Fui o caminho todo pensando no selinho que eu havia dado no Roberto. Na verdade eu era BV, e acho que a ficha estava caindo que naquele momento eu não era mais. Enquanto eu ia com o Roberto buscar a Ju foi como se um replay daquela cena passasse o tempo todo pela minha cabeça, e pelo silêncio do Beto, eu pude perceber que talvez ele também estivesse pensando na mesma coisa que eu. Depois de algum tempo eu olhei para ele, e ele me olhou de volta, sorrimos um para o outro, e ficamos flertando por alguns segundos. Então eu sorri e abaixei a cabeça com um pouco de vergonha.
Ao chegarmos no colégio da Ju, ela nos viu e saiu correndo em nossa direção.
- Oi, Beto. – Ela disse.
- Oi, gatinha. – Ele respondeu para a minha irmã.
- E eu não ganho ‘’oi’’? – Perguntei.
- Oi, maninha. – Me disse Ju sorrindo.
- Por que vocês estão molhados desse jeito? – Ju perguntou.
- Ah, é uma longa história, depois eu te conto. – Eu disse.
Julia deu tchau para as suas amigas, e foi embora conosco, e novamente ela foi o caminho todo contando o que havia aprendido na aula, estava super empolgada, e as vezes de relance eu conseguia perceber o Roberto me olhando e sorrindo para mim, tentava não retribuir para a Ju não perceber.
Naquele dia os meus pais trabalhariam a noite toda, e só voltariam no dia seguinte por volta do meio dia. Então aproveitando isso eu convidei o Roberto para dormir lá em casa, e ele aceitou, disse que iria para casa dele pedir permissão ao seu pai, tomaria um banho e jantaria e depois iria para a minha casa.
Eu chegando em casa, também aproveitei para tomar um banho, depois pedi para a Ju trocar de quarto comigo, já que o quarto dela era bem feminino e o meu nem tanto, e o Roberto dormiria no mesmo quarto que eu, Ju aceitou a troca numa boa. Agora era só esperar o Roberto chegar.
Julia me perguntou o motivo que eu e Roberto estávamos molhados quando fomos buscar ela, e eu disse que era porque a gente tomou banho em um rio, minha sorte foi que ela acreditara e não quis saber onde ficava esse rio.
Pouco depois, Roberto chegou, disse que havia trazido alguns dos filmes preferidos dele pra gente ver.
Nós três brincamos muito, fizemos muita bagunça, Ju não conseguia nem esconder a felicidade que estava de ter um amigo novo, e desse amigo ser o gato do Roberto, confesso que até estava me sentindo um pouco de lado, pois em tão pouco tempo a Ju já estava tão amiga do Beto. Depois de muita bagunça, nós três fomos para o quarto da Ju, que Roberto pensava que era meu, e ficamos ali sentados na cama vendo o filme ´´Didi, o cupido trapalhão´´. Quase no fim do filme a Julia pegou no sono.
- Vou levar ela para o seu quarto. – Eu disse.
Peguei ela no colo, e coloquei - a em minha cama, dei um beijo de boa noite em sua testa e sai.
- Que bom que finalmente ela dormiu, assim podemos trocar de filme, não aguentava mais esse aí. – Eu disse.
- Nem eu. – Disse Roberto rindo.
- Põe um filme de terror ou suspense aí.
Ele então colocou ´´Olhos famintos´´ . Me sentei novamente na cama da Julia, e começamos a ver o filme. Confesso que eu fiquei morrendo de medo. Ao perceber isso, Roberto colocou o braço em volta do meu pescoço me passando segurança, e fazendo o meu medo ir embora.
Acabado o filme nós fomos dormir, deixei ele dormir na cama da Ju, e eu deitei em um colchão ao lado da cama. Estava quase pegando no sono quando a Ju chegou.
- O que foi, pequena? Pesadelo de novo? – Eu perguntei.
- É, será que eu poderia dormir aqui? – Perguntou Julia.
Eu olhei para o Roberto, que sorriu para mim confirmando.
- Claro. – Eu respondi.
Ela deitou do meu lado e assim nós três adormecemos.
No dia seguinte, eu e Roberto tomamos café da manhã juntos, e antes de sair de casa para ir pro colégio, eu acordei a Ju.
- Nós temos que ir pra aula. Tem pão no micro, frios e leite na geladeira, e nescau no armário, quando você levantar tome café, e fique quietinha vendo desenho. Não faça bagunça, e se comporta. Ah, qualquer coisa você tem o meu número, mas só me ligue se for muito urgente. – Eu disse.
- Ok! – Disse Ju sonolenta.
Eu e Roberto fomos para o colégio.
Algum tempo já havia se passado, e tudo continuava igual. Julia agora brincava com a gente. Eu via Roberto na escola de manhã, e à tarde brincávamos juntos, e sempre nos divertíamos muito. Era muito legal cada minuto ao lado dele.
Em um certo sábado ensolarado, com um calor de novembro, eu fui até a sua casa. Toquei a campainha, e para a minha surpresa quem abriu a porta foi o Guilherme.
- Oi Tamires, entre! – Ele disse.
Eu pedi licença e entrei.
- Cadê o Beto? – Eu perguntei.
- Acabou de sair do banho, e está se arrumando, mas sente – se. – Disse Guilherme.
Eu me sentei com um pouco de medo do que estava por vir e Guilherme sentou do meu lado.
- Meu irmãozinho fala muito de você, sabia? Ele gosta muito de ti, é Tamires pra lá, Tamires pra cá. – Disse Guilherme.
Eu ri e disse também gostar muito dele. Guilherme, no entanto, perguntou o que eu sentia pelo Roberto, fiquei nervoso e sem saber o que dizer, e então fui salvo pelo gongo, pois nesse momento chegou Roberto descendo as escadas.
- Vamos? – Perguntou Roberto.
- Claro. – Eu disse a ele.
- Tchau, Tamires. – Disse Guilherme.
- Tchau. Até mais. – Eu disse.
Dei um beijo no rosto dele como forma de despedida e sai com o Roberto. Ao sairmos de sua casa, ele perguntou o que eu conversava com o seu irmão, eu disse que não era nada demais, e ficou por isso mesmo.
Naquele dia nós havíamos combinado de ir em um parque que estava na cidade, e eu estava super ansioso para ver como era aquele parque, se era igual aos que eu ia ou não.
- Pena que a Julia não pode ir. – Disse Roberto.
- É, ela preferiu ir tomar banho de piscina na casa da amiguinha.
- Ah, pelo menos assim, podemos ficar um pouco sozinhos. – Ele disse.
Olhei para ele sorrindo, e ele sorriu de volta, fazendo assim o meu coração bater mais rápido, tentando imaginar o motivo que levaria ele a querer ficar sozinho comigo.