E para a decepção de Anita, não, elas não foram de moto. Como combinada, após a aula, Luana estava buzinando para ela, a ruiva estava sentada no banco do motorista do carro do pai, até porque ela mesmo não queria ter que sofrer essa tortura de levar a n***a tão agarradinha nela.
- Vamos. _ Anita diz assim que entra no carro, sorrindo docemente para a outra. – Falei com Samuel, ele vai transformar aquilo em uma festa de boas vindas para mim. Desculpa.
- Não tem problema. _ A mais nova dá a partida. – Meus amigos são legais, e alguns são irmãos mais novos dos seus, assim como eu...
- Ah, não. Nem fala isso. _ Luana sorri, mas então encara a outra quando para no sinal vermelho. – Você não vai pensar assim quando estiver com a cabeça entre minhas pernas me chu...
- Anita! _ O rosto da garota estava vermelho, tamanha era sua vergonha, mas não pode negar que gostou de ouvir aquilo, a pontada gostosa entre suas próprias pernas que o diga.
- Você está começando a entender as coisas, Luana, começando a entender.
Depois disso e a mais velha com um lindo sorriso no rosto, o caminho até o centro do bairro Jardim América, onde moravam, porém mais afastadas do centro, foi feito em silêncio, apenas o som de Jorge e Matheus inundava o carro. Não demoraram para chegarem no local. Quando descem, o corpo de Anita foi agarrado pelo corpo grande do amigo, agora mais forte e com expressão de homem.
- Sua moleca. Estava com tanta saudade.
- Eu também, Samuca.
Ela retribui. Samuel sempre foi o seu melhor amigo, acredita que se ela não gostasse mesmo de mulheres, aquele era o tipo de cara que se casaria. Apesar de ele gostar de sempre estar bem, viver bem, o que não é nenhum pecado, nunca deixou de amparar seus pais, amigos, namoradas, quando as tem. Todos que os conheciam imaginavam que eles iam mesmo casar, talvez até ela acreditou em algum momento, pelo menos até beijar uma garota pela primeira vez.
Luana que estava mais ao lado sorri do jeito dos dois. Reconhece aquele tipo de sentimento pois é o que tem por Zeca, seu melhor amigo, sempre presente, carinhoso e atencioso, agem como irmãos, e agora sabe que Samuel é esse tipo de pessoa para Anita.
- Vamos, eu chamei uma galera para comemorar sua vinda, afinal, serão dois meses incríveis.
- Ah, sim, Samuel, serão dois meses incríveis.
Ela fala com aquela malícia já conhecido pelo rapaz, porém não foi olhando para ele, foi para Luana, que engole seco e se afasta, entrando no bar e caminhando para a mesa onde alguns amigos da faculdade já se encontram.
- Você não presta.
- Ah, Samuca, essa garota está me deixando louca.
- Você só está assim porque ela te deu um fora.
- Pode ser. _ Anita diz vendo a ruiva sentar na cadeira ao lado de uma morena que sorri bem largo para ela. – E eu adoro uma concorrência.
Samuel não contém e gargalhada ao entender do que a garota fala. A morena ao lado de Luana fazia questão de tocar no braço exposto pela camiseta xadrez. O estilo de se vestir da ruiva está deixando Anita cheia de desejo. Morde o lábio inferior e suspira.
- Vamos lá, quero conhecer cada pessoa daquela mesa.
- Ah, isso vai ser interessante.
O rapaz diz e puxa a amiga para perto, abraçando-a pelos ombros, então caminham também para dentro. O lugar era aberto, quase isso, quem passava na rua dava para ver uma área exposta, onde Luana e seus amigos estão. Assim que chegam perto, Anita olha diretamente para morena que segura o braço da ruiva, mas sorri,
- Boa noite.
- Caramba, garota, São Paulo te fez muito bem. _ Essa é Sandra, uma linda morena, assim como outras pessoas ali, os quais Anita reconhece, estudavam juntas.
- Obrigada, você também continua linda.
