The Old Lady of Threadneedle Street

2782 Words
Niall Horan era quase sempre um dos primeiros a chegar no escritório pela manhã. Deixou suas coisas em sua mesa e, logo em seguida, ligou o computador. Ninguém havia chegado além dele, porém tinha quase certeza de ter ouvido a voz de Louis ao telefone na sala ao lado. Achou estranho que o chefe estivesse já por lá, sendo que era comum Tomlinson chegar depois das nove da manhã. Horan era o tipo de cara que realmente se fazia útil quando necessário — útil até demais. Sabia manter sua boca fechada quando convinha, mas quando resolvia falar o que pensava, normalmente era não apenas algo inteligente, mas bastante sensato. Órgãos de segurança governamentais sempre vasculhavam a vida de seus empregados antes de contratá-los e Horan tinha uma vida tão entediante e casual que não despertava de fato o interesse de praticamente ninguém. Ele havia entrado para a Scotland Yard depois de muitas recomendações por parte de seus antigos empregadores e chefes. Niall era um exemplo de disciplina e genialidade, apesar da pouca idade, demonstrava ser um homem com uma certa maturidade baseada numa vivência não muito fácil. Louis tinha apreço por aquele homem, tinha uma confiança ganha ao longo dos meses e muito prezada por Horan, que via em Louis, uma mente brilhante e sempre sonhou em trabalhar em sua equipe, especialmente depois que ele havia prendido Harry Styles. Tomlinson não era um homem que gostava de bajulações — ele realmente não poderia detestar mais — mas todo mundo gosta de ter seu trabalho e esforço reconhecidos, especialmente quando vindos de um Niall Horan muito simples e direto com as palavras. O loiro olhava a tela do computador concentrado, mas foi distraído pelos cabelos esvoaçantes e um pouco despenteados de Harry Styles entrando na sala, reclamando do vento. — Bom dia, Harry. — Ele disse com um sorriso contido, tirando os olhos do laptop por um segundo. — E aí, Niall. — O tom costumeiro informal de um Harry Styles um pouco ofegante, se aproximou do loiro bem vestido. — Cadê o Louis? — Acho que está na sala dele. — Niall disse novamente prestando atenção em Harry. — Achei que tivessem vindo juntos... Está na casa dele, não é? — Estou, mas ele saiu antes sem falar comigo. — Harry respondeu um pouco triste, lembrando-se que quando acordou pela manhã, Louis já não estava mais na cama com ele. — Você vai estar aqui daqui a pouco? Preciso falar com você. — Claro, vou estar aqui. — Horan respondeu simpático enquanto Harry se afastava aos poucos andando na direção da sala de Louis. Styles passou uma das mãos pelos cabelos encaracolados a fim de ajeitá-los um pouco antes de entrar — sem bater — mas ficou calado ao perceber Louis ao telefone, parecendo tenso, massageando as têmporas e dando explicações a alguém que cobrava severamente por elas. Harry não o interrompeu, mas não tirou os olhos dele, que andava de um lado para o outro e m*l havia percebido a presença do hacker ali. Tomlinson estava claramente nervoso e parecia controlar-se para não jogar o aparelho telefônico na parede. Assim que desligou, jogou-se em sua poltrona e respirou fundo. Não olhou para Harry num primeiro momento e Styles resolveu permanecer calado, deixando que Louis desse início àquela conversa. Os olhos azuis do agente estavam cansados quando encontraram os de Harry, ainda em pé em frente à sua mesa. Ele tinha um semblante calmo, porém parecia querer abraçar Tomlinson da forma mais carinhosa que poderia, como se quisesse protegê-lo, mas sabia que Louis era arisco demais para permitir uma coisa como aquela. — Sente-se. — Louis disse por fim, apontando a cadeira em frente ao outro. Harry não teve muita pressa, mas sentou-se. — Por que não me acordou hoje de manhã? — Harry perguntou tentando não fazer parecer que estava cobrando algo, mas sim perguntando alguma casualidade. Louis não respondeu de imediato, apenas deu de ombros, gesticulando com uma das mãos. — Imaginei que quisesse descansar um pouco mais, não precisava vir tão cedo. — Louis respondeu ao mesmo