Ciúmes

660 Words
Eu gostava tanto de conversar com o Roberto, de poder ser a Tamires, a garota que ele gostava, que queria namorar, que eu esquecia do mundo quando eu estava junto dele. Desde a primeira vez que eu o vi, senti algo diferente por ele, algo que eu não conseguia entender, talvez por eu ainda ser novo, mas sabia que eu nunca poderia ficar com ele pelo fato de nós dois sermos garotos, e acredito que era assim que as coisas devessem ser, eu para um lado, e Roberto para o outro. Estávamos conversando quando chegou a Patrícia, uma garota super exibida, e patricinha, de doze anos, que era apaixonada pelo Roberto, via uma forte rival pela frente, e ela nem tentava disfarçar. Chegou lá toda metida, só faltava grudar no pescoço dele. Não gostei nenhum pouco daquela situação, e acho que deu para perceber, nunca fui muito bom em tentar disfarçar algo que eu não sentia, e essa garota me irritava muito, me dava nos nervos, era muito insuportável. Ela ficou lá algum tempo conversando com o Roberto, e me ignorando totalmente, foi como se eu não estivesse lá. Roberto por sua vez, tentava fazer eu entrar no assunto, mas ela nem me olhava, e eu todo sem jeito, sem saber o que fazer, ou o que falar. Queria sair correndo dali, mas aí ficaria mais óbvio ainda que eu estava com ciúmes. De repente para a minha alegria, chegou a mãe dela chamando -a para irem fazer compras. Ela graças a Deus foi correndo, o que me deu vontade de dizer ''vê se vai e não volta'', mas me segurei para o Beto não perceber o quanto eu estava detesto toda aquela situação. Assim que ela saiu, eu perguntei ao Roberto: - Como você aguenta essa chata? - Ela é legal. - Legal? Sério, até a voz dela me irrita. - Eu disse. Roberto riu, e me perguntou: - É impressão minha ou vejo alguém com ciúmes aqui? - Deu uma leve risada. - Quem? Eu? Nada a ver, só não fui com a cara dela, eu não preciso gostar de todas as suas amiguinhas. - Eu disse. Ele riu novamente, e me abraçou, foi o abraço mais maravilhoso que eu já senti, juro que eu nunca senti nada igual, era algo tão bom, tão gostoso, que dava vontade de ficar ali para sempre, ganhando o seu abraço e escutando o seu coração bater. Roberto era a única pessoa do mundo que me entendia como ninguém, ele sabia todos os meus segredos, ou quase todos, e eu também sabia dos segredos dele, Roberto me dava conselhos, sabia do que eu gostava, e do que eu não gostava, a gente brincava, ria, se divertia juntos, e quando estava só nós dois, era como se todo o resto, como se o mundo não existisse, ele sabia das minhas qualidades, e dos meus defeitos, e nem se importava se eu não era bom em algumas coisas, ou não entendia alguns assuntos, ele gostava de mim pelo o que eu era, ou melhor, ele gostava da Tamires, mas como eu era ela, acho que ele gostava de mim também. Chegou a noite... Eu fui para a minha casa, e Roberto para a dele. Naquela noite eu comecei a pensar se realmente estava certo eu fugir com o Roberto, e deixar a minha família. Não queria deixar eles, mas ao mesmo tempo queria que por um tempo fosse apenas eu e ele, e mais ninguém. Então, comecei a imaginar novamente a nossa fuga, e dessa vez eu comecei a pensar que se ele tentasse me roubar um beijo, talvez eu deixasse. Nunca tinha ficado com ninguém, mas com o Roberto era tudo diferente, com ele nada me importava, e quando eu estava ao seu lado, era somente ali que eu queria estar, queria que o tempo parasse para que eu não precisasse sair do lado dele. É, acho que eu estava mesmo gostando dele.
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