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383 Words
A mensagem fica brilhando na tela. "Desconhecida: Bem mais perto do que você imagina..." Meu olhar percorre as casas ao redor mais uma vez e não vejo nada. Nenhum movimento estranho, nenhuma sombra. Só o morro vivendo a sua própria madrugada. Aperto a mandíbula e volto para a conversa. Eu: Você sabe qual é o seu problema? Ela demora alguns segundos para visualizar, mas não responde. Continuo digitando. Eu: Você acha que isso é bonito. Eu: Ficar escondida, observando a vida dos outros, criando números diferentes... isso não é normal. Dessa vez ela responde. Desconhecida: Eu nunca quis te assustar. Dou uma risada seca. Eu: E conseguiu exatamente o contrário. Ela começa a digitar. Antes que envie qualquer coisa, mando outra mensagem. Eu: Você fala que me ama, mas nem me conhece. Eu: Você conhece momentos meus. Eu: Conhece a imagem que construiu na sua cabeça. Eu: Amor não nasce de mensagens. Os três pontinhos aparecem. Ela escreve. Apaga. Escreve de novo. Por fim, responde. Desconhecida: Você tem o direito de pensar assim. Respiro fundo. Pela primeira vez desde que respondi aquela conversa, sinto que já passou da hora de acabar com aquilo. Eu: Escuta bem. Eu: Eu respondi porque você descreveu exatamente onde eu estava. Eu: Minha curiosidade falou mais alto. Eu: Só isso. Ela visualiza imediatamente. Espero que responda, mas sou eu quem continua. Eu: Agora essa curiosidade acabou. Eu: Eu tenho mais o que fazer do que perder tempo conversando com uma desconhecida. Passam alguns segundos. Ela continua online. Digitando. Não deixo ela completar. Eu: E outra coisa... Eu: Para com essa mania de ficar me observando. Eu: Isso não é amor. Eu: É coisa de gente maluca. Escrevo mais uma linha, dessa vez sem pensar muito. Eu: Ou de psicopata. Os três pontinhos desaparecem de vez. Ela não responde. Não sei se ficou magoada. Não sei se ficou com raiva. E, sinceramente... não me importo. Seguro o dedo sobre a tela por alguns segundos, abro as opções da conversa e escolho: Silenciar notificações. Dessa vez não bloqueio. Também não apago. Só silencio. Se ela quiser continuar falando sozinha... que fale. Guardo o celular no bolso e caminho pela laje, tendo a impressão de que aquela história termina aqui. m*l sei eu... que esse é apenas o primeiro capítulo dela.
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