Não sei quanto tempo se passou quando Pedro de repente se aproximou de mim e sussurrou baixinho: um...
Sempre tive medo de trair. Eu tinha medo de ficar em segundo lugar em relação ao meu homem, mas também me tornei a segunda. Ou a terceira... Talvez a quarta?
— Quantas? Eu não conseguia olhar para ele, não queria ver o Pedro. Era tudo muito doloroso, muito difícil.
— Escute. Ele sussurrou histericamente, tentando colocar a mão no meu joelho. — Nunca ia dar certo. Você sabe disso...
— Quantas, Pedro?! Rosnei, medindo cada palavra.
Ele não respondeu, então olhei para ele de perto. Uma das bochechas do reitor estava escarlate, quase azul por causa da bofetada.
Ele franziu os lábios e estreitou os olhos como se tivesse comido um limão.
— Você não quer saber, querida.
— Oh meu Deus. Estremeci com o novo golpe, rindo de impotência e choque. — Não somos nem três!
Você é tão estúp8ida, Lisa! Nem parece ser loira natural! Disse uma voz interior, e eu balancei a cabeça inconscientemente. Pedro Tylor Stepanovich era uma pessoa de alto escalão, um homem bonito de quarenta e poucos anos. Como ele poderia permanecer livre? Por que você decidiu que tal pessoa só seria capaz de prestar atenção em você?
— O que você queria me dizer amanhã que era tão importante? Por algum motivo sussurrei quando o silêncio se arrastou. — Que tipo de surpresa você preparou?
Sentado ao meu lado no chão, o homem não tirava os olhos de mim. As suas mãos repetidamente tentaram me tocar, me acariciar, me virar para ele. Eu não cedi, não suportava estar perto dele.
— Comprei um apartamento para você. Para que você não tenha que se preocupar mais e largue os seus três empregos horríveis. Ele deixou escapar, e eu ri. Mas quando olhei nos seus olhos tristes, de repente percebi: o reitor não estava brincando.
Nunca aceitei dinheiro de um homem. Eu não queria que ele pensasse que eu estava com ele por uma questão de finanças. Presentes caros também, porque você precisa explicá-los de alguma forma para as pessoas ao seu redor. E hoje fui subitamente superado... Sorrindo friamente, estendi a palma da mão: vamos, eu aceito.
Pedro ficou surpreso e sorriu com os cantos dos lábios.
— Agora você não precisa dele. A sua voz rouca causou náuseas em mim. Foi exatamente assim que ele sussurrou todo tipo de vulgaridades íntimas para mim, e agora tudo mudou. — Vou te levar para minha casa amanhã.
— E a sua esposa? Sussurrei, olhando para baixo.
— Ela... Ela está indo embora hoje. O reitor deu de ombros, como se isso não importasse para ele. E o seu próprio filho não despertou nenhum sentimento nele? Que tipo de monstro está na minha frente? Fiquei cada vez mais surpresa a cada segundo. De repente, Pedro tirou da mão um anel com uma enorme pedra vermelha. Ele agarrou a minha palma com força, suja de lágrimas e maquiagem borrada, e colocou o anel no meu dedo. — Você quer se casar comigo, Lisa?
Fiquei surpresa e prendi a respiração. As mesmas palavras com as quais sonhei por tanto tempo de repente tornaram-se nojentas e vis. O homem que há apenas uma hora parecia o mais querido e amado caiu no fundo dos meus olhos.
— Não, Pedro. Encolhi os ombros com uma calma surpreendente, tentando puxar a minha mão. Ele segurou com força, franziu a testa e ficou com raiva.
Se eu não soubesse qual reitor é mentiroso e enganador, teria decidido que ele tinha medo de me perder. Tipo, ele está enlouquecendo de tristeza... Mas não agora, quando as cartas foram reveladas.
— Não estou sugerindo que você seja uma amante. Ele esclareceu com um grunhido, não permitindo que o anel fosse removido.
— Eu entendo. Eu balancei a cabeça, concordando. — Esta proposta irá para outra pessoa.
Cansada da luta inútil, puxei o meu pulso com força na minha direção. O anel caiu no tapete, deixando um arranhão no dedo. Pedro corou de raiva, as asas do seu nariz incharam e os cabelos da sua cabeça pareciam se arrepiar.
— Lisa! Como se você tivesse o direito de me acusar de alguma coisa, gritou ele, furioso e irritado. — Eu te amo, idi*ota!
— Sou eu quem te ama, Pedro. Sussurrei com a minha voz quebrada. — Mas você não sabe o que é amor. Balancei a cabeça, finalmente forte o suficiente para me levantar e ir embora.
Talvez eu tenha sido a primeiro a dizer “não” ao reitor da nossa universidade, porque ele saiu diretamente da realidade, olhando para um ponto com o olhar perdido. Isso me permitiu ir direto até a porta sem perder a dignidade, levando comigo a minha bagagem de mão.
— Lisa. Uma voz atrás de mim me fez estremecer. Virando meia volta, vi Pedro parado no meio da sala com as mãos cruzadas nos bolsos. — Se você sair por essa porta agora, eu não vou aceitar você de novo!
Eu sorri e dei de ombros: por que você se importa? Mais uma, menos uma...
E então eu realmente fui embora para sempre. Achei que iria me humilhar e voltar para Pedro. Porque depois de uma semana de tormento percebi que o amor não havia desaparecido. Ela me queimava por dentro, me destruía, me dissolvia em ácido sulfúrico. Parei de comer e depois de beber. Quando recebi o meu diploma, já havia perdido cinco quilos, embora já não pesasse mais de cinquenta. Mas eu não voltei, eu não podia cair tão baixo.
Mas Pedro queria isso. Ele me seguiu por toda parte como um fantasma. Ele caminhou por toda parte, ameaçou e exigiu alguma coisa. No dia em que recebi o meu diploma, vi pela última vez o reitor da nossa universidade. Sem contar a ninguém, eu cortei todas as suas pontes. Larguei o meu emprego, não fiz pós-graduação, mudei de telefone...
É uma pena ter esquecido uma verdade simples:
Onde quer que você vá, você se leva com você.