tempo que suspirava cansado, pensando que realmente não tinha tempo pra aquele tipo de coisa, uma vez que sua cabeça esta explodindo com tantas pressões na agência. — Louis, ouça... — Harry, não. — O agente interrompeu no momento em que Styles remexeu-se na cadeira a fim de começar a conversa que Louis já sabia que não queria ter. — Não quero saber, certo? Você disse que seria uma noite e foi isso: uma noite, fim da história, não podemos levar isso adiante. — Apesar de estar com o coração na mão por dizer aquilo encarando os olhos bonitos do hacker, ele sentia que tinha que cortar aquilo pela raiz, seria sua única alternativa. Sua razão deveria falar mais alto. — Eu sei, mas... — Styles suspirou e não conseguia pensar num bom argumento. Na verdade, ele poderia pensar em vários, poderia sim dizer que sabia que Louis o amava, que sabia que tinham uma conexão especial e que era um grande desperdício não tentar, simplesmente jogar tudo pro alto e esquecer. Ele não queria e não estava disposto a fazer aquilo, o problema era que Louis era racional demais e achava tudo aquilo apenas sentimentalismo barato. — Tivemos uma noite incrível. — Eu sei... E eu já sabia que teríamos... — Tomlinson relaxou os ombros e agora tinha um tom de voz resignado e mais relaxado. — Não esperei que fosse acontecer, mas sabia que se acontecesse... Iria ser maravilhoso, porque eu realmente te... — Louis. — Antes que o agente pudesse continuar a resposta, Zayn entrou na sala com pressa. Louis franziu o cenho já imaginando ser algo sério, pois não era comum que Malik entrasse sem bater. — Temos um problema. Louis levantou-se de onde estava, acompanhado por Harry, e os dois seguiram Zayn até a mesa de Niall, que mostrava na tela um quebra-cabeças complicado, que não parecia fazer muito sentido, envolvia cartas de baralho e algumas mensagens numa língua diferente, que Harry imediatamente reconheceu como sendo gaélico. — O que isso significa? — Louis perguntou e logo Liam também se aproximou deles. — A Segurança Nacional decodificou isso em um dos e-mails monitorados do Limpador. — Zayn explicou e, apontou para o título em gaélico. — E traduziram também, isso é gaélico. — "A velha senhora da Threadneedle Street". — Harry foi quem disse abrindo um sorriso infantil. — Você entende gaélico? — Liam perguntou um pouco surpreso. — O que você não sabe sobre mim, Payne, daria um livro. — Harry riu em seguida, Louis sorriu de canto, já sabia que Harry era mesmo interessado nas coisas mais incomuns como línguas que ninguém mais falava ou anagramas. — Gosto de palavras, gosto de saber de onde elas vêm, sei falar alguns idiomas. — Sorte a nossa aparentemente. — Liam disse arqueando as sobrancelhas sem querer demonstrar que estava impressionado. — Horan, quando isso chegou? — Há quase meia hora. — O loiro respondeu ajeitando os óculos de leitura que usava. — Quem é a "velha senhora da Threadneedle Street"? — Ele perguntou curioso, olhando para os quatro. — É um velho apelido para um dos prédios mais antigos de Londres. — Zayn respondeu, imaginando que Niall não saberia, por ser irlandês. — Que prédio? — Ele perguntou estreitando os olhos. — O Banco Central da Inglaterra. — Louis complementou fechando os botões do terno e trocando olhares com Zayn e Liam. — Você vem? — Louis perguntou a Harry antes de deixar o local com os outros dois agentes. — Não, eu vou esperar você voltar, fico aqui com Niall. — Harry respondeu puxando a cadeira ao lado do loiro, mantendo uma expressão curiosa ao responder Louis. — Conversamos depois. — Tudo bem. — O chefe do departamento não insistiu, estava realmente preocupado agora e precisaria movimentar forças com outros órgãos. Aparentemente, o Banco Central da Inglaterra estava prestes a ser roubado. Niall manteve a tela aberta enquanto Harry estudava tudo ao seu redor com bastante cuidado. Horan pensou em perguntar algo, já que o hacker parecia igualmente olhar pra ele de maneira curiosa, apenas abrindo um sorriso ao ver o irlandês um pouco sem graça. Styles sentia-se realmente fisgado por todo