As duas se abraçam. A n***a faz isso com todos os velhos amigos e novatos. Até chegar na morena que não sai de perto de Luana. Mas ela é uma mulher, sabe lidar com esse tipo de coisa, não vai se trocar por uma garota que tem no máximo vinte anos, apesar de não ser tão nova e ela mesma está querendo uma de dezenove.
- Essa é minha irmã. Lembra dela? _ Anita olha para Sandra e depois para a garota.
- É a pequena Selma, nossa, você cresceu, ficou uma mulher linda.
- Obrigada, também lembro de você.
O clima depois disso ficou calmo, para o alívio de Luana, que via claramente no olhar de Anita que sabia do interesse de Selma por ela, apesar da ruiva a tê-la mais como uma irmã. Elas cresceram juntas, estudam desde sempre juntas, apesar da garota não ter ingressado em uma faculdade, mas nunca a viu dessa forma, tenta deixar as coisas claras, mas gosta da presença de Selma. Para sua perdição, ela gosta de mulheres mais velhas, experientes, mandonas, fortes, decididas, mulheres como Anita.
- Olha só você...
Anita escuta a voz e então se vira, de todos ali aquela era quem não esperaria estar presente. Na sua frente está Bárbara, a linda loira de vinte e cinco anos, sua primeira garota, primeira em tudo. Seu primeiro beijo foi com ela, mesmo depois de ter beijando outras bocas, foi para ela que entregou sua virgindade um ano depois.
- Bárbara, oh, meu Deus.
Anita se joga contra o corpo da loira, que a recebe com perfeição. Nunca se esqueceu da n***a, não foi sua primeira, mas ainda assim nunca deixou de se sentir especial por ter sido a primeira dela. A confiança que Anita tinha e ainda tem nela é incrível, Bárbara adora isso.
- Caramba, não sabia que já tinha voltado. _ A menor diz ao se afastar e encarar a outra.
- Pois é. _ Os olhos de Bárbara brilham assim que pôde olhar com mais exatidão a linda n***a na sua frente. – Caramba, você continua incrível.
- Acho que você não anda se olhando no espelho, Bibi _ Elas sorriem com cumplicidade, algo que todos admiram. Luana que está de olhos nas duas sente algo estranho, não ciúmes... só é... Incômodo.
- Ah, você ainda lembra desse apelido?
- Como eu poderia esquecer? Afinal foi eu que lhe dei. Mas venha, senta aqui do meu lado, me fala como foi a estadia no Sul? Cara, tenho tanta vontade de conhecer o Sul.
Bárbara se formou em Educação física durante um tempo que trabalhava em Curitiba. Assim como Anita, sempre teve a intensão de voltar, e por esse motivo está de volta, agora formada e trabalhando em uma academia.
A conversa de todos foi se encaminhando. Descobrindo que os amigos de Anita continuavam solteiros, informação que agradou bastante Bárbara, porém não é cega, ela via bem os olhares que a n***a dava para a ruiva, mas também não se importou, afinal se fosse investir seria com calma, pois ainda precisam se conhecer novamente.
- Eu quero beber. _ Anita diz, olhando para Luana.
- Tem preferência?
- Pode ser Ice, adoro Ice.
- Certo.
A ruiva faz um sinal para o garçom que logo aparece, ela faz o pedido de Anita e ele sai. Depois volta a olhar para a n***a que está sentada ao seu lado, pois do outro está Selma, em uma conversa com sua irmã.
- A gente podia ir agora no banheiro aproveitar, afinal não estamos na casa da mamãe, não é esse o seu grande impedimento? _ O sorriso de Anita é contagiante, ela estava mesmo cogitando aquela hipótese.
- Você está mesmo disposta a fazer esses dois meses difíceis para mim, não é?
- Claro que não, como pode pensar isso de mim? _ Anita coloca as mãos perto do peito, fingindo ofensa. – Mas você já percebeu, Luana, eu me interessei por você, tenho dois meses para tentar alguma coisa, mas... _ Ela olha para Bárbara e depois volta a olhar para Luana. – Não sou nenhuma santa, nunca fui, boa moça, ótima filha, estudiosa, e essas coisas, mas santa? Nunca, e nem quero ser. Não vou continuar insistindo e me sentindo humilhada caso diga não com todas as letras, estou interessada, não n**o, mas tenho orgulho. Então fico a seu dispor, você sabe onde me encontrar, e olha só que interessante, seu quarto é bem ao lado do meu.
