Uma Terrível Perda

990 Words
Roberto me pediu desculpas pela reação que ele teve. Eu estava super chateado, queria gritar com ele, dizer que ele não era meu dono, nem meu namorado, e nem nada meu para ele fazer isso, mas a verdade é que eu não consegui, vendo ele ali todo fofo me pedindo desculpas, e me passando tamanha sinceridade fez com que eu não conseguisse falar outra coisa, a não ser que eu desculpava ele. Mauricio parecia ter mesmo desistido de tentar algo contra mim. Por um lado eu até estava um pouco feliz, porque por mais que eu achasse o Mauricio bonito, eu não queria nada com ele, era do Roberto que eu gostava, e mesmo querendo eu não conseguia negar isso. (...) Um ano depois aconteceu uma tragédia na vida minha, da minha mãe e da minha irmã. Nosso pai faleceu. Teve um grande incêndio no hospital que ele trabalhava, o que acabou matando quase todos os pacientes, pois apenas dez conseguiram ser resgatados a tempo, e metade dos enfermeiros, e médicos também morreram. Acho que mamãe só não morreu, porque estava de folga naquele dia. Nós sofremos muito, pois o único m****o da nossa família que havia morrido era a nossa vó materna, que faleceu quando eu tinha 6 anos e Júlia 4. Não lembrávamos como era perder alguém que a gente amava. O velório e o enterro foi um dia após a morte do nosso pai. Eu, mamãe e Julia nem conseguíamos falar sobre isso. Papai foi resgatado por um bombeiro um pouco antes do prédio ser totalmente destruído, não queimou muito o rosto, as partes mais afetadas foram os braços, pernas e costas. Acabou inalando muita fumaça, acho que foi isso o principal motivo de sua morte. Acabou falecendo no hospital. Julia, eu e mamãe conseguimos nos despedir dele. Papai estava na UTI, porém ao nos ouvir, ele abriu os olhos, nos viu por alguns segundos, disse que nos amava, e fechou os olhos novamente. Julia me abraçou com toda força, e ficamos nós dois ali chorando, enquanto mamãe chamava algum médico. Dois médicos vieram e examinaram o papai, e então um deles disse que lamentava muito. Nós três nos abraçamos e choramos até não termos quase lágrimas. Roberto não pôde ir ao velório, mas foi no enterro. Ficou o tempo todo do meu lado e da minha irmã. Ele chegou lá, e ao nos ver foi até a gente, e as únicas palavras que ele conseguiu dizer foi: - Meus pêsames. Ele abraçou a gente, e ficou ali conosco o tempo todo do enterro. - Eu quero o meu pai de volta. Acorda pai – Gritava Julia. Ficava pior do que eu já estava ao ver a minha irmã naquele estado, e ali eu entendi que agora mais do que nunca eu teria que ser mais forte ainda para poder dar total força a Ju. Roberto disse que a gente podia contar com ele e com a família dele para o que precisasse, mas naquele momento nem tudo que o Roberto falasse, faria eu me sentir melhor, eu só queria o meu pai de volta, e isso nada, nem ninguém poderia fazer. Eu nunca tinha sentido uma dor tão grande como a que eu estava sentindo com a morte do meu pai, e nem saber que o Roberto estava ao meu lado, fazia essa dor diminuir. - Papai nunca vai voltar, Thales? – Me perguntou Júlia ao chegarmos em casa. - Não, pequena. Papai agora é uma estrelinha que brilha no céu junto ao menino Jesus. – Eu disse. - Eu queria ir pra lá pra ficar junto dele. – Disse Julia. Chorei ao ouvir a minha irmã dizer aquilo, já havia perdido o meu pai, não conseguiria imaginar a minha vida se eu perdesse a Ju também. - Nunca mais diga isso, se algo te acontecer, eu morro. – Eu disse. Ju limpou uma lágrima minha e disse que não queria que eu morresse, e que a morte era a pior coisa que existia na vida. Tive que concordar com ela, afinal, ninguém está preparado para perder alguém que se ama. Mamãe chegou do enterro e foi direto para o seu quarto. Eu e Ju entramos no quarto dela e mamãe estava deitada, agarrada em uma foto da nossa família, onde papai estava muito bonito, e ela chorava muito. Eu e Ju choramos mais ainda por vê-la daquele estado, Ju deitou de um lado da mamãe, e eu do outro, abraçamos ela, e ficamos ali chorando os três juntos durante algumas horas. Roberto às vezes me ligava para saber como eu estava levando tudo, ele tentava me confortar, dizia que aquela dor um dia passaria, e daria lugar a saudade, e que essa nunca iria embora. Escutar a voz dele estava fazendo eu me animar um pouquinho, embora tivesse vontade de chorar o tempo inteiro, Roberto me falava também que queria poder me abraçar, ficar do meu lado, pois os amigos de verdade eram para as horas boas e ruins, porém ele me daria o tempo que eu precisasse. Eu e Julia ficamos um pouco mais de um mês sem ir no colégio. Durante o período em que eu estava de luto, vi o Roberto algumas vezes. Ele ficava ali comigo, me abraçava, mas em silêncio, Roberto me passou todas as matérias que eu havia perdido. Ao voltar para o colégio fui recebido muito bem por todos. Sandy, Alice e Maurício me abraçaram ao me ver, e me desejaram muita força, a professora também me recebeu muito bem, me oferecendo total apoio. Passei a assistir as aulas normalmente, saía para o recreio, porém não tinha vontade de fazer nada, pois a cada segundo o rosto do meu pai vinha a minha cabeça. Lembrava de quando eu era pequeno, de todas as nossas brincadeiras. Os meus amigos viram que eu ainda não estava muito bem, e deixaram eu ter o meu espaço, meu tempo, foram incríveis comigo.
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