O Flagra

912 Words

Ainda estava com o gosto do vinho barato na boca quando comecei a rir, do nada, sentado ali na cozinha iluminada, cercado de taças sujas, garrafas vazias e uma sensação de que minha vida virara um roteiro de comédia com roteiro escrito por alguém sob efeito de energético vencido. Eloá e Caio continuavam rindo, se empurrando como dois adolescentes do ensino médio. O relógio marcava quase quatro da manhã e ninguém parecia cansado. — Vocês não vão acreditar no que eu e a Claire vimos hoje — soltei de repente, ainda com o riso preso na garganta, me ajeitando melhor no banquinho. Eloá parou de rir. Literalmente. O sorriso congelou. O copo parou a meio caminho da boca. Caio também silenciou, como se alguém tivesse apertado o botão de pausa na loucura. — O quê? — ela perguntou, desconfiada.

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