aquele mistério, sentou-se na cadeira ao lado com o encosto virado pra frente, apoiando seus braços dele, revezando o olhar de Niall para o computador e então de volta para o agente. — Há quanto tempo está em Londres? — Harry perguntou num tom casual, deitando a cabeça em um dos braços. — Pouco menos de um ano. — O loiro respondeu simpático. — Gosto daqui, mais do que da minha cidade até. — Por que? — Harry questionou e agora parecia um pouco mais interessado na história do que antes. — Porque consigo ser alguém aqui, consigo fazer meu trabalho e, com ele, fazer a diferença de alguma forma. — O loiro respondeu num tom saudosista, como se estivesse mergulhado em lembranças ao dizer aquilo. — Eu queria muito trabalhar com Tomlinson. — Ele é bom mesmo... Veja você, ele conseguiu me pegar. — Harry Styles usou um belo de um duplo sentido naquela frase, e teve quase certeza que Niall percebeu. — É verdade. — O irlandês limitou-se a responder. — E aparentemente você continua sendo a chave do sucesso do agente Tomlinson. — Horan disse em tom de brincadeira, e Harry. — Apesar de agora o estar ajudando. — Nós vamos pegar esse cara, Niall. — Harry disse ajeitando-se na cadeira e olhando firme nos olhos de Horan. — Sei que ele se acha muito esperto, mas ser um bom hacker envolve habilidades sociais e não apenas tecnológicas. — Hollywood estragou um pouco isso, não é mesmo? — Niall respondeu retribuindo o olhar. — Fazer as pessoas acreditarem que encriptações e invasões de rede são feitas em questão de segundos ou poucos minutos... — Os dois riram. — Como se realmente fosse fácil digitar qualquer coisa e ter todas as respostas na tela. — Aquela coisa meio Jack Bauer, em 24. — Harry respondeu e os dois riram ainda mais. — Quando eu assistia, tinha vontade de entrar lá e dizer "isso não é possível! Parem de fantasiar!" — Harry tinha uma voz engraçada enquanto teatralizava um certo desespero na voz, como costumava pensar quando via filmes e séries retratando invasões tecnológicas completamente impossíveis. Os dois continuaram rindo por poucos segundos, mas logo o silêncio voltou a se instaurar brevemente. Niall olhou Harry checando o celular, como se respondesse a uma mensagem e, em seguida, o guardou no bolso. Horan pensou em fazer alguma menção sobre o fato daquele celular não ter qualquer tipo de acesso à internet ou coisa parecida, mas era bastante óbvio que Louis não deixaria Harry perto de qualquer coisa que pudesse ser usada como instrumento para hackear alguma coisa. — Pelo visto o agente Tomlinson não confia muito em você. — Horan comentou quebrando o silêncio, obviamente referindo-se ao celular. — É, ele me conhece bem. — Harry respondeu sorrindo só por ter em sua mente a lembrança da noite anterior. Nunca antes ele teve tanta certeza do quanto Louis era dele. — Mas não tenho intenção de estragar nada. Vou pegar esse cara, vou fazer as coisas direito, quero minha condicional, quero realmente recomeçar. — Ele não diria, mas estava pensando que aquilo seria o início que ele precisava para poder ter uma chance com Louis. — Posso perguntar uma coisa? — Niall disse estreitando o olhar e Harry sorriu. Adorava a curiosidade que as pessoas tinham em relação a ele. — Lógico. — Styles ajeitou-se na cadeira quando respondeu de um jeito até bastante amigável. — Como conseguiu quebrar o firewall de segurança dos bancos para ter acesso às contas que roubou? — Niall perguntou sentindo-se um tanto quanto amador, mas Harry apenas deu uma sonora gargalhada. — Você criou algum programa? Como conseguiu? Porque muitos tentaram mesmo antes de você e, por mais que a televisão insista em mostrar que é algo simples para quem sabe mexer com isso, ambos sabemos que é uma tarefa quase impossível. — Não criei programa nenhum. — Harry respondeu coçando a cabeça e ainda rindo. — Eu não derrubei o firewall, ele continuou ativo enquanto eu mexia nas contas. — O sorriso maroto de Styles deixou Niall extremamente confuso. — Eu hackeei o telefone do gerente do banco, liguei pra ele usando o número no display como