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1095 Words
Capítulo 11 Perigo narrando Eu andava de um lado para o outro dentro da boca, sentindo o coração acelerar a cada minuto que passava. Cada segundo que esperava notícias parecia uma eternidade. Tudo precisava ser feito com o máximo sigilo. Roberto não poderia, nem por um segundo, imaginar que Marcela estava sob meu controle. Cada detalhe do plano precisava ser perfeito, cada passo calculado. Não havia espaço para erros. Yuri entrou no local silenciosamente, e eu parei imediatamente, encostando minhas costas na parede enquanto o observava com atenção. — Ela já está lá em cima — ele falou, tentando manter a calma. — Ótimo — respondi, aliviado, mas ainda com aquela pontada de tensão correndo pela minha espinha. — Ela resistiu para vir? — Foi tranquilo — ele respondeu. — Melhor do que a gente imaginava. — Risco de alguém ter visto? — perguntei, franzindo a testa. — Não — garantiu. Assenti, respirando fundo. A hora de colocar nosso plano em ação tinha chegado. — Mande fotos dela para o número dele, pelo celular dela — instruí, meu olhar fixo em Yuri. — Mas envie de longe, pelo menos uns 80 km do morro. Depois, descarta o celular. — Vou fazer isso agora mesmo — ele respondeu rapidamente, saindo para executar a tarefa. Olhei para ele, sério: — Lembra, Yuri — disse, baixando a voz. — Ninguém encosta um dedo nela. — Não se preocupe — ele respondeu. — Ela está dormindo, deve demorar para acordar. Eu volto em algumas horas. Assenti novamente, mas a mente não parava. Roberto, seu filho da p**a… dessa vez, eu estava à frente dele. A chance de finalmente descobrir toda a verdade sobre sua relação com Laura, e mais importante, quem controlava quem, estava na minha mão. E a chave para tudo isso seria Marcela. Subi até o casebre no alto do morro. Sempre mantínhamos uma casinha desse tipo para situações como essa: discreta, segura e longe dos olhos da polícia ou de qualquer bisbilhoteiro. Quando entrei, encontrei Marcela deitada em um colchão velho, mãos amarradas. Meu coração apertou ao vê-la. Ela estava machucada, a boca cheia de cortes, hematomas espalhados pelo corpo. Saí rapidamente do casebre e avistei Yuri subindo na moto. — Yuri? — perguntei. — Quem foi que bateu nela? — Ela já estava assim — respondeu, sério. — Deve ter sido o marido. — Você tem certeza disso? — questionei, meu sangue fervendo. — Eu dei ordem clara: ninguém deve levantar um dedo nela. — Ninguém a machucou, dos nossos homens — confirmou. — Ela já estava dessa forma. — Entendi — resmunguei, a raiva por Roberto crescendo em minhas veias como fogo líquido. — Vou lá — disse ele, partindo rapidamente. Voltei para dentro do casebre, aproximando-me de Marcela devagar, quase temendo tocar nela. Cada detalhe de seus ferimentos me deixava atordoado: a boca sangrando, hematomas no rosto, marcas de cinta ou de algo semelhante que havia sido usado para bater nela. A visão me trouxe flashbacks que eu preferia esquecer, lembranças dolorosas do que eu mesmo fiz com Maria Luiza. Flashback: A porta se abriu, e eu joguei Maria Luiza no chão, incapaz de controlar a raiva que sentia. Me aproximei, chutando-a, cada golpe carregado de fúria reprimida. — Sua vagabunda — gritei. Ela me olhava, desesperada, tentando se proteger. — Achou que ficaria pagando calcinha para os outros e eu não ia cobrar? Ela começou a se arrastar no chão, chorando: — Você vai me matar assim! — Você é minha Maria Luiza! — gritei, a voz embargada de ódio. — Ninguém vai te ver pelada! — Tirei uma faca do bolso, pressionando-a contra o pescoço dela. — Não! — ela implorou, lágrimas escorrendo pelo rosto. Passei a lâmina pelos braços dela, fazendo-a gritar de dor. Fim do flashback. Afastei-me de Marcela, que ainda dormia, respirando com dificuldade. O peso das minhas lembranças me deixava tonto, como se estivesse revivendo cada erro e cada ato c***l do passado. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando recuperar o foco. Desci o morro correndo em direção ao hospital improvisado que mantínhamos. Peguei tudo o que poderia ajudar nos ferimentos de Marcela: remédios, curativos, lençóis limpos. Eu sabia que, quando ela acordasse, ficaria revoltada comigo. Mas era necessário que ela estivesse inteira e viva. Roberto narrando — Anda, começa a abrir a boca — disse, encarando aquele traficante filho da p**a. — Vocês não vão tirar nada de mim — respondeu Saul, tentando manter a postura. — Você prefere morrer? — Laura falou, olhando para ele com intensidade. — Você é uma vagabunda! — Saul respondeu, direcionando o olhar para ela. — Cala a boca! — Laura ordenou. — Pelo jeito ele sabe muito sobre você — falei para Laura, que retribuiu o olhar de Saul, tensa. — Ela quer vingança pelo pai dela — disse Saul. — E para isso abriu mão de algo muito importante para ela. — Cala a boca! — Laura respondeu, com raiva. — Você não sabe de nada da minha vida. — Será que seu pai valia tudo isso mesmo? — ele insistiu. — Fica quieto — falei, já irritado, e chamei dois policiais. — Se ele não abrir a boca, vão matar ele. — Então, já me mata — disse Saul. — Eu não vou trair meus amigos. — Isso é o que vamos ver — falei, endurecendo a voz. — Você vai ser o primeiro — Laura disse, ameaçadora. — Faz isso — ele retrucou, ciente das consequências. Laura apenas me encarou e saiu, deixando a tensão no ar. — Do que ele está falando? — perguntei, indo atrás dela. — Saul está falando do Jn — disse ela, direta. — Do que mais ele estaria falando? Antes que eu pudesse questioná-la mais, meu celular começou a tocar, notificando várias fotos. Quando abri, fiquei pasmo: eram fotos de Marcela. — O que ela quer em? — Laura perguntou, irritada. — Espera — respondi, analisando as imagens. Marcela nunca enviava mensagens nem fotos, e isso era estranho. Afastei-me e olhei atentamente. Meu sangue gelou ao ver cada clique que mostrava claramente Marcela em situação de cativeiro, machucada. — Filhos da p**a! — gritei, a raiva e o medo se misturando em um nó no estômago. — O que foi? — Laura perguntou, assustada. — Alguém sequestrou Marcela — disse, incrédulo. Ela arregalou os olhos, o choque estampado no rosto. O jogo havia virado. Roberto agora entendia que não tinha controle total sobre o que pensava ser sua fortaleza. Marcela estava fora de seu alcance, e cada segundo contava.
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