Certo dia ao pensar no Roberto, eu comecei a perceber que talvez eu devesse estar sim gostando dele, e eu não queria aquilo para mim, não queria gostar de alguém, ainda mais de um garoto, eu só via na TV homem e mulher juntos, e nunca duas mulheres ou dois homens, então após pensar um pouco percebi que aquilo estava errado, que não era certo eu gostar de outro menino. Queria tirar ele da minha cabeça, sabia que não seria fácil, mas resolvi tentar.
Porém ao ver ele novamente brincando com as suas amigas, eu tive uma ideia melhor, resolvi ficar amigo das amigas dele, talvez tivesse ali alguma menina que eu me interessasse mesmo me passando por garota, só se eu soubesse que eu estava gostando de uma garota já seria bom para esquecer ele, para não pensar mais nisso e tirar isso da cabeça de uma vez por todas.
Fui até a janela do meu quarto, e fiquei vendo eles brincar de policia e ladrão. Roberto logo me viu, e fez sinal para eu descer, e assim que eu fui até ele, o garoto me apresentou todas as suas amigas, confesso que elas eram bem bonitinhas, mas não consegui sentir nada por nenhuma delas. Porém, acabei ficando muito amigo da Alice, que tinha a minha idade. Era uma ruivinha, de cabelo bem liso, e olhos verdes, bem magrinha. Era uma garota bem legal, e estudiosa, e estava sempre lendo, achei ela bem bacana. Brincamos bastante, e eu estava convicto de que esquecer o Roberto seria o melhor para mim, mas será que seria mesmo? Será que eu conseguiria? Isso, eu só descobriria com o tempo, mas quanto tempo será que eu precisaria? Enfim, eu estava disposto a esperar o tempo que eu precisasse para esquecê-lo.
Acabei ficando muito amigo da Alice, mas mesmo assim não conseguia sentir nada por ela, pelo menos não o que eu queria, pois achei ela super legal, mas para ser minha amiga apenas. Fui à casa de Alice, e conheci os seus pais, que gostaram muito de mim. Alice e eu acabamos ficando muito próximos, o que causou um certo ciúmes por meio do Roberto, e confesso que eu até estava gostando disso. A Alice era bem legal para uma garota, mas não me sentia tão bem com ela, como eu me sentia com o Beto.
Resolvi tentar gostar da Alice, por isso passei a me afastar um pouco do Roberto. Os dias se passaram, e cada vez mais eu estava próximo da garota. Brincávamos de bonecas em sua casa, de casinha, de várias coisas que eu adorava brincar com a Júlia, coisas que com o Roberto eu não podia brincar
Certo dia, o Roberto me ligou, pedindo pra eu ir à casa dele pra ver o novo videogame que ele havia ganhado, eu inventei uma desculpa qualquer, e acabei indo na pracinha com a Alice.
E assim foi, dia após dia, semana após semana, eu sempre inventando desculpas pro Roberto, e mesmo evitando ele, eu não conseguia tirá- lo da cabeça, até que um dia ele parou de me procurar, acho que percebeu que eu estava evitando ele.
Era um domingo chuvoso, chuvinha de verão, quando o meu telefone tocou, quase não atendi por pensar ser ele, mas estava tão a fim de escutar sua voz, que eu resolvi atender a ligação. Era o pai dele, dizendo que o Roberto estava no hospital, com febre muito alta, e perguntou se eu poderia ir lá vê-lo. Ao ouvir aquilo eu não pensei duas vezes, peguei o meu guarda – chuva, e quando eu estava saindo de casa, só ouvi aquela voz:
- Eu posso saber onde o senhor pensa que vai?
Era a minha mãe. Estava na sala vendo TV, e viu quando eu ia sair de casa. d***a! Nem tinha visto que mamãe estava na sala.
- Eu vou ver um amigo. - Falei.
- Com esse tempo? - Perguntou minha mãe.
- É, deixa eu ir por favor, o pai dele me ligou, disse que ele está no hospital, eu preciso muito vê-lo, por favor, mãe.
- Ok, mas eu te levo.
- Não! - Eu disse.
Minha mãe surpresa, me perguntou:
- Por que não, filho? - Estranhou.
- O hospital é aqui pertinho, esses dias eu passei por lá de bicicleta, e vai ser o maior mico se eu chegar lá com mamãezinha, pô mãe eu não tenho mais cinco anos, eu já tenho dez, tá?
Minha mãe sorriu ao ouvir aquilo, acho que eu tinha conseguido dobrar ela.
- Você tem razão. – Ela disse.
Eu sorri, e fui para o hospital de táxi, com o dinheiro que a minha mãe havia me dado, pois foi a condição dela para me deixar ir sozinho.
Chegando no hospital, eu avistei o pai do Roberto, pedi para vê-lo, e ele me disse que eu teria que esperar o Guilherme, irmão de criação do Roberto, sair do quarto para que eu pudesse entrar para ver o garoto.
Alguns minutos depois, ele saiu de lá, foi quando eu o conheci pessoalmente. Era um rapaz alto, parecia que fazia academia, de cabelo castanho e caído na testa, e olho cor de mel, tão bonito quanto o Roberto.
Fui até o quarto onde ele estava, e o vi deitado, parecia estar dormindo, pois estava com os olhos fechados. Queria poder conversar com ele, mas não sabia se ele me escutaria. Tentei não chorar ao ver ele naquela situação, e mesmo sem saber se ele conseguiria me ouvir, eu falei com ele, porém a única coisa que eu consegui dizer foi:
- Desculpa!