. Devolvi-lhe o copo, me pus de pé calmamente e suspirei A tontura já não se fazia presente e eu agradeçi aos céus — Já não sei se tem clima para jantar. — Admiti com um suspiro. — Bom, então estou indo. Quando quiser me ver você tem meu número. — Se pôs a caminhar até mim. Me presenteando com um beijo na bochecha, Diego inspirou fundo. Fechei os olhos e emiti um gemido baixo, porém garantindo, ele ouviu. Eu sei que sim, e sei disso porque sua respiração estava em meu rosto em seguida. A quentura que emanava do seu corpo; eu estava sentido muito bem, era uma coisa um pouco louca, e eletrizante. — Até qualquer dia. Dito isso, ele me soltou e se foi  Já faziam dois dias que não via Diego, odiava admitir mas estava sentindo falta. Era estranho, contando com o fato de que não nos conhecíamos bem. Mas mesmo assim, quando foi embora naquela noite, fiquei acordada, e, quando não suportei mais a fome, jantei sozinha. Queria ligar e elogia-lo, nunca comi nada tão bom. Na verdade, sempre comia as coisas que minha tia fazia, nunca me dei ao luxo de sair para restaurante ou pedir algo. Eu nunca gostei de ser vista em público, tinha medo de que a atenção viesse toda para mim se o fizesse. Então optava por ficar em casa, onde eu podiacomer sem me importar se estavam me olhando, vestir qualquer roupa, andar descalço e o mais importante; ninguém falaria de mim. Porém naquele dia, eu queria ir a um restaurante, de preferência, com um certo homem que estava me atormentando, entretanto não tinha coragem de ligar. Poderia conversar com as meninas; Mariana me diria para ir em frente, seduzi-lo e mostrar que sou uma mulher confiante. É como se eu estivesse escutando-a nesse instante. Já Deise, bom, ela diria praticamente a mesma coisa, porque são duas loucas. Sorri ao pensar naquilo e, quando dei por mim estava com o celular na orelha. — Ah... Oi Diego, é a Francine. — disse nervosa assim que ele atendeu. — Olá, Diego não está no momento. — a mulher falou do outro lado, engoli a seco. Não sabia onde pôr a minha cara. Obviamente presumido que ele mentira. — Ah, tudo bem, desculpe incomodar. E... não precisa falar que liguei. — pedi baixo, totalmente arrependida de ter ligado. — Certo então. Desliguei. Era a minha folga no colégio, eu achei que poderia convidá-lo para almoçar em algum lugar, e assim, compensar o fiasco que foi o jantar. Mas vi que fui ridícula ao fazer. Ele, um homem de negócios; lindo, gentil e conhecido, não iria querer sair para almoçar e ser visto comigo de maneira alguma. Foi bom ele não ter atendido. *** Horas mais tarde, estava saindo do quarto após preparar algumas aulas, quando bateram a minha porta. Estranhei, não estava esperando ninguém, eu nunca esperava ninguém. Caminhei até a entrada a abri, depois de ver que se tratava de Diego, e me perguntei o que ele estaria fazendo ali. Descobri logo em seguida. Diego entrou apressado, parecia nervoso; ouvia sua respiração pesada e o quanto estava ansioso. No momento em que fechei a porta, fui prensada a ela com toda força. Então, sem nenhum preparo ou chance para assimar os fatos, os lábios grossos e macios tomaram os meus com desespero e fome. Não tive reação de início, mas ao sentir sua mão segurando minha nuca, comecei a corresponder com a mesma gana. Eu não sabia que poderia ficar acesa apenas com um beijo visto que nunca fora beijada daquela maneira. Diego era forte, quente, e era, difinitivamente, um homem com o negócio notável. Eu estava sentido tudo, todas as sensações; quando ele rocava de leve em mim. Mas precisei de ar. Necessitei saber o que estava exatamente está acontecendo ali, por isso me afastei respirando com dificuldade, totalmente desnorteada. Abri os olhos; nem prestei atenção que os tinha fechado. Já ele, permaneceu com os seus abertos, olhando para a minha boca, uma de suas mãos continuava na minha nuca enquanto a outra, se encontrava espalmada na madeira atrás de nós. — Eu não tenho uma explicação, se é o que quer saber. — Respondeu a minha pergunta silenciosa — Eu só não parei de pensar nessa sua boca, em você. Foi o que disse, me deixando totalmente surpresa. ...
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