Com um sorriso mais largo ainda, a n***a volta sua atenção para Samuel, que sorri, conhecendo bem aquele lado decidido e sensual da amiga. Ele mesmo já ficou louco quando ela dava em cima de uma garota, ela sabe como lidar com esse tipo de coisa, mas uma coisa Anita falou certo, ela não é mulher de ficar correndo atrás, nunca se apaixonou até hoje, não por não se deixar levar, quem sabe até aconteceria com Lívia, mas ela sempre teve em mente que voltaria para Goiânia e a loira não gosta de cidades mais modestas, tem até planos de sair do país, como poderia se deixar levar por algo tão incerto? Sendo assim se concentrou nos estudos e no s**o maravilhoso que tinha com a amiga.
Agora está de volta e encontrou uma garota mais nova que faz completamente o seu estilo de interesse, Para piorar tudo, como ela mesmo disse, no quarto ao lado do seu, bastava ir na calada da noite e empurrar Luana na cama, mas não vai arriscar fazer isso, não ainda.
- Você vai deixar ela doida. _ Samuel fala ao encarar diretamente a amiga, que bebe seu Ice com muito gosto.
- Essa é a intensão, Samuca. _ Anita, olha para a ruiva que conversa com a morena ao seu lado. – E Selma nem percebe que Luana não está nem aí para ela, isso fica cada vez mais interessante.
Beber, beber e beber, coisa que Anita não fazia há um bom tempo, tanto por falta de oportunidade como falta do próprio tempo na vida corrida de São Paulo, quando chega a sua casa só pensa em dormir, t*****r e dormir de novo, sem contar os trabalhos que os professores passavam que pareciam mais livros.
Resumindo, sua vida social era voltada apenas para Lívia e saídas raras com alguns amigos, ela não reclamava, gostava disso, mas era também um motivo por sentir tanta saudade de Goiânia, Quer aproveitar esse tempo, por esse motivo vai beber sem se preocupar, até porque era evidente que Luana não estava bebendo. Ah... Linda e responsável. Esse é o pensamento de Anita ao terminar mais uma garrafa de Ice.
O tempo passou rápido. Nesse período Bárbara tocava a ex com carinho, sempre em sua coxa por cima da calça jeans que usa, ou no braço exposto pela blusa azul. Anita não se importava, na verdade poderia sim ter um Flashback com ela, afinal, está mais gostosa que antes, mas não agora, vai ver o que acontece com Luana. Não é mais uma garota de dezoito anos que faz ciúmes, ela quer a ruiva, se for para ser, será por que a mais nova também quer. Mas não pode negar que a hipótese de passar a noite com a loira não passou pela sua cabeça.
- Vamos? _ Luana fala perto do seu ouvido, fazendo-a se arrepiar toda.
- Que horas são?
- Uma e vinte, está tarde.
- Caramba, está mesmo. Vamos sim.
Anita então recebe um sorriso de Luana, depois olha para Samuel que conversava com uma garota que ele chamou para a mesa, a mesma que ele passou a noite toda trocando olhares, pelo jeito a noite dele terminará melhor do que a sua.
- Samuca, desculpe. _ Ela olha para a loira, sorrindo. – Já estamos indo, ficamos combinados para o próximo fim de semana?
- Claro. Vou falar com a Bárbara e a Sandra. Vamos retornar aos velhos tempos.
- Isso aí. Até depois e boa noite aos dois, e usem c*******a.
Então sai, deixando os dois envergonhados, mas era exatamente isso que fariam. Antes de chegar perto da saída, Bárbara que saia do banheiro a alcança.
- Ei, ia sair sem se despedir?
- Desculpa, mas já estava indo. _ Ela abraça a loira, que a acomoda bem em seus braços, assim como sempre foi. – A gente se ver no fim de semana.
- Claro. Espero ansiosa pelo seu reencontro. _ Assim que se afastam do abraço, Anita se aproxima e beija perto do seu lábio, fazendo Bárbara gemer baixinho.
