Eu abri a porta da mansão com a chave girando o mais silenciosamente possível, como quem volta pra casa depois de fazer algo errado. Não que eu tivesse feito. Mas ainda carregava um certo peso nos ombros. O fim da noite com a Claire foi... confuso. Bom, mas confuso. Afinal, como processar um reencontro cheio de lembranças, uma conversa no escuro, um sofá contaminado por um Ken bombado em chamada de vídeo com uma amante remota e um vinho no tapete ao lado da lareira? Não existia tutorial emocional pra isso. Passei pela sala escura, com apenas algumas luzes da área externa infiltrando pelas janelas. Até que, ao virar em direção à cozinha, fui surpreendido por uma explosão de som e luz: — FINALMENTE!!! — gritou Eloá, surgindo no meio da cozinha como uma campeã olímpica entrando no pódio.

