CAPITULO 11

1167 Words
Capítulo 11 Estela Narrando Abri os olhos devagar, ainda sentindo o calor dos nossos corpos misturados, e percebi a cama se mexer levemente ao meu lado: era o Arthur se levantando. Tivemos uma noite de amor maravilhosa, daquelas que ficam gravadas na memória. Mas foi diferente de todas as outras, mais calma, mais doce, como se ele quisesse me gravar em cada toque, em cada beijo. Na hora eu não entendi muito bem o porquê de tanta ternura, mas foi bom, muito bom mesmo. Senti o meu coração se aquecer por inteiro, transbordando de amor por aquele homem. Mas logo em seguida, quando ele entrou no banheiro para tomar banho, um aperto estranho tomou conta do meu peito, uma sensação de vazio, uma saudade imensa mesmo ele estando ali, tão perto de mim. Levantei depressa e fui atrás dele. Quando o vi debaixo da água, abracei-o forte por trás, apertando o seu corpo contra o meu, sentindo uma necessidade absurda de tê-lo mais uma vez, como se fosse a última oportunidade da minha vida. Ele virou devagar, me olhou nos olhos, e eu colei a minha boca na dele num beijo profundo, daqueles que arrancam todo o fôlego, que parecem querer fundir uma alma na outra. Ele retribuiu na mesma hora, com a mesma intensidade, e o seu corpo logo respondeu ao meu desejo. Não resistimos. Ali mesmo, debaixo do chuveiro, nos entregamos de novo, fizemos uma rapidinha cheia de amor e urgência, um sexo maravilhoso, molhado, gostoso, que me deixou com a sensação de estar completa. Terminamos rindo, brincando um com o outro, nos sentindo tão leves, tão conectados. Nos secamos com calma, e teve um momento que achei tão bonito: ele passou creme hidratante no meu corpo, espalhando devagar pelas minhas pernas, pela minha barriga, pelas costas, e depois fui eu que passei o creme no corpo dele, sentindo cada músculo seu. Era uma coisa engraçada, algo que quase nunca fazíamos, mas naquele dia pareceu tão natural, tão íntimo, como se estivéssemos marcando cada pedacinho um do outro com o nosso toque. Nos beijamos de novo, trocamos de roupa e descemos as escadas para tomar café. Sentada à mesa, conversamos um pouco, e eu comentei, observando tudo ao redor: — Arthur, é engraçado... está tudo tão calmo, tão silencioso. Aquele tal de Olho disse que a invasão ia acontecer, que ia ter guerra, e até agora ele não te ligou para avisar quando seria. Já fazem quinze dias que ele deu essa informação, e eu, com medo do ataque, tenho fechado a loja cedo, às três da tarde, todos os dias. Mas hoje é sexta-feira, fim do mês, dia que muita gente recebe o salário na prefeitura e nas repartições... nós precisamos ganhar dinheiro, amor. Hoje eu vou ficar aberta até às oito da noite, o horário que eu sempre fazia antes, tudo bem? Vi o rosto do meu esposo mudar completamente, perder a expressão calma e ficar sério, muito sério. Ele me olhou bem firme e respondeu: — Estela, por favor, continua fechando às três da tarde. Se acontecer alguma surpresa, se eles atacarem antes do que pensamos, você não vai estar guardada no cofre seguro da nossa casa, e isso me apavora. Achei aquilo um exagero, uma besteira, tanta preocupação à toa, já que tudo parecia tão tranquilo. Sorri para ele e fiz um acordo: — Tudo bem... se até às três horas da tarde não der nenhum movimento, nenhum sinal de confusão, eu fecho a loja e venho correndo para casa, tá bom? Dei um beijo carinhoso nele, levantei-me, tirei a mesa do café, lavei os copos e os pratos, arrumei tudo com calma. Subi de novo, troquei de roupa, peguei a minha moto e fui em direção à loja. Quando cheguei, levei um susto, mas um susto bom: já estava tudo aberto e em pleno vapor, muita gente comprando, movimento forte logo às oito horas da manhã. Que alegria! Para mim era ótimo, sinal de dinheiro entrando. As minhas freguesas mais antigas vieram falar comigo, contando que a prefeitura tinha pago o salário um dia antes, assim como todas as outras repartições, e por isso todo mundo estava na rua, gastando. Fiquei tão feliz, pensei: “ótimo, assim nós ganhamos mais dinheiro e ainda consigo fechar cedo, como o Arthur pediu”. Mas não foi isso que aconteceu. Quando deu cinco horas da tarde, a loja ainda estava cheia, gente para todo lado, fila no caixa, muita gente olhando e experimentando roupas. Eu não entendia de onde tinha saído tanta gente de uma vez só, mas estávamos vendendo muito, lucrando bastante. Resolvi dispensar três das minhas funcionárias, deixei só duas para me ajudar. Uma delas precisava ir mais cedo mesmo, às cinco horas, para pegar o filho na creche, e as outras tinham coisas para resolver em casa, maridos, afazeres domésticos. Pensei: “tudo bem, eu e essas duas damos conta do resto, não vai ter problema”. Quando deu sete e meia da noite, o movimento começou a diminuir, mas de repente, senti algo diferente, um ar pesado, uma sensação r**m que subiu pela minha espinha e me fez arrepiar toda. Alerta de perigo, o meu instinto gritava. Chamei logo as duas meninas que estavam comigo e disse: — Vamos fechar, agora! Não vamos esperar mais ninguém, fecha tudo, por favor. Elas foram rápidas, correram para guardar os manequins que ficavam do lado de fora, puxaram as portas das vitrines de ferro e foram fechando tudo, deixando apenas uma portinhola pequena aberta, só para nós sairmos em seguida. Foi então que o céu se encheu de luzes e barulhos ensurdecedores. De repente, escutamos os fogos estourando um atrás do outro, o sinal que todos temíamos. Não deu tempo de fazer mais nada. Eu tentei pegar o celular que estava no balcão, mas quando peguei, vi que estava descarregado, sem bateria. Olhei para as meninas e vi o desespero nos olhos delas, começaram a se apavorar, gritando baixinho. — Calma, gente, vamos sair por trás — eu falei, indo depressa para a porta principal para trancá-la de vez. Mas antes que eu pudesse encostar a porta, uma explosão forte jogou a porta de metal para o alto, arrancando-a das dobradiças, e a força do impacto me jogou longe, eu e as meninas, todas caímos no chão, espalhadas entre as roupas que estavam penduradas. A fumaça ainda não tinha baixado direito quando entraram três homens, vestidos todo de preto, com roupas de combate, cobertos da cabeça aos pés. Olhei bem, e não pareciam policiais, não tinham nada que os identificasse como tal, tinham um jeito c***l, frio, de quem veio para fazer o m*l. Eles chegaram gritando, nos agarraram pelos cabelos com força, nos levantando do chão à força, sem dó nem piedade, e começaram a nos bater, socos, tapas, empurrões, enquanto um deles, com voz grossa e autoritária, perguntou olhando diretamente nos meus olhos, com ódio: — Você é a mulher do Arthur? É você a dona daqui? Continua...
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