Ficamos nos olhando por algum tempo em silêncio, e de repente, ele disse:
- Hã... É... Você... Você... Você quer um pouco de suco?
Deu pra perceber que ele estava um pouco nervoso, confesso que eu achava super fofo quando ele ficava nnervoso, mas na verdade eu também estava um pouco, e eu nem sabia direito o porquê.
- Hã... Eu... Sim. Quero suco. - Eu respondi.
Enquanto ele foi buscar a bebida, eu comecei a pensar na hipótese dele tentar me beijar, ou me pedir em namoro, e acabei me dando conta, que se isso viesse a acontecer, eu não poderia aceitar, pois eu estava mentindo para ele, e afinal ele também era menino, sem falar que éramos crianças.
Ele voltou com o suco, e me alcançou um copo. Eu agradeci, e tomei aquele suco como se eu não bebesse algo há anos. Ele ficou me observando tomar o suco, e então ele voltou a sentar do meu lado, o que me deixou meio sem graça.
- Você já namorou antes? - Ele me perguntou.
- Como? - Eu perguntei cuspindo o suco que eu estava bebendo.
Ele riu, e me fez a pergunta novamente.
- Não. - Eu respondi meio nervoso.
Tomei um gole de suco e comecei a tremer de nervosismo, só ele me deixava assim.
- Sabe eu também nunca namorei, acho que eu nunca encontrei a garota certa, mas talvez agora eu tenha encontrado. - Ele disse.
Continuei tremendo de nervosismo, e o que eu tanto temia aconteceu, ele com aquele jeitinho tão doce e terno que só ele tinha, acabou me pedindo em namoro.
- Como? Tá falando sério? - Eu perguntei ao escutar o garoto fazer aquela pergunta.
- Nunca brincaria com uma coisa dessas. - Ele me respondeu sem parar de me fitar.
- Mas a gente é criança, e somos muito novos pra namorar. - Falei.
- Acontece que pro amor não tem idade, e eu gosto muito de você, e sei que você também gosta de mim, ou estou enganado? - Ele me perguntou sem tirar os olhos de mim.
- Não! Mas a gente se conhece faz pouco tempo, e tem mais o lance da idade, acho que sou muito nova ainda pra namorar. Eu quero brincar, aproveitar a minha infância, e depois pensar nisso.
- Mas me promete que quando você começar a pensar nisso, eu serei o primeiro de sua lista.
- Com certeza. - Eu respondi com um leve sorriso.
Ele sorriu também, e me deu um beijo no rosto. Foi o melhor beijo no rosto que eu já havia ganho, pois havia sido tão doce, e a cada dia que passava eu estava gostando mais e mais de viver a Tamires, pois era dela que o Roberto gostava.
No dia seguinte ao acordarmos, ele fez um café da manhã delicioso pra gente, tomamos café, e depois ele me levou até a esquina da minha casa, e disse o quanto havia gostado de ter passado aquele tempo comigo. Nos despedimos, e ficou combinado que depois do almoço a gente iria brincar na rua.
Quando eu cheguei em casa, meu pai perguntou como havia sido a noite na casa do Roberto.
- Estava bem legal. Espero que tenha uma segunda vez.
- Fico tão feliz que você esteja fazendo novas amizades. - Disse meu pai.
- Um dia você me leva com você? - Perguntou minha irmã. - Quero conhecer esse seu amigo que você tanto fala.
- Hã, claro, um dia eu te levo. - Eu disse.
Fui para o meu quarto, me deitei na minha cama, e comecei a ouvir o rádio, e quanto mais eu escutava as músicas que dava na rádio, mais eu pensava no Roberto, e nisso eu comecei a imaginar a nossa fuga. Foi aí que a Ju entrou no meu quarto, perguntando pelo Roberto.
- Me conta, como ele é? Digo, ele é tão bonito por dentro, como é por fora? - Ela perguntou.
- Ah ele é legal, a gente se dá super bem, jogamos vídeo game, futebol, conversamos bastante, e damos muita risada juntos, ele tem um ótimo senso de humor. - Sorri ao lembrar dele.
- E quando você vai me apresentar ele?
- Ah, um dia aí. - Eu respondi.
- Obrigado, você é o melhor irmão desse mundo. - Disse Júlia ao me abraçar.
Naquele momento eu percebi o quanto seria difícil eu fugir, e deixar ela, tão pequenina e frágil, necessitando de atenção, de carinho, de cuidado. Cheguei a pensar em levar ela junto, mas aí eu precisaria contar a verdade para ela, e isso eu não poderia fazer, Ju era muito pequena e não entenderia e eu também não queria colocá-la nisso, podia ser perigoso para uma criança da idade dela.
- Hey pequena, o mano aqui te ama muito, viu ? Nunca se esqueça disso! - Eu disse.
- Ah seu cara pálida, eu sei disso, né? E é claro que eu nunca vou me esquecer.
Ela sorriu com aqueles lindos olhos castanhos, e eu dei um beijo em sua testa. Ela deitou do meu lado, e ficamos nós dois escutando as músicas que estavam dando na rádio.
Naquele dia, o meu pai estava de folga, então ele fez o almoço de casa, lasanha, que por sinal era a minha comida preferida. Almoçamos nós três, pois minha mãe estava trabalhando, e o almoço estava delicioso.
À tarde fui brincar com o Roberto, combinamos sobre a fuga, e cada vez eu gostava mais de estar com ele. O Roberto me fazia sentir muito bem, ele era diferente de todos os amigos que eu já tive, e me fazia crer que eu era diferente, que eu podia ser especial para alguém.