- Até depois, Bibi.
Então sai, já encontrando Luana perto do carro, essa que sorri ao vê-la. Entram no carro e saem em direção à casa. Quando estão perto, depois de Anita quase cochilar, a ruiva a encara encostada no banco. A cada minuto que passa com ela sente que vai se complicar mais e mais, pois não vai resistir, além de linda, ela é inteligente, incisiva, mulher... Uma maravilhosa mulher.
Suspira, dessa vez chamando a atenção de Anita, que sorri fraco e abre os olhos, encarando a outra, que sem jeito volta sua atenção para a estrada, já bem perto de casa.
- Gosto que me admirem, Luana, não precisa ficar assim.
- Você é muito...
- Real... Não me chame de arrogante ou prepotente, não sou, mas... Eu sou uma mulher, n***a, que correu atrás dos sonhos, longe da mãe, sua única família, escondendo um segredo que pensava que iria decepcioná-la, bem, não gosto de me sentir por baixo, a não ser... _ Luana a encara rapidamente. – Deixa para lá, esse assunto prefiro praticar do que falar. Mas é isso. Só prefiro pensar que sim, sou linda, desejável, conquistadora e lutadora, sou uma sobrevivente, e se sobrevivi, quero ter o que posso ter.... _ Elas se encarando intensamente. – Inclusive você, que no momento é o meu maior desejo.
Luana engole seco, mas não fala nada. Dali para frente, nos poucos minutos que ainda restavam para chegarem a casa, foi só silêncio. Quando a mais nova estaciona na garagem, que se abriu com um apertar de botão, as duas descem do carro. Anita espera que o portão feche, para então entrarem na residência. Quando chegam no corredor, agora em frente à porta do quarto da n***a, Anita se aproxima da outra, que paralisa assim que sente os dedos ágeis dela tocarem os fios da sua nuca.
Anita sorri ao sentir o corpo da maior estremecer. Poderia beijá-la agora, mas... Ah, que se f**a, ela quer aquilo, ela precisa daquilo. Então se aproxima mais, sentindo a respiração da maior cada vez mais quente e forte. Não resiste, não tinha como resistir.
Os lábios se tocam com carinho. Isso, era exatamente isso que Anita sabia que sentiria, tremores em seu corpo a deixam com mais desejo, ela quer Luana em sua cama, tudo se intensificou quando a maior a empurra contra a parede, pressionando ainda mais os corpos.
Luana está entregue, mas Anita não vai avançar, quer que a garota peça, ela já lhe deu um fora, quer muito t*****r com ela, ainda mais agora, depois dessa pegada, de sentir as mãos dela em sua cintura exposta, firmes, quentes, enquanto ela chupa sua língua com perfeição.
Ao som do seu próprio gemido, Anita entende que é hora de parar, puxa os fios vermelhos da outra que se afasta do beijo, ofegante. Aos poucos os corpos se afastam completamente, Anita sorri ao encarar a outra, tão cheia de vontade.
- Boa noite, Luana, vou deixar a porta aberta.
Então ela entra, deixando a garota mais confusa. Luana respira fundo, ainda encarando a porta sendo fechada lentamente, sua vontade era entrar e jogá-la naquela cama, dar o que Anita tanto quer, sim, poderia fazer isso, mas ao pensar bem, ela entendeu o jogo da mulher.
Quer provocá-la. Fazê-la implorar? Talvez, e não será vergonha nenhuma fazer isso. Depois daquele beijo, de sentir seu corpo contra o seu daquela forma, de tomá-la. Ah, sim, ela imploraria, mas não naquela noite, não depois de Anita ter bebido tanto, não com seu pai e sua tia em um quarto tão próximo.
Agora, depois de ter escutado apenas aquele fino gemido, ela quer mais. Luana quer fazê-la gritar de prazer, Quer prová-la de todas as formas. Agora tem outros planos. Desistiu de resistir, mas não naquela noite.
Sorri para si mesma e vai para seu quarto. Naquela noite a ruiva não entrou no quarto de Anita para lhe dar prazer, mas aquele era apenas o primeiro dia de sessenta que elas têm pela frente.