Sonho Não Se Vende

603 Words

Por alguns segundos, apenas o barulho dos talheres ao fundo preenchia o silêncio entre nós. O garçom passou discretamente pela lateral da mesa, e Claire ajeitou o guardanapo no colo como se nada tivesse sido dito, como se não tivesse acabado de jogar na mesa a proposta mais fria que eu já tinha escutado da boca dela. — Eu vou pagar o que for justo. — repetiu, com o tom de alguém que tentava manter o controle. — Só me diga o valor que você considera adequado e eu transfiro amanhã mesmo. Minha garganta secou. Não foi apenas a proposta de compra que doeu. Foi a forma como ela disse. A calma nos olhos dela. A tentativa de manter tudo limpo, sem emoção. Como se eu fosse um sócio qualquer. Um homem que dividiu um investimento. Não a vida. Não os sonhos. Não a cama. Engoli em seco. Ajeitei

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