Era por volta de duas e quarenta da madrugada quando ouvi o barulho. Primeiro, achei que fosse um sonho. Aqueles sons abafados, meio distantes, como se alguém tivesse derrubado alguma coisa grande e de vidro. Sentei na cama num susto, com o coração acelerado, os olhos ainda se ajustando à pouca luz. Depois veio a sequência: estalos, rangidos, algo caindo no chão de novo — e um gemido estranho. Pânico. Levantei devagar, os pelos do braço todos em pé, e tateei o chão com os pés até achar o que eu chamava carinhosamente de “plano B”: um taco de beisebol que ficava escondido atrás da cortina do meu quarto desde o dia em que a Eloá disse que os ricos também sofriam tentativas de sequestro. Segurei firme no cabo, respirei fundo, e comecei a descer as escadas em silêncio absoluto. Cada degra

