LOBO O instinto é a primeira língua de um soldado. E o meu estava gritando. Tinha olhos em mim. Não os olhos desinteressados dos outros vapô, mas um par específico, persistente, que me acompanhava como uma sombra grudenta. Eram dois: um magricela com boné que eu já tinha visto com o Jacaré, e um mais parrudo, com uma tatuagem de cobra no pescoço. Eles se alternavam, tentando disfarçar, mas a rotina deles agora girava em torno da minha. Eu já sabia. Tinha ouvido a conversa na varanda, os fragmentos que ecoaram até onde eu estava de guarda. A voz do Tito, carregada de um ciúme doentio e daquela paranoia violenta que é tão característica dele. "Fica de olho nele. Dobrado." A sentença tinha sido proferida. Agora, eu não era apenas um infiltrado; era um alvo sob vigilância. A pri