se a Scotland Yard estivesse ligando pra ele e me passei por um agente, disse que ele precisava me passar a senhas de acesso porque estávamos com problemas na segurança. Ele acreditou, me passou os dados, e eu disse que ligaria mais tarde com senhas novas. — Ele sorriu ao concluir e Niall arqueou as sobrancelhas. — Habilidade social, cara, isso é aliado às tecnologias. Eu não tive que quebrar o sistema de ninguém. — Você correu um risco enorme! — Horan estava oficialmente impressionado. — Foi por isso que a Scotland Yard ficou sabendo de mim, pois os bancos começaram a ligar pedindo explicações... — Harry explicou. — E aí souberam que tinha algo errado. Niall encarava Harry agora com uma espécie de admiração culpada. Ele não deveria achar aquilo genial, mas achou. Ele riu do jeito orgulhoso de Harry, apesar dele não estar tão feliz com aquilo, apenas pensava no quanto tinha sorte de ter encontrado Louis no meio do caminho. Não conseguia parar de pensar nele, mesmo que estivesse falando de outras coisas. Antes que os dois pudessem continuar a conversa, o furacão Tomlinson acabava de entrar de volta pela porta que havia saído e, dessa vez, estava sozinho, com pressa, e andando a passos largos até a sua sala. Passou por Harry e Niall rapidamente gritando de longe para que Harry o seguisse. O moreno de cabelos encaracolados nem titubeou, apenas levantou-se de onde estava e seguiu o chefe do departamento. Niall voltou seus olhos novamente para o computador e voltou ao trabalho. Louis entrou na sala e mandou Harry fechar a porta assim que passasse. O chefe fechou as persianas na janela de vidro e bipou sua secretária dizendo que ele não deveria ser interrompido, estava disponível apenas para Liam e Zayn. Harry já sabia do que aquele furor se tratava e já estava esperando a voz enfurecida de Louis perguntando se ele estava ficando louco. — Perdeu a cabeça, Styles? — Louis disse chegando mais perto de Harry, abrindo o casaco do terno e apoiando as mãos na altura dos quadris. — Pode me explicar que mensagem de texto foi aquela? — Você pediu minha ajuda, estou ajudando. — Harry respondeu tranquilo, sem ver grandes coisas naquilo tudo. — Eu avisei que você não iria gostar de saber, estou te falando isso há dois dias! Você não quer me escutar. — Harry tinha o tom de voz controlado e não estava demonstrando nenhum tipo de insegurança. — Nós não temos acesso à esse tipo de coisa, Louis. — Não bastasse você estar insinuando que esse hacker trabalha para o governo, e agora está dizendo que ele trabalha pra mim? — Tomlinson estava realmente nervoso e incrédulo. — Como tem coragem de acusar o Niall? — Ele é o Limpador, Louis. — Harry deu um passo na direção do chefe assim que Louis se afastou dele, negando-se a acreditar naquilo. — Você enlouqueceu de vez, Styles. — Louis balançava a cabeça negativamente. — Niall é um ótimo funcionário, por que ele faria isso? — É ele, Louis. — Harry estava convicto mas sabia que não seria fácil convencer ninguém daquilo. — Pode me prender se quiser. — Ele falava sério, sereno. — Mas no fim vai descobrir que eu estava certo. Niall tem acesso à tudo. — Por que ele faria isso? Embaixo do meu nariz? — Louis não via sentido naquilo. — Além disso, se você está partindo do fato de que é esquema interno, poderia ser qualquer um, poderia ser o Zayn! Poderia ser eu! Temos acesso e conhecimento pra isso... Por que o Niall? Você não pode ser raso nas suas acusações, Harry! — Louis bronqueou como se estivesse falando com um filho irresponsável. — Sabe quem fala gaélico? — Harry perguntou e Louis percebeu que não tinha uma boa resposta. Apenas encarou Harry por alguns segundos sem confirmar ou negar que sabia a resposta. Harry entendeu que, de fato, Louis não tinha pensado naquilo. — Irlandeses, Louis. — Styles respondeu como se aquilo fosse óbvio. — Irlandeses falam gaélico. Tomlinson, naquele momento, permitiu-se instaurar uma dúvida, mesmo que minúscula, que sabia que iria incomodá-lo por horas a fio naquele dia.
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