A rotina se ajeitou na marra. Os dias começaram a ter mais previsibilidade, embora, com Eloá morando comigo, esse conceito de “rotina” fosse sempre flexível demais. Ela era um relógio quebrado que às vezes funcionava, às vezes gritava que eram seis da manhã só pra fazer panquecas com glitter comestível. E eu? Eu só... aceitava. A vida foi ficando menos barulhenta por dentro. Não que tudo estivesse resolvido — eu ainda pensava na Claire quase todo dia, mas era diferente agora. Eu não alimentava esperanças ou planos de reconquista. Talvez por orgulho, talvez por cansaço. Ou talvez porque, finalmente, eu tinha entendido que existem amores que não sobrevivem à realidade. E tudo bem. Mesmo doendo. A gente aprende a andar com a dor no bolso de trás, igual uma chave velha que a gente nunca jo

